21.09.2017 / Moda / por

Os destaques por trás do desfile do Verão 18 da Prada

Agência Fotosite
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Miuccia Prada falou sobre mulheres, feminismo e empoderamento sem precisar escrever isso numa camiseta. Ela convidou oito artistas mulheres (leia abaixo) para colaborar com o desfile que, nesta temporada foi inspirado nos quadrinhos, especialmente em personagens fortes e heroínas. “Quando a sociedade descreve uma mulher que parece forte, ela é chamada de masculina. Por que isso? Ela não é masculina. Ela é uma mulher forte”, diz ao The Guardian. “Através dos quadrinhos, de uma maneira leve, você pode sugerir coisas muito fortes”. A mulher desta estação, segundo la, é “combativa”. “Mas do que uma rebelião, este desfile é sobre a mulher ser forte”, disse a Reuters. “Há ainda tanto contra a gente, então precisamos de muita inteligência, habilidade e força”.

Cenografia

Cortesia Prada
Cortesia Prada

Em junho, o espaço do desfile masculino da Prada mostrou painéis gráficos sobrepostos (“uma história dentro de uma história dentro de uma história”). O desfile feminino usa o mesmo espaço, só que imerso em mulheres representadas por outras mulheres. Para os novos elementos gráficos, a Prada trabalhou com oito artistas de países e idades diferentes e com obras do arquivo de Tarpé Mills, que criou o primeiro herói de ação feminina. Como sempre, a cenografia é assinada pelo escritório de arquitetura AMO.

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Miuccia Prada nunca escolheu modelos com base em seu número de seguidores no Instagram. Ao contrário, ela sempre lança novos rostos e não foi diferente nesta temporada: Loane Normand, Maaike Straver, Ninouk Akkerman, Roos van Elk, Signe Veiteberg e Victoria Carrillo pisaram na passarela pela primeira vez hoje.

Quem abre o desfile é Kris Grikaite, presença de destaque nos últimos shows da marca. Em sua página do Instagram, ela se chama “Prada girl”. Vale mencionar ainda outras escolhas de Ashley Brokaw, responsável pelo casting: a charmosa e super cool dançarina Oumie Jammeh e a ucraniana Pasha Harulia, linda com cara de criança. Uma exceção é Kaia Gerber que, com quase dois milhões seguidores no Instagram é mais famosa por ser filha de Cindy Crawford do que pelo seu trabalho como modelo – mas isso deve mudar em breve, já que Kaia é O rosto do momento nas passarelas.

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As oito ilustradoras que trabalharam para a Prada nesta estação têm idades diferentes e vêm de diversas partes do mundo – infelizmente nenhuma do Brasil : ( . São elas; Brigid Elva (Reido Unid0), Joëlle Jones (EUA), Stellar Leuna (Austrália), Giuliana Maldini (Itália), Natsume Ono (Japão), Emma Ríos (Espanha), Fiona Staples (Canadá) e Trina Robbins (EUA).

Trina é uma grande referência dentro desse universo. Escreve e desenha quadrinhos desde 1966 e foi quem produziu um livro com quadrinho só de mulheres pela primeira vez, o It Ain’t me, Babe. Em 1986, ela foi a primeira mulher a desenhar um livro da Mulher Maravilha e desde 2013 faz parte do Will Eisner Comic Book Hall of Fame.

Miss Fury / Reprodução
Miss Fury / Reprodução

Miuccia também usou arquivo da artista Tarpé Mills, que morreu em 1988 aos 76 anos. Ela iniciou sua carreira como ilustradora de moda e criou vários personagens de quadrinhos, como a Miss Fury, a mais conhecida de suas criações e a primeira personagem feminina de ação em quadrinhos criada por uma mulher.

Business

Os desfiles da Prada são sempre um sucesso, mas este especialmente acontece em meio a uma crise econômica na marca, com números que mostram uma queda de 18% no lucro líquido da empresa. No camarim, ela foi questionada por jornalistas se achava que esta coleção ajudaria nos negócios, ao que ela respondeu: “eu não quero ser julgada pelas vendas. Meu trabalho é muito maior que isso”.


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