17.01.2018 / Arte / por

O trabalho fenomenal de Es Devlin, a designer de palco preferida de Beyoncé, Kanye West, U2...

Es Devlin em meio a sua instalação ROOM 2022 / Reprodução
Es Devlin em meio a sua instalação ROOM 2022 / Reprodução

Você pode nunca ter ouvido falar de Es Devlin, mas certamente já deve ter visto seu trabalho. Es (de Esmeralda) cria esculturas cinéticas e palcos para espetáculos de tamanhos e estilos distintos, de óperas e peças de teatro a desfiles (Balenciaga, Louis Vuitton) e grandes shows pop. Desde 1995, seu design hi-tech tem transformado palcos pelo mundo, de pequenos teatros ingleses a grandes apresentações como Grammy e Brits Awards. Ou shows de Kanye West, Beyoncé (Formation Tour), U2 (Innocence and Experience Tour), Lorde (no Coachella 2017), Adele, Pet Shop Boys, Lady Gaga, Jay Z…

palco da cantora Lorde no Coachella 2017
palco do show da cantora Lorde no Coachella 2017

Devlin usa luz e espelho como um meio constante para manipular o espaço e a percepção. “Tenho usado espelhos por quase 20 anos para desafiar a física e a dimensão, expandindo espaços muito pequenos para infinitos”, ela diz em uma entrevista ao site Ssense.

Seu primeiro trabalho com a música pop foi em 2003 a pedido da banda britânica Wire. Dois anos mais tarde, Kanye West viu as imagens de sua instalação, que teve colaboração com a dupla de artistas Jane & Dinos Chapman. Ele estava ensaiando para lançar a turnê mundial Touch the Sky e pediu que Devlin repensasse todo seu show em apenas 10 dias.

ROOM 2022 de Es Devlin / Reprodução
ROOM 2022 de Es Devlin / Reprodução

Mais recentemente, ela começou a mostrar sua própria arte comissionada pelo curador Hans Ulrich Obrist. O trabalho mais atual é o ROOM 2022, que fez para a Art Basel Miami Beach, uma instalação interativa mostrada em um espaço construído no hotel Edition. “Eu estava pensando no sistema que faz os hotéis funcionarem. É muito parecido com o teatro, na medida em que há um pouco de ilusão. Você se envolve na ilusão de que o quarto é seu. Quando você deixa o lixo ou não faz a sua cama, quase acredita que há uma mágica invisível que arruma tudo antes de retornar”, ela conta. Na instalação, há vários labirintos com réplicas dos corredores do hotel Edition e portas dos quartos. Todas, exceto uma, estão trancadas. A porta destrancada leva para outro mini hall com mais portas, que leva para uma terceira réplica da mesma experiência. Tudo envolto em muita cor, imagens de vídeo e poemas escritos e declamados por Devlin.

Entre seus outros trabalhos artísticos pessoais, estão o The Singing Tree, no museu V&A, e Poemportraits, na Serpentine Gallery, ambos exibidos no ano passado.

Es teve contato com a arte desde pequena. Adolescente, viajava do interior à Londres de trem para aulas de violino na Royal Academy. Começou a trabalhar fazendo cenografias experimentais para pequenos teatros de Londres e foi uma das primeiras pessoas a usar projeção de filme em peças. Em 20 anos de trabalho, já criou para grandes casas de espetáculos como La Scala e Royal Opera House, e foi ela também quem assinou a cerimônia de encerramento da Olimpíada de Londres. No Brasil, ela integrou o time que concebeu a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio e também assinou o projeto da passarela do desfile da Louis Vuitton no Rio. Por seu trabalho, foi agraciada com o OBE (Order of the British Empire).

cenário do desfile de inverno 16 da Louis Vuitton
cenário do desfile de inverno 16 da Louis Vuitton

Abaixo, veja mais algumas de suas incríveis cenografias.


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