05.02.2018 / Cultura / por

California Dreaming: o universo feminino e voyeurístico da artista Caroline Walker

Tinseltown, 2017 por Caroline Walker / Reprodução
Tinseltown, 2017 por Caroline Walker / Reprodução

Nascida na Escócia, a artista Caroline Walker explora o interior doméstico e a psique coletiva em torno do feminino através de suas pinturas de lugares dominados pela presença feminina. Suas pinturas trazem uma inquietude psicológica com narrativas sem script e que depende unicamente da visão do observador para serem completadas.

É muito fácil se seduzir por elas. As telas reproduzem locações como as casas modernistas de Los Angeles que só vemos em filmes em uma bela combinação de cores.

Seus quadros, que são feitos com tinta a óleo, exploram o aspecto cinemático e a sensação de voyeurismo ao espiar as personagens em suas vidas cotidianas. “Com certeza há uma sensação forte de voyeurismo no meu trabalho. Estou interessada em desafiar a posição de observador, particularmente em relação aos meus personagens femininos”, diz a artista. “E as pinturas são realmente grandes, então há a sensação de que você poderia quase entrar na cena. Eu não quero que minhas pinturas pareçam fotos de algo que está acontecendo em algum outro lugar. Eu quero que você se sinta envolvido ou implicado no que está acontecendo.”

carolinewalker_stillCaroline em seu estúdio, em Islington, Londres / Reprodução

A artista trabalha com uma paleta limitada de cores, mas traz combinações incomuns e gosta de mudar a composição delas em cada pintura. “A cor e iluminação são de grande importância pra mim, e a forma como as reúno nas pinturas”, diz. “Nos filmes, a cinematografia pode realmente mudar a forma como  percebemos uma cena e gosto de brincar com as tintas de modo equivalente a essas ferramentas de manipulação e composição ou exagerar na cor para criar um atmosfera em particular.”

Sunset, 2017 Sunset, 2017

Sem explicações ou tentando criar uma história finalizada, Walker conta que não tem como objetivo empoderar e nem tratar a mulher como objeto, mas apenas observar com certo distanciamento antropológico o ambiente em volta dela. Seu processo de criação se inicia ao imaginar como poderia ser o cotidiano de determinada personagem: “Meu processo usualmente começa comigo achando uma locação, daí contratando modelos e achando roupas e adereços que se encaixem no personagem em particular que tenho na cabeça, e então, trabalhando com as modelos no set por um dia, fotografando-as em cenários diferentes. Tiro milhares de fotos e fico trabalhando com elas no estúdio para fazer as pinturas, começando com muitos desenhos e rascunhos a óleo para possíveis composições antes de ir ao trabalho em larga escala”.

A artista está com a exposição solo Sunset na galeria Anat Ebgi, em Los Angeles, até dia 10.03.

Confira mais obras da artista na galeria abaixo:


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