10.01.2018 / Cultura / por

Retrospectiva de Jean-Michel Basquiat circula o Brasil em 2018

O campo próximo a outra estrada, 1981 (© The Estate of Jean-Michel Basquiat. Licensed by Artestar, New York/Divulgação)
O campo próximo a outra estrada, 1981 (© The Estate of Jean-Michel Basquiat. Licensed by Artestar, New York/Divulgação)

A agenda cultural do país começa já com uma grande exposição do artista Jean-Michel Basquiat, que passa por quatro sedes do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a partir do dia 25/01 (veja datas abaixo).

Após dois anos de intensa negociação, cerca de 80 peças — entre quadros, desenhos, gravuras e pratos — concedidas pela família Mugrabi (dona de uma das maiores coleções do artista), serão expostas gratuitamente, possibilitando um mergulho na trajetória de Basquiat, com obras desde o início de sua carreira, quando vendia postais desenhados por ele pelas ruas de Manhattan até os momentos finais de sua produção.

Quando morreu aos 27 anos, em 1988, Basquiat era uma estrela do cenário artístico de Nova York. Sua produção foi marcada pelo uso de materiais simples, como papel comum, esquadrias de janela, colagens, cópias reprográficas e a combinação de imagens humanas e palavras.

Basquiat começou sua produção aos 16 anos com grafites, poemas e cartazes nas paredes e muros de Downtown Manhattan e na linha D do metrô nova-iorquino. Junto com o amigo Al Diaz, assinavam como SAMO (abreviação para same old shit). Foi o jornal independente Village Voice que destacou a produção da dupla. Em 1979, o codinome SAMO é abandonado, numa intervenção na cidade: a inscrição “SAMO is dead” apareceu grafitada no SoHo, no baixo Manhattan.

Em 1981, ele ganha um artigo na revista Artforum, que o torna conhecido internacionalmente. Esse é um dos períodos mais produtivos de Basquiat. Algumas das peças de maior destaque da exposição que vem ao Brasil, como Hand anatomy (1982), Old Cars (1981), Selfportrait ( 1981), Do not revenge (1982) e Loin (1982) foram produzidas nessa fase.

Flash em Napoles, 1983. Acrílico e tinta a óleo em bastão sobre tela. (© The Estate of Jean-Michel Basquiat. Licensed by Artestar, New York/Divulgação)
Flash em Napoles, 1983. Acrílico e tinta a óleo em bastão sobre tela. (© The Estate of Jean-Michel Basquiat. Licensed by Artestar, New York/Cortesia)

Basquiat ganhou o mundo, foi amigo de Andy Warhol, namorou Madonna, montou uma banda com Vincent Gallo, foi disputado por curadores e colecionadores, produziu intensamente obras que traduziam sua enorme inteligência junto ao vulcão emocional que habitava dentro dele. O artista teve diversos problemas com sua família e por um tempo viveu como sem teto no Brooklyn. Em uma entrevista ao crítico e curador Henry Geldzahler, ele diz que sua obra é 80% raiva.

“Basquiat é um dos maiores artistas de ascendência afro-caribenha e é exaltado em todo o mundo. Ele é, fundamentalmente, um artista de Nova York. Sua obra personifica o caráter da cidade nos anos 70 e 80, quando a mistura de empolgação e decadência da cidade criou um paraíso de criatividade. Sua obra reflete os ritmos, os sons e a vida da cidade. Ela sintetiza o discurso artístico, musical, literário e político da cidade durante este período tão fértil”, conta Pieter Tjabbes, curador da mostra.

Em 2010, a tela Sem Título (1982) foi vendida por mais de US$ 110 milhões num leilão, fazendo deste trabalho a mais cara obra de arte norte-americana já vendida.

Jean-Michel Basquiat @ Centro Cultural Banco do Brasil

CCBB São Paulo: 25.01 a 07.04

CCBB Brasília: 21.04 a 01.07

CCBB Belo Horizonte: 16.07 a 26.09

CCBB Rio de Janeiro: 12.10 a 08.01.19


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