23.11.2017 / Verde / por

RiverBlue: novo documentário mostra impacto causado pela indústria do jeans

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Acaba de estrear em São Paulo o documentário RiverBlue, que mostra o impacto da indústria do jeans em rios mundo afora.

A primeira ideia do diretor David McIlvride era fazer um filme sobre rios do mundo, mas à medida que a pesquisa se aprofundava, ele percebia que outro assunto crescia em importância e que, eventualmente, viraria o tema do filme.

RiverBlue acompanha o “protetor das águas” e um dos principais conservacionistas do mundo, Mark Angelo, viajando e examinando rios na India, China, Reino Unido, Indonésia, Bangladesh, Zâmbia e Estados Unidos e mostrando como eles têm sofrido com os danos provocados pela indústria do vestuário. Obviamente, rios poluídos e tóxicos fazem mal não apenas para o meio ambiente, mas para as milhões de pessoas que vivem em seu entorno.

Xiantang, na China, é considerada uma das capitais de denim no globo. Lá é também parte da morada do gigante Pearl River Delta, que o Greenpeace classificou como o rio mais poluído do mundo. Em Xiantang, aproximadamente 300 milhões de calças jeans são produzidas por ano, o equivalente a 40% do jeans vendido nos EUA anualmente.

A região do Pearl River Delta é fundamental para a economia da China. Para se ter ideia, em 2001 quase 5% dos bens mundiais foram produzidos na área, incluindo roupas, eletrônicos, brinquedos e produtos de plástico. Há milhares de fábricas chinesas e de outros países instaladas no Delta, que já ganhou o apelido de “o chão de fábrica do mundo”. E essa é apenas uma das viagens que a equipe do filme faz.

Muitas fábricas escondem os tubos debaixo dos rios e só descarregam sua sujeira sem ninguém saber de onde vem. E uma vez na água, os tóxicos não desaparecem ou desintegram, simplesmente continuam viajando no oceano. Segundo o documentário, apenas uma grande marca (que eles omitiram o nome) usa 28 trilhões de galões de água por ano.

RiverBlue – Official Trailer from RiverBlue on Vimeo.

Mas além de apenas mostrar a catástrofe, o documentário também mostra soluções e iniciativas de pessoas que tem trabalhado para melhorar a situação, introduzindo maneiras de produção mais sustentáveis na produção e lavagem de um jeans. Lukus Eichmann, por exemplo, é fundador de uma lavanderia sustentável de jeans, a Eco-PRK, na Califórnia. Antes ele desenvolvia os jeans da Opening Ceremony até que criou o método Wiser Wash que reduz a pegada ambiental.

A designer Orsola de Castro, uma das fundadoras do Fashion Revolution Day, também participa, entre outros especialistas que saíram da indústria tradicional de moda para criar novas técnicas e iniciativas mais sustentáveis.

Está claro que ninguém quer vestir uma roupa feita por alguém em situação análoga à escravidão. O mesmo acontece com os rios. Você usaria uma roupa que “matou” um rio?

RiverBlue fez sua estreia global nesta semana e está em cartaz na Unibes Cultural, em São Paulo, em parceria com o Fashion Revolution. Em breve estará disponível no iTunes.


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