Em Spencer, a moda ajuda a contar a história emocional da Princesa Diana

Kristen Stewart como princesa diana em cena de Spencer. foto: divulgação
Kristen Stewart como princesa diana em cena de Spencer. foto: divulgação

Por Luiz Henrique Costa

Previsto para estrear nos cinemas em novembro no Brasil, Spencer finalmente chegou as telas do país no último mês. 

Poucas instituições exercem tanto fascínio junto ao público quanto a pujante Família Real Britânica e seus integrantes, costumes, tradições e intrigas. Diversos exemplos de ótimas produções surgem de tempos em tempos com base nesse material como em ‘The Crown’ – a melhor série feita até hoje sobre o tema – e o excelente drama ‘A Rainha’ do diretor Stephen Frears com Helen Miren em 2006, um retrato íntimo sobre o poder máximo da Monarquia lidando com a recente morte da princesa do povo e toda a pressão popular por parte dos súditos exigindo algum nível de humanidade, e não de protocolo, nas suas atitudes. 

Na mesma proporção e na contramão desses títulos surgem também verdadeiros equívocos como o ‘Diana’ com Naomi Watts, de 2013 e o até hoje incompreensível vencedor do Oscar de melhor filme em 2011 ‘O Discurso do Rei’, de Tom Hooper. 

Agora é a vez de Spencer, o aguardado filme dirigido pelo chileno Pablo Larrain e estrelado por Kristen Stewart interpretando Diana, a princesa de Gales.  Spencer do título é o sobrenome de solteira da tradicional família de Diana. 

O filme de Larrain e o excelente roteiro de Steven Knight especulam de uma forma muito íntima como teriam sido as festas de Natal de Diana dentro da Queen’s Sandringham e na companhia da família real no ano de 1991, já, portanto, às vésperas do anúncio de separação e divórcio com o príncipe Charles, cujo rumores do caso com a Duquesa da Cornualha borbulhavam cada vez mais nos tabloides do mundo todo. 

É claro que para Diana aqueles dias serão um pesadelo. 

kristen stewart como diana. foto: divulgação
kristen stewart como diana. foto: divulgação

As tradições enfadonhas que Diana despreza pesam o tempo todo no ar e voltam violentamente contra si. O seu desejo por não estar presente ali é latente. O fantasma de Ana Bolena, a rainha decapitada, em um paralelo muito assertivo do roteiro, parece observá-la. 

Diana está em colapso. 

Um ótimo desempenho de Kristen que absorve com delicadeza e em gestos sutis, silenciosos, a infelicidade de uma vida tumultuada, excessivamente pública, de uma mulher atormentada por flashes a cada passo em púbico e pela frieza e tradição na sua intimidade. Um desafio enorme para uma atriz absorver uma figura ainda tão vívida no imaginário coletivo como foi e é Diana porque as comparações são inevitáveis. 

Impossível não fazer um paralelo com o trabalho anterior de Larrain, ‘Jackie’, de 2016, em que Natalie Portman dá vida à primeira-dama dos Estados Unidos nos momentos que envolvem o assassinato e o pós-trauma da viúva do presidente americano, John F. Kennedy.

O diretor se fascina e parece compreender bem os agouros em torno de figuras politicamente centrais no poder, no auge da exposição, da força e da vulnerabilidade. 

A Moda

Quem assina o figurino é a vencedora do Oscar, Jacqueline Durran, que apostou numa série de peças em parceria com a Chanel, marca que tem Stewart como uma das embaixadoras desde 2013. Ironicamente, fala-se que Diana possuía aversão a logomarca da Chanel, por lembrá-la recorrentemente da inicial de Camilla Paker. 

Se é lenda ou não, jamais saberemos. captura-de-tela-2022-01-31-as-19-00-11

Uma pequena demonstração da opulência do figurino já havia sido demonstrada através de um dos primeiros cartazes oficiais do filme em que Diana aparece de costas, às lagrimas, com detalhes de um fascinante vestido bordado.  

Existem também referências da figurinista em peças originais dos designers David e Elizabeth Emanuel, os responsáveis pelo vestido de noiva ornamental da princesa, e que recentemente travaram na justiça os direitos pelo leilão dos croquis desenhados para ela.  

O trabalho de caracterização de Stewart merece destaque e é sem dúvida um dos trunfos do longa que acentua com precisão cirúrgica a atuação da atriz. A peruca utilizada no filme foi avaliada em US$ 6.000,00 dólares e precisou ser tonalizada inúmeras vezes  como revelou Wakana Yoshihara, a cabeleireira e maquiadora que assina o visual. 

Os excessos estão em todos os detalhes da direção de arte, nos objetos, locações e na cenografia que naturalmente envolve a realeza britânica e os ambientes que os circulam. 

Apesar do luxo, estima-se que ‘Spencer’ custou aproximadamente US$ 18 milhões – um bom orçamento para um filme independente, é verdade – mas ainda assim contado de maneira simples, sensível, sem jamais desrespeitar ou se perder do lado humano de uma das figuras mais famosas da história. 

Uma grande campanha que pode levar Kristen ao seu primeiro Oscar em breve. 


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