26.01.2017 / Cultura / por

Fotógrafa de títulos como Dazed e Vogue UK, Lina Scheynius lança novo livro

©Lina Scheynius
©Lina Scheynius

Por Luísa Graça

Lina Scheynius teve o primeiro encontro com a fotografia no seu aniversário de 10 anos. Comemorando a data em casa, fotografou o bolo, os próprios pés e a sua melhor amiga sentada no vaso do banheiro. Curiosamente, são cenas essencialmente como essas que ela continua a retratar hoje, aos 35, como fotógrafa profissional – uma olhadela em momentos íntimos do dia-a-dia. Autorretratos e fotos de viagens, amigos e ex-namorados estão compiladas em 09, nono número de uma série de livros auto-publicados que a sueca lança em fevereiro.

“Eu não fotografo pensando que as imagens vão se tornar um livro. Vou fotografando até que, eventualmente, me dou conta de que é tempo de edita-las”, conta em entrevista ao FFW. “Eu estava me sentindo alegre e esperançosa na época em que editei esse livro, o que resultou numa coleção mais colorida do que as anteriores. Foi um retorno ao meu período inicial em que trabalhava mais espontaneamente, fotografando como quem escreve um diário”.

©Lina Scheynius
©Lina Scheynius

Em 64 páginas, imagens fotografadas entre 2013 e 2016 ostentam as características peculiares ao olhar da sueca: de autorretratos cândidos banhados em luz natural a pequenos detalhes casuais – as veias de uma flor, a casca bordô de uma ameixa, a ponta da língua. Sua estética delicada, íntima e um tanto nostálgica, adequou-se bem a um movimento fotográfico que ganhou força na moda nos últimos anos na visão de garotas como Petra Collins e Harley Weir.

Postando fotografias no Flickr no final dos anos 2000, Lina chamou a atenção de agentes e editores. Mesmo sem formação profissional na área, não demorou a começar a fotografar gente como Mariacarla Boscono, Jessica Stam e Charlotte Rampling para as revistas Dazed, AnOther e Vogue UK, entre outras. “Eu não imaginava que essa se tornaria minha profissão, mas fico feliz que tenha sido assim”, conta ela que tem entre suas maiores referências a japonesa Rinko Kawauchi e o sueco JH Engström. Passou a escolher os trabalhos de moda com mais cautela nos últimos dois anos para não comprometer sua visão artística. Admira, aliás, Juergen Teller e Viviane Sassen, justamente por fazerem trabalhos comerciais sem comprometimento. “Cada foto deles se parece com uma foto deles”, diz.

Ana Kras por Lina Schenius para a Vogue alemã ©Reprodução
Ana Kras por Lina Scheynius para a Vogue alemã ©Reprodução

“O trabalho da Lina promulga intimidade. Suas fotos encontraram um caminho através da internet para o mundo da moda e, então, para o mundo da arte”, diz Simon Maurer, curador da Galeria Christophe Guye, que a representa em Zurique e exibe uma mostra de trabalhos da fotógrafa até abril. “A maioria dos seguidores dela são jovens mulheres. Scheynius parece ter aberto um caminho para que essas meninas enxergassem a elas mesmas. Justo ela, tão tímida, se revelou ao compartilhar seu lado mais pessoal com o mundo”.

Quando é sua vez de definir o próprio trabalho, Lina deixa cada um enxergar essa intimidade como bem quiser. “Eu espero que as pessoas encontrem algo significativo nessas fotos, sem que eu as diga o que sentir. Prefiro dar a elas espaço para explorar por si mesmas”.

Mais sobre Lina e o livro 09 aqui: www.linascheynius.com 

 

Lina Scheynius Exhibition 04

26/01 – 15/04/2017 @ CHRISTOPHE GUYE GALERIE, Zurique

https://christopheguye.com


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