Casa Gucci: Lady Gaga salva o filme sobre a fatídica história da poderosa família da moda

Em trama confusa, a Casa Gucci consegue entreter com um impressionante caso verídico e uma das estrelas mais potentes da atualidade

lady gaga em cena de "casa gucci"
lady gaga em cena de "casa gucci"

Por Luiz Henrique Costa

Luxo, poder e assassinato poderiam ser definidos como a Santíssima Trindade de Casa Gucci em uma das cenas que já se tornou clássica: a da promessa mal intencionada de Patrizia. 

Um dos filmes mais aguardados do ano finalmente acaba de chegar aos cinemas, depois uma campanha intensa que envolvia fotos de cada fase das filmagens circulando pelas redes,  uma Lady Gaga exuberante e de cabelos escuros, volumosos, carregada de todo tipo de jóias dando vida a socialite italiana Patrizia Reggiani, então casada com Maurízio Gucci (Adam Driver), um dos herdeiros de uma das marcas de luxo mais rentáveis do mundo. 

Filmado entre os meses de fevereiro e maio, um tempo relativamente curto para uma grande produção e após o diretor encerrar a pós-produção do seu longa anterior, ‘The Last Duel’, Casa Gucci vinha sendo cogitado desde 2006 para ser levado às telonas – à época com Angelina Jolie e Leonardo DiCaprio no elenco principal. Finalmente o projeto ganhou vida pelas mãos do diretor de Redley Scott. 

Antes de tudo é preciso dizer que Ridley é um diretor dado a filmes mais longos que a média, o mais recente deles, ‘O Ultimo duelo’ passa das 2h30, ‘Perdido em Marte’ tinha 2h24m, ‘Gladiador’ 2h35. São ótimos filmes, mas é preciso alertar que em ‘Casa Gucci’ estamos falando de um filme com quase 2h40 de duração e isso pode desagradar aos mais impacientes. 

Outra característica do diretor é que ele coleciona no currículo sucessos de público e crítica quase em mesma proporção que verdadeiras bombas como o ‘Robin Hood’, com Russel Crowe, e ‘Êxodo: Deuses e Reis’ um dos maiores equívocos da história do cinema. Temos aqui um diretor que é uma verdadeira caixinha de surpresas. 

A boa notícia é que Casa Gucci, uma espécie de adaptação do ótimo livro de Sara Gay Forden, se não é de longe um grande filme, também não chega a ser um desastre. 

A história decide focar acertadamente no período entre a década de 1970 até o assassinato de Maurízio, em 1995, em Milão. Entretanto nem sempre os períodos aparecem contextualizados no roteiro e quem conhece um pouco da história garante certa vantagem. 

No filme, Aldo e Rodolfo Gucci, filhos do fundador da marca, Guccio Gucci, surgem já idosos e com a marca em franca expansão pelo mundo. Cada um deles é responsável por uma parcela importante no crescimento do negócio fundado pelo pai, Guccio Gucci em 1921. Nada é mencionado sobre Vasco, um dos irmãos e herdeiros da família, uma possível decisão de enxugar um pouco os núcleos de personagens. 

O roteiro acerta em apresentar a Gucci como uma verdadeira mina de ouro no mercado da moda, mesmo sendo considerada uma marca conservadora em muitos aspectos em um período em que da Itália brotavam designers jovens e inovadores como Gianni Versace e Giorgio Armani. 

Esse poder e fortuna da família atraem os olhares de uma jovem ambiciosa, Patrizia, que vê através do tímido Maurízio, a oportunidade que almejava. E é aí que o filme realmente impressiona e por um motivo grandioso: Lady Gaga. 

Maurizio Gucci, Patrizia Reggiani e Algo Gucci em cena de Casa Gucci.
Maurizio Gucci, Patrizia Reggiani e Aldo Gucci em cena de Casa Gucci.

Gaga enche a tela em cada cena, em cada ângulo, em cada gesto. Ela é exagerada, caótica, passional, perversa, vingativa e faz de sua Patrizia Regianni uma personagem  imprevisível, sempre a um passo dos seus próprios limites e crescendo nas articulações com o clã Gucci e no pode ser revertido em poder e dinheiro para si. Grandes chances apontam para uma indicação ao Oscar para Gaga no próximo ano. 

Al Pacino e Jeremy Irons também estão grandiosos, porém prejudicados por um arco mais confuso e com desenvolvimento irregular de cada um deles. 

E se a caracterização de Jared Leto como Paolo Gucci o torna irreconhecível, a sua atuação excessivamente caricata e o sotaque macarrônico fogem em absoluto do tom na trama em cenas de alívio cômico que beiram a uma comédia pastelão de baixo orçamento. 

Merecem destaque especial os trabalhos de direção de arte – cada objeto em cena é meticulosamente posicionado – e a fotografia que enche os olhos desde as tomadas de uma Itália solar no verão às frias montanhas de ski na Suíça.  Atenção especial aos contrapontos já nas ultimas tomadas, entre o trabalho de luz nas cenas de Maurizio e sombra nas cenas de Patrizia na banheira.  

Embora a figurinista Janty Yates não tenha recebido interferências diretas de Alessando Michele e da atual equipe de estilo da Gucci, teve acesso a todo o acervo da marca à sua disposição e mergulhou em um trabalho profundo de pesquisa e garimpo em brechós. O resultado é over e luxuoso. 

Para quem gosta de moda e é fã de Lady Gaga – ou ambos – Casa Gucci é um filme que se torna referência obrigatória e vai no mínimo render ótimas conversas e fantasias inspiradíssimas em festas temáticas nos próximos anos. 


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