25.08.2016 / Cultura / por

Conheça cinco fotógrafos que são destaque na 10ª edição da SP-Arte/Foto

Obra "Cartografia Afetiva", de Flávia Junqueira, composta por 22 fotografias de carrosséis da cidade de Paris
Obra "Cartografia Afetiva", de Flávia Junqueira, composta por 22 fotografias de carrosséis da cidade de Paris

Nesta quinta começa a 10ª edição da SP-Arte/Foto, no terceiro piso do shopping JK Iguatemi. Um dos principais eventos dedicados ao trabalho fotográfico no Brasil, a feira acontece de quinta à domingo, reunindo fotógrafos e artistas audiovisuais brasileiros e estrangeiros, consagrados e talentos mais jovens, mostrando um panorama contemporâneo e aproximando artistas de curadores e colecionadores. Vale também checar a programação de mesas redondas, que terá participações como Jeff Rosenheim, autor de mais de 20 livros sobre fotógrafos como Diane Arbus e Robert Frank, e Brett Rogers, diretora da The Photographers’ Gallery, de Londres.

Abaixo, cinco artistas, cada um deles representado por uma galeria diferente, que estão entre os destaques da geração atual – e multidisciplinar – de fotógrafos.

Flávia Junqueira

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“Balões” (2011)

Flávia tem uma carreira sólida e bem ativa para os seus 31 anos. Mestre em Poéticas Visuais pela USP e Bacharel em Artes Plásticas pela Faap, ela já participou de residências na Ucrânia (chamada pelo super artista ucraniano Boris Mikailov) e em Paris, participou de diversas exposições coletivas em espaços como o Palais de Tokyo, em Paris, Tomie Ohtake, Mis, MAM, museus que têm obras dela em seus acervos.

Em seu trabalho, duas temáticas são bem presentes: o universo lúdico e o acúmulo de objetos (ideia que surgiu como parte de seu processo criativo e virou uma de suas marcas registradas), muitas vezes ambos na mesma imagem. A apropriação de brinquedos vem da ideia de que as crianças tem “permissão” para misturar vida e fantasia de uma maneira mais livre.

Ela também se autorretrata em algumas obras, como em “na Companhia de Objetos”, que faz uma relação entre uma ausência afetiva e o acúmulo de coisas. “O uso do auto retrato possibilitou que eu pudesse de algum modo estar junto com aqueles objetos e me “tornar” parte deles em algum momento, o que de fato não acontecia, pois eu era o único elemento estranho por ali”, disse à revista TPM.

Flávia Junqueira é representada pela Galeria Zipper.

Nino Caissp arte nino cais 2

Diversidade é uma palavra que pode certamente ser usada para traduzir a obra de Nino Cais. A começar pelos materiais e processos usados, como fotos, desenhos, colagens e intervenções diversas, resultando em trabalhos que trazem novos sentidos a objetos ou imagens que já existiam.

Nino busca por livros, revistas, cartões e catálogos, muitas vezes antigas, com fotografias tradicionais, sejam de paisagens ou nus. Ele então seleciona e recorta as imagens da página e se apropria da imagem, dando a ela outro sentido, outra história e poesia através de colagens de tecidos, joias ou processos de intervenção, como raspagem.

Ele tem Bacharelado em Artes pela Faculdade Santa Marcelina e já expôs em espaços culturais como Paço das Artes, Sesc, Galeria Virgílio, MAM, 30a Bienal Internacional de São Paulo, Tomie Ohtake e a Friedman Gallery, em Nova York.

Nino é representado pela Casa Triângulo.

Marcelo Moscheta

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“A Line in the Artic” (2012)

Fascinado pela natureza e instigado pelas experiências que vive em viagens a lugares remotos e ambientes hostis, Marcelo questiona as fronteiras de território através de sua arte. Recentemente, seu interesse está na pesquisa de fronteiras e limites impostos de territórios. Os trabalhos da série “A Line in the Arctic” foram realizados durante uma de suas residências no Alto Ártico, na ilha Spitsbergen, norte da Noruega. “Uma linha feita de fita adesiva é esticada no chão na tentativa de seguir o paralelo e o meridiano exato para o norte, o sul, o leste e o oeste. Mas o sinal do GPS de última geração que eu carregava é um tanto traiçoeiro em tão altas latitudes, o que ocasiona uma dúvida sobre a veracidade da ação, apesar da marcação do aparelho ser entendida como extremamente precisa”, ele explica em seu site. Mocheta foca na noção de efemeridade e dos esforços da humanidade em compreender e recriar aspectos geográficos encontrados nos ambientes naturais.

Morador de Campinas, ele já expôs seus trabalhos na galeria Leme, na Bienal do Mercosul, Paço Imperial no Rio, entre outros, e tem obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca, Deutsche Bank New York e MAM.

Marcelo é representado pela Galeria Vermelho.

Pablo Lobato

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“Rest (Israeli soldiers) series” (2015)

O interesse deste artista mineiro pelo audiovisual começou com o cinema e hoje sua prática artística concentra-se em uma zona entre fotografia e filme. Desde 2001, ele exibe filmes em festivais de cinema como os de Brasília, Rio e Sundance, mas também vem ganhando cada vez mais espaço na fotografia contemporânea com imagens fortes, como a que ilustra essa matéria. Ele fotografou 21 soldados israelenses em que vemos suas mãos em repouso nas costas durante uma cerimônia de formatura das Forças de Defesa de Israel. Essa é uma cena aparentemente comum, mas nunca observada por este ângulo .

Ele também é um dos criadores da Teia – Centro de Pesquisa Audiovisual, fundado em 2002 em Belo Horizonte. Fez parte do Panorama da Arte Brasileira e o Programa Rumos Artes Visuais, participou de mostras nos Estados Unidos, França, Noruega, China, Chile e Argentina e tem presença marcante nas edições no Festival Internacional de Arte Contemporânea -Videobrasil.

Pablo é representado pela galeria Luciana Brito.

Ding Musa

"Sem Título" (2009)
“Sem Título” (2009)

Com pai artista, Ding sempre foi incentivado a gostar e conhecer arte. Começou a fotografar com 14 anos como uma maneira mais rápida de desenhar. “Fotografava muito em viagens, isso me servia de anotação, como se fosse um caderno de artista”. Hoje, ele também faz instalações e vídeos, mas a foto ainda é o principal meio, o que impulsiona tudo.

Teve a oportunidade de aprender com pessoas importantes do meio, como Edu Brandão, fundador da Galeria Vermelho, e o curador Tadeu Chiarelli, hoje diretor da Pinacoteca. Gosta de artistas que transitam entre linguagens e mídias, como Olafur Eliasson e Bruce Nauman. No Brasil, gosta de citar como influência ou pura admiração Cildo Meireles, Regina Silveira, Leandro Lima, Zerbini e Marcelo Moscheta.

Como fotógrafo, participou de diversas exposições no Brasil e em outros países. Expôs na Raquel Arnaud, Galeria Vermelho, Centro Cultural São Paulo, MAM, MAC, Museu Afro Brasil e também participou da 54a Bienal de Veneza.

Ding Musa é representado pela Raquel Arnaud.

SP-Arte/Foto

De 25 a 28 de agosto

Local: Shopping JK Iguatemi, 3º piso (Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041)
Entrada gratuita


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