17.05.2017 / Arte / por

Marseille je t'aime: Jacquemus declara seu amor por Marselha com exposição, desfile e livro de arte

Apresentação especial da coleção Verão 17 da Jacquemus, em Marselha ©Reprodução
Apresentação especial da coleção Verão 17 da Jacquemus, em Marselha ©Reprodução

Simon Porte Jacquemus tinha apenas 20 anos quando, em 2009, lançou a label que leva seu sobrenome. Desde o seu debut, o francês reverenciou sua terra natal Provença, especialmente a cidade litorânea Marselha, muitas vezes em suas coleções, com referências e alusões estéticas sutis ou bem diretamente como é o caso do Verão 17, Les Santons de Provence, e do Verão 15, Les Parasols de Marseille. Aos 27 e estabelecido como um estilista forte na cena francesa –  mais especificamente “a esperança da moda francesa” segundo Adrian Joffe e ao qual o Business of Fashion recentemente referiu-se como um nome “maior do que você imagina” -, Jacquemus declara seu amor eterno por Marselha, literalmente, com o projeto Marseille Je T’Aime baseado em duas exposições, um livro e um desfile na cidade.

Parte do festival OpenMyMed, organizado pela Maison Méditerranéenne des Métiers de la Mode (MMMM), a mostra Maisons e Archives, inaugurada em 12.05, ocupa o MAC e traz novos trabalhos de Simon inspirados pela cidade, pelo museu e pelo próprio universo estético da Jacquemus. Para Maisons, ele criou suas primeiras esculturas, brincando com a estrutura de formas circulares e quadradas, tão presentes em seu trabalho como estilista. “Foi algo difícil de fazer, pois eu não me sentia confortável ou confiante como me sinto com o que estou acostumado a fazer. Mas a verdade é que não sei se existe uma diferença entre criar uma imagem e uma peça de arte”, ele conta à Dazed.

Em Archives, ele convidou o fotógrafo David Luraschi para levar ao público uma experiência fotográfica em parceria com o artista de performance Willi Dorner – ambos com quem já trabalhou antes em campanhas da marca. A seção conta ainda com um vídeo inspirado pelas esculturas vivas da performance Bodies in Urban Space, de Dorner, e que mostra um grupo de pessoas amontadas umas sobre as outras (vestindo peças Jacquemus, claro) com os calanques de Marselha ao fundo.

 

Já no MuCEM – Musée des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée, localizado na capela do Forte Saint-Jean, o francês revela uma perspectiva íntima do seu próprio universo e inspirações na mostra Images: uma instalação com fotos e vídeos do seu arquivo pessoal dispostas em numa constelação telas ao longo de uma parede de 10 metros de altura. “Você vai encontrar vídeos que fiz com o celular, de flores, primos, momentos da vida… é como se o público entrasse no meu telefone”, explicou em coletiva de imprensa. “Sempre fui obcecado por fazer imagens, tenho uma coleção de 30.000 e faço em torno de 500 ou 600 fotos/vídeos por dia”.

Foi também no MuCEM, no terraço, que o estilista armou ainda no último domingo (14.05) uma apresentação especial da coleção Verão 17, com desfile a céu aberto durante o entardecer (veja a galeria). No casting, além de modelos, habitantes locais cruzaram a passarela. “Se eu pudesse ter escolhido, não teria desfilado a Les Santons de Provence em Paris. Essa é uma coleção que foi feita para ser mostrada em Marselha, na terra de Marcel Pagnol. É o primeiro desfile de moda que acontece na cidade, estou orgulhoso. É um sonho”.

Nas páginas do livro Marseille Je T'Aime ©Reprodução
Nas páginas do livro Marseille Je T’Aime ©Reprodução

Como nem todo mundo pode estar na cidade francesa que tanto o inspira, Simon decidiu arrematar o projeto com um livro que inclui retratos, fotografias de natureza morta, pinturas, colagens e imagens exclusivas realizadas por vinte artistas incluindo Pierre-Ange Carlotti, Matthew Cowan, Philippine Chaumont e Ruth van Beek. “Não é um livro sobre moda, é mais do que isso. É cheio de poesia, de Marselha e da interpretação que os artistas fazem da cidade”, conta ele, sobre o também nomeado Marseille Je T’Aime, lançado em edição limitada e disponível para venda no site da sua marca. “Queria algo mais acessível que me permitisse dividir Marselha para além das fronteiras […] Eu me apaixonei pela cidade quando era adolescente. Morava no interior, a 40 minutos de distância, e pegava três ônibus só para poder nadar lá. É um lugar muito especial para mim”.

Maisons e Archives estará em exibição no MAC de Marselha até 13 de janeiro de 2018; Images, segue em cartaz no MuCEM até 31 de julho de 2017.

Mais informações em: jacquemus.com/marseillejetaime


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