23.05.2018 / Moda / por

"O sonho é conseguir ser o que o Met é para moda em termos de museu", diz diretora do Masp

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Por alguma razão, a conexão do Masp com a moda se perdeu na história e hoje poucos sabem que o museu tem um acervo rico com peças de artistas como Alfredo Volpi, Francisco Brennand, Nelson Leirner , Salvador Dali e Willys de Castro. Essas obras pertencem à coleção Masp Rhodia e foram doadas pela empresa francesa em 1972.

Na época, a Rhodia promovia seus fios sintéticos no Brasil por meio de desfiles, editoriais e coleções de moda, capitaneados pelo visionário Lívio Rangan (1933-1984), gerente de publicidade da empresa. As roupas eram criadas a partir da colaboração entre artistas e estilistas na década de 1960 e uma série de 79 peças, foi selecionada por Pietro Maria Bardi (1900-1999), então diretor-fundador do museu.

Em 2015, o museu abriu esse acervo ao público com a exposição Arte na Moda: Coleção Masp Rhodia. “É um acervo fundamental para enxergar o potencial criativo da colaboração entre arte, moda, design e indústria, e que permanece único e insuperável no Brasil. Que sirva de inspiração para criatividade e novas discussões no momento atual na moda”, diz o material de apoio da mostra.

Antes ainda, em 1951, um desfile de Christian Dior aconteceu no museu, apenas quatro anos após o lançamento de seu icônico New Look.

Os novos tempos no Masp indicam que agora parece ser a hora da retomada. De olho nas conquistas no que diz respeito a acervo, exposição e relevância do Costume Institute, braço do Metropolitan Museum, em Nova York, o Masp volta a dialogar com essa área. E foi pensando nisso que Juliana Sá, diretora de relações institucionais do museu, se uniu à Amalia Spinardi, uma das patronas do Masp.

Amalia Spinardi e Juliana Sá / Cortesia
Amalia Spinardi e Juliana Sá / Cortesia

Juntas, elas organizaram o jantar MASP MODA, somente para convidados, com a missão de dar início à renovação de seus programas, incluir novos nomes da moda nacional e criar novos projetos. “Temos um acervo único, que foi exposto poucas vezes. Chegou a hora de abrirmos isso para os mais diversos públicos e cada vez mais, aproximar a moda da arte”, diz Juliana. “Esse jantar é a oportunidade que encontramos para engajar o mundo fashion a olhar para o MASP, reconhecer o seu acervo e nos apoiar nesse projeto de aproximar cada vez mais a moda do museu”, finaliza Amalia. Entre as peças expostas, estava um vestido em jersey de seda azul de Salvador Dalí, peça que não era mostrada ao público há 30 anos.

Leia abaixo nossa conversa com Juliana Sá:

Qual foi a faísca que detonou essa retomada? 

A moda sempre fez parte do museu. Quando esse grupo entrou há dois anos pra reestruturar a crise pela qual o museu passava, com Adriano Pedrosa assumindo a curadoria, a moda já estava presente na história e passou a fazer parte presente do nosso projeto curatorial. A curadoria escolheu duplas de estilistas e artistas pra que elas criem novos looks porque o museu quer ter um novo acervo contemporâneo. Mas como damos seguimento a isso? É custoso e trabalhoso. Então entrou a Amalia Spinardi, que colocou a gente mais próximos deste mundo. A ideia do jantar era ter a comunidade da moda mais próxima.

Onde querem chegar? Qual é o objetivo final?

Temos acervo grande de moda. Guardadas as devidas proporções, queremos que o Masp seja referência como o Costume Institute, do Metropolitan. Mas primeiro temos que iniciar e então vamos ver quais são as nossas potencialidades. O sonho mesmo é conseguir ser o que o Met é pra moda em termos de museu.

Quais os próximos passos pra dar andamento ao projeto?

Teve esse primeiro momento do jantar, para criar um engajamento dos representantes da moda, um engajamento afetivo. E isso a gente conquistou. Agora precisamos de apoio financeiro. Vamos criar um grupo de Patronos ligados a moda que nos ajude financeiramente. E queremos conseguir voltar a dar um gás no projeto de formação das duplas de grandes artistas e estilistas, que por enquanto está parado. Esse é um projeto longo, de quatro ou cinco anos

Com quantas peças se constrói uma coleção de museu?

Hoje em dia o conceito de coleção é muito polêmica. A Masp Rhodia tem 80 peca e é considerada uma coleção. Gostaríamos de ter pelo menos mais 80 peças.

O Masp vai adquirir peças de moda contemporânea que já existem?

O museu, nesses projetos hoje, não vai adquirir nenhuma peça. Ele escolhe as duplas, como por exemplo, Leda Catunda e Marcelo Sommer, e a partir dessas colaborações criam novas peças pra integrar o acervo. Nao é adquirir, é criar a partir de um novo contexto.

Os projetos de moda terão a mesma importância do que os de arte?

O museu não tem hierarquia entre núcleos. Essa peças terão o mesmo valor em qualquer tipo de área. Não importa tempo, mídia, território. E todo ano pretendemos fazer um evento ligado à moda.

 


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