22.11.2017 / Gente / por

Em passagem pelo Brasil, Pusha-T fala ao FFW sobre sua recém-lançada colaboração com a adidas, moda e hip-hop

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Por Guilherme Meneghetti

O rapper Pusha-T, que acaba de lançar sua quarta colaboração com a linha EQT da adidas, esteve no Brasil neste fim de semana para sua apresentação na primeira edição do Maze Fest. Horas antes do show, King Push recebeu o FFW no Hotel Fasano, em São Paulo, para um bate-papo sobre detalhes do lançamento de sua parceria com a gigante esportiva, além de compartilhar suas preferências na moda e na música.

Ele estava extremamente tranquilo, falando sempre devagar, calmo e simpático. Sua equipe com quatro pessoas o aguardavam no lobby do hotel e Pusha desceu sozinho, pontualmente, e sempre com o celular na mão.

Terrence LeVarr Thornton nasceu no Bronx, em Nova York, e cresceu em Virginia Beach. Junto com o irmão Gene Thronton, aka No Malice, formou a dupla Clipse em 1992 e, com ajuda de Pharrell Williams, lançou o primeiro álbum cinco anos depois. Chegaram a ter uma gravadora própria, deram vida ao grupo Re-Up Gang e, em 2009, decidiram seguir voo solo.

Logo no ano seguinte Pusha participou da faixa Runway, do álbum My Beautiful Dark Twisted, de Kanye West, o que projetou seu nome mundo afora, além de lhe garantir o contrato com a GOOD (Getting Out Our Dreams) Music, selo fundado por West. Não demorou muito para começar sua discografia solo (com o EP Fear of God II: Let Us Pray, em 2011) e em pouco tempo foi apontado como presidente da GOOD Music.

Seu último álbum, Darkest Before Dawn (2015), foi considerado um dos melhores do ano, mas, se depender dele, esse não será o único. Em seu show no festival Made In America deste ano, na Filadélfia, o rapper anunciou que seu novo disco, até então intitulado King Push, foi produzido inteiramente por Kanye West e será ainda melhor. “Eu refiz esse álbum uma três vezes”, disse durante o show. “O Kanye viu, pegou todos os beats e disse, ‘eu posso fazer melhor!’. Estamos deixando esse álbum perfeito para vocês!”.

Leia abaixo nossa entrevista exclusiva com Pusha.

Como começou a sua relação com moda?

Começou quando eu ainda era muito pequeno. Acho que parte disso vem de quando eu era criança e ficava observando especialmente os meus irmãos mais velhos. Como eu era o mais novo, eles sempre se vestiam muito bem, com umas roupas incríveis. Lembro-me dessa época, em que meus pais não achavam tão importante eu estar bem vestido como eles, porque, sabe, eu estava no primário e eles já estavam no ensino médio – os planos são diferentes quando você chega nessa idade. Ficava sempre de olho nas coisas que eles tinham e desejavam. E isso em conjunção com o hip-hop, vendo meus rappers favoritos.

Você acabou de lançar sua quarta parceria com a linha EQT da adidas, que será lançada em breve aqui no Brasil. Uma das inspirações tem a ver com a sua infância. Poderia nos contar os detalhes?

Essa colaboração se chama Bodega Babies King Push x EQT. A ideia foi criar paralelos entre lembranças da minha adolescência e a adidas, pensando em um certo tipo de “independência” que eu sentia quando ia para casa da minha avó em Nova York no verão. Quando eu ia pra lá, era outro tipo de liberdade. Eu ia às lojinhas do bairro e sempre via o pessoal em suas casas ou na rua.  Naquela época, a gente havia acabado de se mudar para Virginia e, lá, as coisas são muito longe umas das outras. Meus pais sempre pediam: “Fique em casa e não saia”.

Já em Nova York, minha avó falava: “Vá para onde você quiser!”. Ela sempre me pedia para eu comprar algumas coisas nas lojinhas da esquina – as bodegas – e era esse nível de diferença quando eu digo “independência”. Então, falei com o pessoal da adidas pensando nisso e eles foram abraçando minha ideia, me dando espaço, mentalizando todo o processo do design juntamente com esse storytelling engajando o consumidor, o que fez com que eu aprendesse bastante.

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Hoje, o rap/hip-hop conversa e ocupa a cena da moda de luxo mais do que nunca. A relação se inverteu: se um dia o luxo ignorou o hip-hop, hoje é um universo que inspira muito as passarelas. Aqui no Brasil também temos alguns exemplos deste movimento, como Emicida, Tássia Reis e Rincon Sapiência, que acreditam que no futuro as marcas brasileiras sairão do hip-hop. Como você vê essa relação hoje e qual é a principal mensagem dessa intersecção?

Quando a gente fala sobre alta moda e hip-hop e a conexão entre os dois, você tem que lembrar dos fundamentos do hip-hop, que é uma música que vem da força das ruas. Vem da pobreza, dos sonhadores, das pessoas que sonham em ter algo que não podem ter e que lutam por isso. Eu acho que isso pode ser considerado sinônimo da alta moda porque é um movimento que sempre aspirou mais. Às vezes as pessoas se sentem um pouco inseguras e tentam empoderar-se, ser cool, descolado, poderoso. É mais sobre a cultura de rua, sabe? E sabemos que tudo que é cool hoje começa nas ruas – provavelmente por isso essa conexão é tão forte.

Quem são seus designers favoritos? E por que os artistas de hip hop têm fascínio pelo Raf Simons?

Não sei! Eu realmente não sei porque o hip hop tem um fascínio por ele. Há alguns artistas que o apreciam certamente porque ele é um nome importante na moda. Mas os meus designers favoritos são Dries Van Noten e Jonathan Anderson.

Hoje você é presidente da GOOD Music. Como você vê a nova geração do rap e quem são os nomes promissores do momento?

A nova geração é muito inspiradora. Os garotos são super ambiciosos e correm atrás do que querem, cultivando sua própria base de fãs. É realmente impressionante. Alguns rappers que eu curto: Valee, de Chicago, se não me engano; A Boogie Wit da Hoodie, que acabou de lançar um álbum muito bom; e Don Q, que faz parte de um coletivo chamado Highbridge.

Na sua última turnê, Darkest Before Dawn, o artista Mark Riddick, conhecido na cena heavy metal, desenvolveu uma estampa para o merchandise. Por que o merch tornou-se tão grande entre os artistas e o que você tem pensado em fazer sobre isso em sua próxima turnê?

Eu tenho pensado em o que fazer para o merch da minha próxima tour. Mas posso dizer que isso tornou-se algo tão grande entre os artistas porque acredito que os fãs, que eu costumo chamá-los de família, querem muito se sentir parte do seu movimento. Eles acreditam em você, eles querem sua camiseta,  querem tudo do qual você faça parte, que você tenha desenvolvido, coisas que são sinônimos de você. Atualmente tudo isso faz parte da experiência.

Soubemos recentemente que o seu novo álbum foi produzido inteiramente por Kanye West e foi refeito três vezes. O que você pode nos adiantar em termos de inspirações, temas e referências?

Definitivamente será lançado no primeiro semestre do ano que vem – e por enquanto é só isso que posso adiantar.


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