Trilogia de terror “Rua do Medo” é homenagem aos clássicos do gênero

Produção da Netflix quer matar um pouco a saudade do estilo eternizado por Wes Craven e outros mestres

sadie-sink-as-constance-berman-aka-ziggy-fear-street-1978-poster

Por Luiz Henrique Costa

Recentemente fãs de um subgênero de terror conhecido como slasher movies, foram pegos de surpresa com o anúncio de mais uma sequência do filme Pânico, um clássico de 1996 dirigido pelo cineasta Wes Craven, o aclamado diretor morto em 2015. 

O estrondoso sucesso da franquia Pânico naquela década se deu graças à ousadia de Wes, que reinventou um estilo de filme que andava adormecido nos anos 90, inserindo elementos de metalinguagem e expondo certo deboche aos recursos mais previsíveis e característicos do estilo. 

drew barrymore em Pânico I
drew barrymore em Pânico I

Pânico 5 tem estreia confirmada para 2022 e a dupla de diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett tem o árduo desafio de agradar um público saudosista e muito exigente que gosta de montar o quebra-cabeça sangrento juntando peças minúsculas e intrigantes. A boa notícia é que parte do elenco original está confirmado, como Neve Campbell e Courtney Cox. Um trabalho que promete. 

Apreciar a obra de Wes Craven e demais filmes do gênero são importantes para garantir que você se envolva e se divirta com a trilogia Rua do Medo, lançada na Netflix, e compreender as referências usadas em abundância pela diretora Leigh Janiak. Os desafios de Leigh em adaptar a série de livros juvenis do escritor Robert Lawrence Stine foi imenso e o primeiro deles certamente foi o de condensar em três filmes algumas dezenas de títulos e dar a eles um ar mais adulto e obscuro. 

Na trilogia, as histórias que se entrelaçam são divididas em três partes: 1994, 1978 e 1666 e acompanham um grupo de jovens procurando desvendar as ondas misteriosas de assassinatos que assombram uma pequena cidade, Shadyside, aparentemente amaldiçoada através dos séculos pelo espírito de uma bruxa, Sarah Fier, condenada a forca em 1666. Vizinha de Shadyside existe Sunnyvale, uma cidade que, apesar da proximidade geográfica, é pacífica, segura e organizada. 

Os jovens de ambas as cidades vivem em estado de animosidade e em constantes conflitos aparentemente porque tudo o que há de ruim surge do lado de Shadyside. Esse é um dos mistérios da trilogia que vai sendo revelado gradualmente ao espectador e carrega de forma sutil uma crítica social que envolve oportunidades e preconceito. 

cena de Rua do Medo, 1978
cena de Rua do Medo, 1978

A pesquisa e reprodução de época vistas em cada um dos filme/ano são precisas. 

Em 1994, temos computadores e os primórdios dos chats de bate-papo, as roupas mais amplas e coloridas ainda impregnadas dos vestígios dos anos 1980, camisetas de banda de rock, jeans, moletons e a trilha embalada por muito grunge e metal. Você pode sentir em alguns momentos que está assistindo a um episódio que se parece com uma mistura improvável de Riverdale com Stranger Things, muito em função do clima noturno, ar nostálgico e ao mesmo tempo super teen utilizados na fotografia. 

A parte II, ambientada em 1978, se inicia com um clima mais solar de acampamento de férias à beira de um lado e cabanas de madeira que logo dá lugar a uma noite interminável de assassinatos e ‘punições’ típicas ao estilo ‘quem deve ou não sobreviver ao massacre’. Temos ali a mocinha correta que em conflito com a irmã corajosa e baderneira, a melhor amiga ressentida pelo distanciamento, os namorados que dão todos os sinais de que são uma cilada. 

As pontas finalmente se amarram na terceira parte, em 1666, com as origens e surgimento da suposta bruxa e do vilarejo amaldiçoado. Esse de fato foi um período da história assombrado por superstições e crendices, onde se acreditava realmente na existência de mulheres que compactuavam com o maligno e portanto todos os males de uma sociedade arcaica eram associados a elas. 

O elenco é diverso, composto essencialmente por um time de rostos novos, pouco ou nada conhecidos mas muito carismáticos. 

Atenção especial para o casal de protagonistas lésbicas vividas por Kiana Madeira e Olívia Scott Welsh, fugindo do óbvio padrão visto inúmeras vezes em trabalhos desse universo, Sadie Sink – a ruivinha destemida de Stranger Things – Julia Rehwald e o excelente Benjamin Flores Jr, o caçula nerd da turma, dono dos melhores diálogos e deduções de um detetive nato. 

De simples compreensão, Rua do Medo é um entretenimento delicioso para saudosistas de filmes como Pânico e A Hora do Pesadelo com uma roupagem mais moderna. Ideal para uma sexta-feira à noite fria e sem grandes pretensões. 


Relacionados


Veja Também

Assine a newsletter do FFW

Seja o primeiro a ter acesso a conteúdos exclusivos. Nós chegaremos ao seu email semanalmente quando tivermos algo realmente cool e relevante para dividir.

×