09.12.2015 / Cultura / por

Direto da FFWMAG: Conheça Maxime Ballesteros, o fotógrafo que fala de sexo e destruição

Foto de Maxime Ballesteros feita em Berlim, 2012
Foto de Maxime Ballesteros feita em Berlim, 2012

Olhar para as imagens de Maxime Ballesteros é como evocar uma série de referências familiares misturadas a um estranhamento que faz do seu trabalho algo novo e instigante. É como se tivesse encontrado (e recortado) as modelos de Helmut Newton sob a luz de Wolfgang Tillmans numa festa de Terry Richardson. Há quem associe ainda o trabalho do artista a Corinne Day, Larry Clark e Ryan McGinley. Nesse liquidificador parece haver uma pitada de olhares clássicos e contemporâneos e um je ne sais quoi que pulsa, inquestionavelmente, a energia do sexo. O resultado pode ser ao mesmo tempo erótico, instigante e perturbador.

Ballesteros é francês. Nascido em Lyon, mudou-se na juventude para a pequena cidade próxima St.-Étienne para estudar comunicação e design gráfico na faculdade de belas artes. Desde os tempos de colégio, já gostava de fotografia e passava horas do dia trancado na câmera escura, interpretando os amigos, as festas e o dia a dia sem cores. “Durante muito tempo eu só trabalhei com fotos em branco e preto. Aí, comecei a usar flash e as coisas ficaram bem mais interessantes, porque pude fotografar imagens noturnas. Troquei minha lente 50 mm por 35 mm para conseguir me aproximar das pessoas e cenas. Quando me mudei para Berlim, em 2007, comprei uma nova câmera e filmes coloridos, o que, novamente, mudou tudo. Era quase como um novo meio, e eu passei a pensar e ver tudo de maneira diferente”, contou o fotógrafo numa entrevista publicada no site da revista Dazed & Confused. Na capital alemã, as festas, as pessoas e os flashes do underground da cidade passaram a ser registrados sob outra óptica. A dele. Sua interpretação fotográfica do dia a dia que o cerca – principal inspiração de Ballesteros – ganhou eco em diversas publicações de arte e de moda. Versátil e sem preconceito, ele fotografou de street style e bastidores de desfiles na Semana de Moda de Berlim a ensaios de retratos para as revistas i-D e Purple, passando por imagens mais conceituais em que o foco são carros, não gente, na alemã Intersection.

Meias de seda, escarpins, látex, corsets e lingeries. Os elementos clássicos do fetiche estão muito presentes no trabalho do fotógrafo, mas passam longe da imagem erótica simplista. “Provocativo e sexual não seriam as palavras que eu usaria para me referir ao meu trabalho. A não ser que a foto seja encenada – e neste caso, isso estará claramente visível – minha abordagem é muito parecida com a do documentário. E meu trabalho é provocador e sexual na mesma medida que o mundo é, do meu ponto de vista. Talvez a questão sexual seja a que chame mais a atenção porque é secretamente a que nos conduz?”, questionou, em entrevista à revista inglesa Sang Bleu, em cuja galeria, em Londres, fez exposição em outubro do ano passado.

De fato, as imagens de Ballesteros escancaram o sexo para abordar questões que vão além do tema e passam por solidão, beleza, inadequação, hedonismo, liberdade e ironia. Com o flash frontal quase agressivo, os recortes de realidade (repare, as fotos quase sempre são fragmentos de uma cena, não ela inteira) parecem ao mesmo tempo crus e surreais ou oníricos. Não à toa, muitas das fotos já ganharam mostras individuais e coletivas em galerias em Nova York, Berlim, Los Angeles, Bruxelas e Milão. Um dos trabalhos mais marcantes do fotógrafo é a série Entre Chien et Loup. O título é uma expressão francesa que diz respeito ao momento do entardecer entre o dia e a noite, quando “você não consegue distinguir um cachorro de um lobo. As coisas começam a se fundir, um mundo entrando no outro”, segundo o artista. Feitas sob a luz desse período do dia, muitas fotos lembram versões hipermodernas de naturezas-mortas. Mesmo as pessoas, em vários momentos, fazem a função de objetos dentro de um cenário.

Ambientes abandonados e objetos deteriorados também são constantes no trabalho de Ballesteros em suas “naturezas-mortas”, que envolvem carros detonados, paredes descascadas e detalhes de muros pichados, incorporando a ideia da imperfeição, da estética do erro, e mesmo da destruição às fotos. “Coisas, a natureza, pessoas, famílias estão sujeitas à destruição. Isso pode ser positivo e negativo; você pode lutar contra isso ou abraçar. Traços de destruição podem revelar o mundo, lembrar-nos da morte e fazer com que deixemos a vaidade de lado por um instante. Pode ser triste e frio, mas também cheio de vida e perspectivas. Sexo e destruição parecem ser algo que une diferentes mundos e sociedades.”

Texto originalmente publicado na FFWMAG 41, já em bancas e livrarias selecionadas

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