26.05.2017 / Cultura / por

Do Leão de Ouro em Veneza ao amor pela moda, tudo sobre Anne Imhof, artista destaque de 2017

A artista Anne Imhof fotografada em seu ateliê por Nadine Fraczkowski
A artista Anne Imhof fotografada em seu ateliê por Nadine Fraczkowski

A artista alemã Anne Imhof, 38, foi escolhida para representar seu país na Bienal de Veneza, que vai até 26.11. Ela apresenta o trabalho Fausto, uma performance diária que dura entre quatro e cinco horas e que fez com que o Pavilhão da Alemanha virasse o buzz da Bienal desde o início. Como já era esperado, Imhof foi premiada com o Leão de Ouro pela melhor contribuição nacional. “Meu trabalho representa a graça dos pensamentos, da liberdade, do direito de ser diferente, da não-conformidade de gênero e do orgulho de ser uma mulher neste mundo”, diz a artista.

Anne também chamou a atenção pois tem apenas 38 anos e expõe profissionalmente desde 2010, período curto para um artista conquistar não apenas um espaço de destaque, mas um prêmio dessa estatura. Seus recentes shows em Berlim e Basel destacaram sua originalidade e energia em um momento mais conformista no cenário artístico.

Fausto

Momento da performance Fausto, de Anne Imhof, em Veneza / Reprodução
Momento da performance Fausto, de Anne Imhof, em Veneza / Reprodução

A performance, que dura cerca de cinco horas, é encenada por dançarinos, amigos e assistentes de Anne Imhof e ganhou adjetivos como provocadora, empoderada e dark. Vestidos de preto, eles recebem os visitantes fazendo contato olho no olho enquanto dançam e se contorcem num ambiente que remete a uma prisão, um calabouço ou um hospital. Há muito espaço para improviso corporal, uma das características do trabalho de Imhof: os artistas são incentivados a adicionar seus próprios movimentos na coreografia, fazendo com que a performance viva em constante mudança e evolução. “É muito importante não fazermos o mesmo todos os dias. É uma discussão flexível e que pede naturalidade em vez deles se movimentarem apenas porque eu mandei”. O público é observado por seguranças femininas, jovens e bonitas, com dobermans. “Sua participação é uma instalação forte e perturbadora que levanta questões urgentes sobre nossos tempos”, Manuel Borja-Villel, curador espanhol e presidente do júri desta Bienal.

 Eliza Douglas

Eliza Douglas na abertura do desfile da Balenciaga Inverno 17 / Agência Fotosite
Eliza Douglas na abertura do desfile da Balenciaga Inverno 17 / Agência Fotosite

O maior destaque das performances de Imhof é a americana Eliza Douglas, musa de Anne Imho Se você acompanha o trabalho de Demna Gvasalia, vai reconhecer Eliza, já que ela está em todos os desfiles da Vetements e da Balenciaga. Eliza também é artista e foi assistente de Anthony Hegarty. Recentemente, participou do clipe de Paradise como avatar de Anohni. Durante a temporada de Paris, ela entrou na lista das mais estilosas da The Cut, do New York Times.

As performances

Momento de Angst II, performance de 2016
Momento de Angst II, performance de 2016

Segundo a curadora Elke aus dem Moore, “Anne cria performances visualmente ricas com imagens densas e intensidade penetrante”.

Suas apresentações são bem físicas e compostas por gestos e movimentos coreografados ou improvisados. Os artistas têm liberdade de adicionar seus gestos emprestados do cotidiano, como saudações e flertes, numa desconstrução da dança convencional, livre de qualquer tradição. Suas figuras são descritas como individuais, peculiares e pós-gênero.

Performances de longa duração não são novas, mas Imhof criou um sistema complexo que ela desdobra trabalhando com códigos do nosso tempo, criando uma conexão também com o público jovem e seu comportamento. No show Angst II, Anne desconstrói movimentos como o andar de uma modelo na passarela ou um mosh de show.

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Não tem como falar sobre o “figurino” das performances. Na verdade, roupas comuns, do cotidiano, como calça jeans, camiseta lisa, tênis ou trajes esportivos, uma coisa normcore, mas que não esconde o interesse de Imhof por moda. Ela acompanha Eliza aos desfiles, é da turma de Demna Gvasalia, posta fotos do desfile da Balenciaga da primeira fila e estava usando um boné da marca quando recebeu o Leão de Ouro em Veneza.

Trajetória

Anne estudou Comunicação Visual no início dos anos 2000 e ganhou diversos prêmios enquanto estava na faculdade, como o vídeo Borboletas Privadas, que fez em 2003 em parceria com a fotógrafa Nadine Fraczkowski, que hoje fotografa todas as suas performances. Sua primeira mostra individual foi em 2013, em Frankfurt, mas começou a ganhar reconhecimento mais sério quando venceu o Prize for Young Art, da britânica National Gallery em 2015. Hoje vive entre Frankfurt e Paris e é representada pela galeria Izabela Bortolozzi, de Berlim.


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