28.05.2019 / Cultura / por

Alice Mann: beleza e denúncia no trabalho da fotógrafa que venceu o Festival de Hyères

Imagem da série Drummies, de Alice Mann / Reprodução
Imagem da série Drummies, de Alice Mann / Reprodução

Nascida na Cidade do Cabo, África do Sul, Alice Mann é a fotógrafa que venceu o principal prêmio da categoria no Festival de Hyères, o Grande Prêmio do Júri no início deste mês (pelo qual recebeu 20 mil euros da Chanel, patrocinadora do evento).

Baseada em Londres, Mann faz ensaios de retratos que fazem parte de uma pesquisa que muitas vezes revela uma condição ou uma sensação muito além de uma foto bonita. A série que venceu Hyères foi Drummies, que explora as meninas que tocam em bandinhas em pequenas cidades da África do Sul. Muitas vezes vindas de algumas das comunidades mais marginalizadas do país, elas e seus times e os times servem como formas de orgulho, aspiração e empoderamento para as meninas. E Mann transmite isso com honestidade e vida, como se conseguíssemos sentir a ansiedade no preparo para as apresentações e a alegria do momento da dança.

Khanyi's Dance, de Alice Mann / Reprodução
Khanyi’s Dance, de Alice Mann / Reprodução

Outra série que vale destacar é Khanyi’s Dance, com imagens que focam em um momento especial na vida de Khanyisa Mtulu: os preparativos do baile do último ano do ensino médio, que é visto como um marco na vida dos estudantes. Eles costumam gastar muito tempo e dinheiro no evento, planejando meticulosamente suas roupas e, especialmente para as meninas, o processo de preparação de cabelo e maquiagem é também um processo de amadurecimento que leva à revelação final de sua “aparência” na grande noite.

Khanyi é de Phillipi, uma das regiões mais perigosas da Cidade do Cabo, com altas taxas de homicídio, violência de gangues e tráfico de drogas. Alice conta que alcançar o último ano da escola, simbolizado pelo baile, é uma grande conquista. “Enquanto a noite lhes dá a chance de sentirem-se glamourosas e socializarem com seus amigos e professores, isso também significa o sucesso deles em alcançar o último ano de escola, e de ter superado todas as probabilidades contra”, diz. “Este projeto faz parte do meu trabalho em andamento, explorando noções de beleza, aparências físicas, empoderamento e feminilidade. Apesar das muitas dificuldades que ela e seus colegas de classe enfrentam, minha intenção aqui é comunicar seu orgulho e autoconfiança como um indivíduo capacitado e digno”.

Em Domestic Bliss ela faz uma crítica a desigualdade e a política racial na Cidade do Cabo. A série mostra mulheres que trabalham como empregadas domésticas, fotografadas nas casas de seus empregadores. “Desde o fim do apartheid tem havido muito pouca reparação socioeconômica na África do Sul, a riqueza e o privilégio ainda são mantidos por uma pequena minoria branca, excluindo a maioria dos sul-africanos negros”, explica em seu site.

Aos 29 anos, Alice é uma fotógrafa em ascensão. Seu trabalho tem sido visto em publicações diversas, desde tradicionais como The Guardian e a New Yorker Magazine às independentes como It’s Nice That e i-D.

Além do prêmio de Hyères, ela recebeu no ano passado o Subsídio de Artista Emergente da Fundação Pollock-Krasner, criada pela pintora Lee Krasner, também esposa de Jackson Pollock. Também em 2018, foi finalista do Prêmio Internacional de Fotografia Feminina.

Khanyi's Dance
Khanyi’s Dance
Na série Maximum Effect, Theophile Munganga veste Vivienne Westwood
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Prince Jamal de Yohji Yamamoto para a série Maximum Effect
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Drummies
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Khanyi's Dance
Khanyi’s Dance
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Domestic Bliss
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