13.11.2017 / Moda / por

Veja os highlights das marcas que desfilaram na Casa de Criadores Inverno 18

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A Casa de Criadores se posiciona cada vez mais como um celeiro criativo que abriga novos talentos ou marcas que têm um posicionamento político que é tão importante quanto suas roupas. Assim, na temporada de Inverno 18, recém desfilada, muitos temas atuais foram comuns aos desfiles, que abordaram a cegueira coletiva, orientação sexual e religiosa, preconceito, gênero e inclusão. Os anos 80 apareceram como principal estética, fazendo oposição aos anos 90, que ainda mostra sua força. Veja abaixo os highlights de cada marca. As coleções completas podem ser vistas no site oficial. Todas as fotos são de Marcelo Soubhia, da Agência Fotosite.

Another Placeapla_cci18_0027

Os tempos atuais de retrocesso inspiraram a Another Place na coleção Open You Heart,  que instiga seu público a ser quem é e agir sempre pelo lado positivo. Pela primeira vez a marca mostra uma estampa, militar multicolorido, que faz essa analogia à luta – a luta pode ser bonita e sem armas. As peças trazem o preto misturado a tons vibrantes, como o laranja e o pink, em peças esportivas e urbanas.

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Bom exercício com alfaiataria, mais fluída, e em uma cartela de cores minimalista, com brancos, cinza, preto, um azul bebê pontual. Vale destacar também o exercício do estilista na construção das peças.

Brechó Replaybrep_cci18_0030

O coletivo Brechó Replay foi quem fechou esta edição da Casa de Criadores com seu trabalho que vai além da roupa. A apresentação foi dividida em três atos e passou por questões que são caras à marca, como racismo, preconceito e machismo. Na trilha, som de Linn da Quebrada criava a atmosfera perfeita para a moda inclusiva e com modelagens diversas, algumas provocadoras, e cores vibrantes.

Cartel 011 por Christian Resende Casa de Criadores - Inverno / 2018 Novembro / 2017 foto: Marcelo Soubhia / Fotosite

A marca CZO, da loja Cartel 011, fez sua estreia na Casa de Criadores com um convidado de honra. Ney Matogrosso se apresentou ao final do desfile, emocionando o público. A ideia de ter Ney na passarela – além de ser uma referência do diretor criativo Cristian Resende –  é por que ele dá voz a liberdade, transformação e atitude, alguns dos pilares que são importantes para a marca. Essa atitude mais livre e fun vivida nos anos 80 nortearam o processo criativo da coleção.

Diego Favarodfav_cci18_0020

Favero continua com seu streetwear, nesta temporada com inspiração militar. Um dos destaques fica por conta de frases, slogans e palavras – tendência atual – que aparecem em camisetas, bolsos, alças, bonés e cintos, como Love, This Air is for Your and Me e o próprio nome da marca. Apesar da influência militar, a coleção tem um espírito esportivo e jovem.

Felipe Fanaiaffan_cci18_0056

Com o styling do amigo e também estilista da Casa Rober Dognani, Fanaia se inspirou em uma tribo de surfistas havaianos da década de 90 que precisou abandonar as águas e se adaptar às cidades.  Com muito neoprene e nylon, os shapes e recortes das roupas dos surfistas ficam claros em peças que fazem referência ao long john, por exemplo. As cores vibrantes misturadas e uma vibe utilitária mostram bem uma conversão entre mar e asfalto.

Fernando CozendeyFernando Cozendey

O estilista deu início a um projeto de trilogia que começou com a coleção PERFEITA. Cozendey mostrou 28 looks pretos – que para ele representa o luto e a cegueira coletiva – inspirado em uma mudança de comportamento da década de 1920. Uma série de bodies, collants e segunda pele que evidenciam o corpo feminino, seja ele como for. A inspiração veio das Flappers, geração de mulheres dos anos 20 que se comportavam à frente do seu tempo, tratando o sexo de maneira casual.

Fico por Der Metropolfico_cci18_0067

Muito legal a coleção que Mario Francisco desenvolveu para a FICO, uma das principais marcas brasileiras de surfwear. Sua depuro estético para o streetwear e sua veia pop resultaram em uma coleção usável, desejável e com a vibe otimista dos anos 80 – o desfile foi inspirado no legado da marca, fundada em 1983. O styling acertado de Marcio Banfi adicionou ainda mais força.

Hangar 33 por Rafael Varandas

Rafael Varandas, da Cotton Project, é também o diretor criativo da Hangar 33. Para esta coleção, intitulada Not Today, ele se inspira no conceito Nose Art – pintura feita pelos militares nos aviões de guerra, junto com uma reflexão sobre como o comportamento individual e coletivo dos soldados influenciaram a vestimenta da aviação daquele período. Tudo isso com um olhar contemporâneo e uma coleção rica, com muitas opções de peças para o dia a dia, como bombers, camisetas, tricôs, calças e jaquetas.

Heloisa FariaHeloisa Faria

Com styling da super dupla Flavia Pommianosky e Davi Ramos, Heloisa fala sobre viagens e deslocamentos. Uma coleção feminina, poética e lúdica – as estampas foram desenhadas por sua filha.  Destaque para os tricôs.

Igor Dadonaidad_cci18_0017

Igor Dadona se inspira na caça às bruxas, trazendo o tema para o momento atual e a perseguição sexual, religiosa, racial e de gênero. Através do contraste entre preto e branco (que estão juntos em vários looks), ele simboliza a união entre as coisas boas e ruins do mundo. Já a natureza e a liberdade aparecem nos tons terrosos.

Isaac SilvaIsaac Silva

O estilista trabalhou na coleção “Seja um raio de sol”, inspirado pela filosofia africana Bantu. Ele criou roupas que misturam África e Brasil em looks super estampados e em shapes variados. A ideia é fazer uma roupa com pensamento e ideologia e que possa vestir mulheres dos mais variados perfis – o que ficou bem representado na passarela.

Karin Feller para Di GaspiKarin Feller para DI GASPI

A Di Gaspi é uma rede de lojas  fundada em 1989 e especializada em calçados, moda feminina, masculina e infantil. Sob o comando da talentosa Karin Feller, a marca faz seu terceiro desfile na casa. A inspiração foram as diferenças visuais entre os continentes (limões, redes de pesca, nuances de sombras, reflexos do mar e listras que representam o sol nos dois horizontes). Desde as cores do nascer e pôr do sol até o reflexo da luz nos oceanos. Uma coleção leve, fresca e de bom gosto onde também não faltou espaço para Karin mostrar sua expertise com estamparia.

Lui Iarocheskiliar_cci18_0042

Depois de apresentar sua nova coleção no Vienna Fashion Week e fazer uma residência de um mês no MuseumsQuartier, Iarocheski desfilou a coleção Une Robe D’Été, que tem por trás uma filosofia simples: recriar conceitos e processos dentro de uma perspectiva artística que não comprometa as preferências de estilo, redefinindo o vestuário para os tempos atuais. Há também um paralelo inspiracional com o curtametragem Um Robe D’Été de François Ozon, que toca em temas como sexualidade, performance de gênero e homoerotismo. Uma alfaiataria esportiva e casual que tem seu melhor momento logo no primeiro look, com cores e recortes que trazem uma nova proposta ao vestuário masculino.

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O estilista Tom Martins estreou na Casa de Criadores com uma coleção inspirada na cantora Clara Nunes. Sua marca trabalha sob o conceito genderless e com o propósito de vestir todos os corpos com peças de tamanho único e modelagens amplas. A fluidez das peças também dão a ela uma vibe despojada e de elegância simples e atemporal. As roupas do estilista estão na vitrine da multimarcas Pair, no Jardins.

Neriageneri_cci18_0041

A coleção Iris 002 é uma continuação da coleção de estreia da marca de slow fashion Neriage, que nasce inspirada na obra magna do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, O mundo como vontade e representação. Looks femininos, que marcam a cintura através de vários (e lindos) tipos de amarrações, em uma cartela enxuta e suave e que tem nos azuis seu melhor momento.  Plissados, bordados artesanais, tecidos naturais, sobreposições e cordas compõem essa ótima coleção da estilista Rafaella Caniello.

OcksaOcksa

O desfile da Också aconteceu em meio a despedida da estilista Deise Witz da marca que fundou com Igor Bastos. A coleção foi produzida com técnicas de moulage, como a draping, que consiste na subtração e reaproveitamento de matéria prima. Há uma maior riqueza de materiais usados, como algodão, viscose, sarja, moletom, nylon impermeável e linho usados em peças com volumes pontuais e assimetria. Uma boa coleção e que reafirma o estilo minimalista e contemporâneo da marca.

Rafel CaetanoRafael Caetano

O estilista Rafael Caetano continua seu trabalho abordando a cultura queer. nesta coleção, ele se inspirou no time de futebol gay Unicorns (equipe de São Paulo formada por pessoas LGBTs) para criar uma coleção que mistura biquínis com jaquetas, tule e veludo, preto e pink.

Renata BuzzoRenata Buzzo

A estilista apresentou a coleção She Broke, que dá continuidade à narrativa apresentada na edição anterior e fala sobre a ideia de valor distorcido que as mulheres têm delas mesmas. Com styling de Marcio Banfi e beleza de Vanessa Rozan, a coleção foi trabalhada com matérias primas que são consideradas inferiores, como a estopa e o retalho, para retratar a temática. A marca de Renata tem como foco vestidos de festa veganos e consegue com sucesso criar roupas bonitas olhando para outros tipos de materiais e sem fugir de sua ideologia.

Rober DognaniRober Dognani

Rober Dognani celebra 15 anos de participação na Casa de Criadores. Sua paixão por moda fica visível em seus desfiles. Nesta estação, ele olha para o glamour dos anos  80, com seus volumes, paetês, babados e formas assimétricas, tendo como foco o trabalho do estilista francês Christian Lacroix. O domínio dos volumes e da construção é o que determina o sucesso da coleção. Com styling da dupla Flavia Pommianosky e Davi Ramos, o desfile é uma homenagem à criação de moda em uma época em que exagero, exuberância e diversão dominavam as passarelas.

Weider Silveriowsil_cci18_0018

Um dos desfiles mais comentados da temporada da Casa, o estilista Weider Silverio reuniu um grupo de amigos para mostrar sua coleção que fala mais de pessoas do que de roupas. “a existência de cada um é divina e maravilhosa e sou tocado e influenciado por todos eles!”, escreveu em seu perfil no Facebook. “Vivemos tempos difíceis e nos unir nesse momento é fundamental”. A coleção ganhou o ótimo nome de Rolê e é sobre tudo e todos que o fizeram se sentir em casa, morando no centro de São Paulo. Camisetas e vestidos ganham nomes como Praça Roosevelt, Edifício Copan e Avenida Ipiranga. Na passarela, a chef Janaína Rueda e ícones da cultura de noite da cidade, como Marcelona e Johnny Luxo.


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