10.10.2017 / Moda / por

Nome por trás dos grandes espetáculos da moda, Alexandre de Betak conta 25 anos de carreira em livro

Inverno 14 da Dior sob comando criativo de Raf Simons, que teve produção assinada por Alexandre de Betak / Reprodução
Inverno 14 da Dior sob comando criativo de Raf Simons, que teve produção assinada por Alexandre de Betak / Reprodução

Pense nos grandes espetáculos da moda, com cenário suntuosos, “instagramáveis”, que complementam toda a filosofia da coleção: o primeiro desfile da Miu Miu em Nova York, em 1994; a era da teatralidade da moda, sobretudo com os desfiles da Dior sob o comando criativo de Galliano; em Tóquio, o desfile Inverno 06 da Louis Vuitton sob olhar de Marc Jacobs, em que as modelos cruzavam a passarela numa cúpula transparente; o Verão 18 masculino de Raf Simons, que teve as ruas da Chinatown, em Nova York, como cenário; ou até os desfiles dos últimos oito anos das irmãs Kate e Laura Mulleavy, da Rodarte.

Por trás dessas grandes produções têm um nome: Alexandre de Betak (a gente falou dele aqui em 2014!). Há 25 anos o francês fundou a Bureau Betak (hoje com sede em Paris, Nova York e Shangai), empresa pela qual produz e dirige alguns dos desfiles mais memoráveis das últimas décadas, de marcas como Victoria’s Secret, Viktor & Rolf, Hussein Chalayn e Jacquemus, que, nesta última semana de Paris, apresentou abriu a semana de Paris no Museu Picasso.

Com a produção de mais de 1000 desfiles no currículo, Alexandre está lançando seu novo livro, Betak: Fashion Revolution (Phaidon), em que faz uma retrospectiva com imagens inéditas dos shows e dos bastidores de cada desfile. Dentre essas, há ainda trechos de diálogos que Betak teve com sua equipe, em que comentam as lembranças de cada produção, a fim de mostrar o processo criativo, da inspiração ao ponto de vista técnico e criativo dos cenários. O prefácio é assinado por Sally Singer, da Vogue US.

Reprodução
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“Ele é revolucionário porque, em termos de necessidade e criatividade, faz ideias acontecer – é uma combinação dos dois”, disse Laura Mulleavy. Foi Betak, aliás, quem sugeriu às irmãs que substituíssem Nova York por Paris, onde apresentaram o Verão 18 durante a semana Couture, tendo o jardim de um convento do século 16 como plano de fundo – encontrado e sugerido por Betak, claro.

Ao BoF, o francês disse que comumente o atribuem a alcunha de “revolucionário” dos desfiles por torná-los mais curtos, “televisivos” e espetaculares. “Antes, a equipe interna de cada marca era responsável pelos desfiles – o designer juntamente à equipe de PR. Quando eu fundei a Bureau Betak, a ambiência dos desfiles tornou-se ainda mais importante, porque, como eu tinha um olhar externo, pude criar um ponto de vista mais crítico e pessoal”.

Para ele, o Instagram é a mídia mais forte do mundo da moda e, quando a ferramenta Stories surgiu, ele readaptou suas criações pensando nela, a fim de proporcionar os cenários mais “instagramáveis” possível, incitando o público naturalmente a gravar quaisquer 15 segundos do show.

Alexandre de Betak
Alexandre de Betak

Quando perguntado sobre as mudanças da moda, Betak logo questiona o próprio conceito do desfile de moda. “A maioria das pessoas que frequenta um desfile importante é enviada por veículos de comunicação tradicionais, e eles viajam o mundo todo para estar lá, à custa de suas publicações, para ‘agradecer’ seus anunciantes – e isso é uma grande despesa!”, conta. “Essas marcas estão anunciando em publicações de mídia impressa que cada vez menos pessoas leem, mas ainda assim sentem que devem fazer uma grande produção para ‘agradecê-los’”, completa.

Betak: Fashion Revolution está disponível no e-commerce da Phaidon e Amazon, que entrega no Brasil.


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