03.05.2018 / Moda / por

Os vencedores, o júri e mais sobre o Festival de Hyères 2018

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Esta semana foram anunciados os três finalistas da 33ª edição do Festival de Hyères ou International Festival of Fashion, Photography and Accessories, fundado em 1986 por Jean-Pierre Blanc. O evento funciona como uma plataforma para promover o talento criativo nos campos da moda e da fotografia.

O festival acontece na Villa Noailles, um casa modernista construída em 1924 para os colecionadores Charles e Marie Laure de Noailles, e foi residência de grandes artistas como Man Ray, Giacometti, Dali e Jean Cocteau. Hoje é um centro de artes para moda, design, arquitetura e fotografia.

10 marcas e 10 fotógrafos entram na competição, mostrando seus trabalhos e coleções em exposições ou desfiles para um painel de profissionais que contam, nesta edição, com nomes como o estilista Haider Ackermann (presidente do júri de moda), e a atriz Tilda Swinton. “Conte sua história e não se preocupe em cometer erros. Erros podem ser interessantes”, disse Ackermann aos finalistas.

Os três principais vencedores trazem em seus trabalhos questões relacionadas a inclusão, gênero e preocupações globais e humanas, como a situação dos refugiados.

Patrocinadores

Chanel, LVMH, Chloé, Swarovski e Galeries Lafayette.

Juri 2018

Presidente: Haider Ackermann

Farid Chenoune, Jefferson Hack, Farida Khelfa, Defina Delettrez, Lou Doillon, Ben Gorham, Tilda Swinton, Vanessa Schindler.

Botter, Vencedor do Grande Prêmio

Botter / Reprodução
Botter / Reprodução

A dupla da Antuérpia, Ruchemy Botter e Lisi Herrebrugh, também concorre ao Prêmio Louis Vuitton deste ano. “A coleção é uma representação das nossas personalidades”, diz Lisi à i-D. “Quando algo nos deixa acordados à noite, queremos falar sobre esse assunto”. “Quis ser a voz daqueles que não podem falar”, completa Botter. No momento, o assunto se relaciona aos problemas que os imigrantes enfrentam, como preconceito e descriminação, além da preocupação com os oceanos que estão se enchendo de plástico e afetando a vida nativa nas ilhas do Caribe. “Queremos inspirar mudança positiva, encorajar as pessoas a abrirem seus olhos. Isso é quem somos e como fomos criados. temos que trabalhar duro se quisermos um futuro melhor.

“Suas peças tinham um ar de bricolagem, de cabeça para baixo, de dentro para fora, que trouxe Galliano à mente, mas foi um eco bastante glorioso porque foi entregue com ingenuidade: redes de pesca, sacolas plásticas e outros detritos à beira-mar combinados a elementos clássicos de moda masculina, como o xadrez Príncipe de Gales”, escreveu Tim Blanks no BoF.

Ester Manas, Prêmio Galeries Lafayette

Ester Manas / Reprodução
Ester Manas / Reprodução

“Quero que todas as mulheres se sintam poderosas, livres e orgulhosas, independente do seu corpo. Por isso, minha coleção vai dos tamanhos 34 ao 50”, diz Ester sobre sua coleção Big Again, uma rejeição ao limite de tamanhos na moda. Ela irá produzir uma coleção cápsula que será vendido na Lafayette. O trabalho é resultado de uma conversa que teve com 12 garotas para entender como elas sentem as roupas, como elas se protegem ou se empoderam através delas.

Eva O’Leary, Prêmio de Fotografia

Eva O'Leary / Reprodução
Eva O’Leary / Reprodução

A fotógrafa irlandesa baseada em Nova York mostrou a série de retratos Spitting Images. Meninas com idades entre 11 e 14 anos foram fotografadas de frente para um espelho, refletindo na foto um momento de silêncio em que se encontram com elas mesmas, seja desconforto ou orgulho. “Muitas das minhas fotos usam espelhos. Porém, muito do trabalho que eu tenho feito tem sido fotografar pessoas da era do Instagram, tentando descobrir como fotografar beleza hoje”.

Kate Fichard, Flora Fixy e Julia Dessirier, Grande Prêmio Swarovski para Acessóriosfichard_fixy_dessirier

“Somos inspirados pelo aspecto social deste projeto, uma forma de combinar os universos da moda, tecnologia e medicina”, contou o trio. A coleção, H (earring), é uma colaboração entre a fotógrafa Julia Dessirier, que tem problemas de audição, e as duas designers que buscam mudar a estética dos aparelhos auditivos. Por que um aparelho auditivo não pode ser um acessório de moda desejável? “Em vez de esconde-los, queremos dar ainda mais ênfase, aumentar, exagerar para que eles se tornem notáveis, dignos de nota”. As designers vêm do mercado de design de produtos e estão acostumadas a combinar estética com funcionalidade, mas na moda hoje estamos começando a ver um movimento que se abre para além da elite e usa a moda para dizer algo muito além da roupa e do estilo”, finalizam.


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