23.03.2017 / Cultura / por

Com a estreia de T2 Trainspotting, relembramos a moda do filme que definiu uma geração

©Reprodução
O elenco de Trainspotting - Sem Limites, de 1996

Por Luisa Graça

Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family…

Trainspotting – Sem Limites abre com um jovem Ewan McGregor narrando um monólogo em off (que foi eternizado e parodiado em quadros de parede e páginas do Tumblr), enquanto corre pela Princes Street, em Edimburgo, vestindo calça skinny, jaqueta bomber e camiseta, ao som de Lust For Life, do Iggy Pop.

É o início de um filme que, segundo críticos, “é um símbolo da Cool Britannia”, “indispensável para apresentar a música e cultura club do Reino Unido às massas” e “definiu uma geração” ao documentar jovens inquietos transitando por cenários encardidos e encharcados de drogas, com muito humor negro e trilha sonora esperta regada a Lou Reed, Pulp, Primal Scream e, obviamente, Underworld (que viu sua Born Slippy virar hit mundial com o sucesso do filme).

Ewan McGregor em Trainspotting: Sem Limites ©Reprodução
Ewan McGregor em Trainspotting – Sem Limites ©Reprodução

Um filme independente sobre um grupo de viciados em heroína, realizado com 2 milhões de libras por um iniciante Danny Boyle, não soa como o mais provável propulsor sartorial. Mas teve, sim, seu papel. Lançado em 1996, no auge do heroin chic, Trainspotting – Sem Limites, adaptado do livro de Irvine Welshcontribuiu um tanto para a estética desleixada laissez-faire que tomou conta da moda nos anos 1990 e que ganha versão repaginada hoje. Lembra daquela cena do início? O tal look de Mark Renton, personagem de McGregor? É basicamente o guarda-roupa de uma penca de garotos em pleno 2017. Uma das poucas personagens femininas do filme, Diane, interpretada por Kelly McDonald, é a imagem exata de uma gama de garotas 90s, com seu corte de cabelo à la Justine Frischmann e slip dresses. Há quem diga ainda que o filme introduziu ao mundo a calça skinny masculina.

“Com o filme, a nossa figurinista Rachael Fleming basicamente inventou o jeans skinny para homens”, declarou o ator Ewen Bremner, que interpreta Spud, à revista Time Out. “Calças assim não existiam antes. Ela pegava um jeans feminino e dava uns pontos ou, então, um jeans masculino e cortava e costurava de novo. Esse movimento todo é atribuído a ela”.

Ok, talvez a figurinista não tenha sido a responsável pela introdução do skinny jeans masculino ao mundo, afinal eles já existiam nos anos 1950, mas com toda certeza Fleming teve seu quinhão na popularização dessa moda. Que, obviamente, ganhou total força com os designs de Hedi Slimane na Dior Homme no início dos anos 2000.

Figurino 2.0

O figurino foi tão importante para a estética do longa que algumas peças voltam ao guarda-roupa dos anti-heróis Mark Renton, Spud Boyle, Sick Boy e Frank Begbie duas décadas depois na sequência T2 Trainspotting, que estreia hoje nos cinemas. “É sobre a diferença entre juventude e maturidade. O primeiro filme é a irresponsabilidade da juventude – você não está nem aí para nada e, menos ainda, você não pensa, você faz. T2 inverte isso: é o tempo que nem liga para você. Ponto final”, explica o diretor Danny Boyle, que reuniu grande parte do time original para a continuação – inclusive Fleming.

Camisas de nylon estampadas e ternos com calças um pouco curtas – hoje revisadas na linha setentista brechó de luxo que a Gucci apresenta, foram a base do figurino de Spud e têm vez em T2. Assim como são claras as referências ao figurino do primeiro filme na vestimenta de figurantes e na paleta de cores dos personagens principais. “Os figurinos do primeiro filme eram extraordinários”, comenta Boyle. “Você olha para trás e eles não parecem ultrapassados. Isso requer um olho muito especial e uma apreciação pelo personagem. E, no fim das contas, é sempre sobre o personagem. Todos pensam que o filme é muito estiloso, mas se você não confia nos atores, todo o efeito não dura muito”.

Johnny Lee Miller e Ewan McGregor em T2 ©Cortesia Sony Pictures
Jonny Lee Miller e Ewan McGregor em T2 ©Cortesia Sony Pictures

Em tempo (porque não dá pra não falar em música…)

Em T2 não faltam também alusões à música do primeiro filme. Com um tema inédito composto por Rick Smith, do Underworld, banda que deu o ritmo da edição do filme original com as batidas de Dubnobasswithmyheadman, a trilha tem ainda um papel importante e se aproveita de bandas que embalaram o primeiro longa, como Blondie e Iggy Pop, mas agrega também o som de novos nomes como The Rubberbandits, Young Fathers e Wolf Alice. “T2 é muito consciente do primeiro filme – não somente em relação aos personagens e à narrativa, mas esse impacto, em particular, é uma porção de estilo ou de cultura”, arremata.


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