Mães Paralelas: as impressões sobre o novo – ótimo – filme de Almodóvar

Ana (Milena Smith) e Janis (Penélope Cruz) em cena de Mães Paralelas, da Netflix.
Ana (Milena Smith) e Janis (Penélope Cruz) em cena de Mães Paralelas, da Netflix.

Por Luiz Henrique Costa

Em Mães Paralelas, novo trabalho de Pedro Almodóvar, – esnobado nas indicações do Oscar nas categorias de melhor filme, melhor filme estrangeiro e direção – conhecemos Janis (Penélope Cruz) e Ana (Milena Smith), duas mulheres solteiras que dividem o mesmo quarto na maternidade onde em breve irão dar a luz e onde criam uma espécie de vínculo afetivo forte imediato.

Embora ambas tenham engravidado acidentalmente, Janis, a mais velha, parece pronta, madura e sem arrependimentos para receber o bebê em sua vida. Ana, ainda muito jovem, sente-se arrependida e está assustada.

Esse encontro entre as duas, como em qualquer trabalho com assinatura de Almodóvar, não parece ter acontecido ao acaso. 

Figuras femininas estão frequentemente no epicentro dos enredos do cineasta espanhol portanto é redundante dizer aqui, até mesmo pelo título do filme, que acompanharemos a história sob esse foco, as motivações e o desenrolar dessa relação que nasce de modo tão inesperado. 

Destaque para o elenco de apoio fortíssimo, visceral, em trabalhos como de Aitana Sánchez Gijón (Teresa) e Julieta Serrano (Brígida) entre outros. madres-paralelas

Ana (Milena Smith) e JANIS (PENÉLOPE CRUZ) em cena de mães paralelas

Mães Paralelas avança e descobrimos que esse também é um filme sobre um passado em comum na Espanha, o do fantasma da Guerra Civil, que Pedro costura de maneira tocante ao roteiro em suas idas e vindas.

A bagagem do filme até aqui carrega indicações a prêmios importantes como o Prêmio Goya de Melhor Filme, Leão de Ouro para melhor filme e melhor diretor, o prêmio especial do júri de Veneza, entre outros. 

A indicação de melhor atriz para Penélope pode ter soado como uma surpresa, dada a campanha de certa forma tímida em Hollywood e onde se esperava por nomes em filmes de grande orçamento como Lady Gaga por Casa Gucci ou Zendaya por Duna, mas é merecidíssima – ainda lamentamos muito a não indicação de Ruth Negga por Identidade, outro trabalho de grande destaque do último ano, mas esse é um assunto para outro texto.  

Em Mães Paralelas, as características, diálogos, o tom do mistério, as viradas no roteiro, as emoções fortes, trilha e cores marcantes de Almodóvar seguem presentes. O diretor tem o poder mágico em contar complexas e diversas histórias usando uma mesma tela, sem jamais parecer repeti-las. 

Mais um belo trabalho de Almodóvar e vale destaque para a trilha arrebatadora de Alberto Iglesias, seguindo os caminhos que envolvem o presente, passado e futuro a partir das Madres Paralelas.  

Uma excelente notícia para os fãs do cineasta, é que em Fevereiro entram no catálogo da Netflix, além do novato Madres Paralelas, outras 11 jóias imperdíveis de Almodóvar, como A Lei do Desejo e Mulheres a Beira de Ataque de Nervos, entre outros. 

Excelente programação para mais um carnaval sem bloquinhos.

Onde ver: nos cinemas e Netflix


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