08.05.2019 / Cultura / por

Laurie Anderson te leva para a lua em novo projeto de realidade virtual

Cena da experiência virtual To The Moon / Reprodução
Cena da experiência virtual To The Moon / Reprodução

Laurie Anderson sempre foi reconhecida como uma artista de vanguarda, não apenas pelo pensamento, mas também pelas formas e ferramentas que sempre usou para se expressar. Seu mais recente trabalho leva o espectador a uma viagem para a lua através da realidade virtual.

To The Moon é um projeto feito em colaboração com o taiwanês Hsin-Chien Huang, que trabalhou como desenvolvedor de jogos para empresas como Sega e Sony. Os dois se conheceram em 1994, quando Huang venceu o concurso New Voices New Visions, em que Anderson era uma das juradas. Eles trabalharam juntos muitas vezes desde então, com destaque para Chalkroom, que venceu como Melhor Experiência em Realidade Virtual no Festival de Cinema de Veneza.

Em To The Moon, eles oferecem uma experiência única através da realidade virtual: levam o espectador para fora da atmosfera terrestre, com direito a sobrevoar a superfície lunar. “Eu realmente quero fazer coisas que quebrem seu coração. Eu não quero que seja inteligente ou interessante, e sim criar uma situação de emoção. Como uma música, uma música muito linda que então se torna a sua música”, diz Laurie Anderson em entrevista a Dazed Digital.

Em uma experiência de 15 minutos, os visitantes flutuam em condições de baixa gravidade, passando por uma série de visuais que se misturam entre realidade e ficção.  Huang usou o conto do Pequeno Príncipe como o início para as instalações visuais e também cita a influência da lua na cultura chinesa. “Apesar de eu ser de Taiwan, minha cultura é chinesa e a China tem muita poesia em torno da lua”, diz.

A experiência também tem seus momentos políticos, como a palavra Democracia, que aparece e se dissolve na escuridão do espaço, e bandeiras fincadas na superfície lunar indicando como os países tentaram ganhar soberania, como a corrida entre os americanos e os soviéticos no final dos anos 1940 e 1950. As constelações surgem e desaparecem assim que você olha para elas.

Na entrevista abaixo, para a CNN, a artista explica seu novo projeto e temos uma ideia aproximada do que deve ser essa experiência:

Laurie estava relutante quando começaram a trabalhar com VR pois o trabalho que fez com CD-ROM, na época considerado moderno, ficou obsoleto 15 anos mais tarde. “Você trabalha tanto tempo nisso e de repente tudo se vai, todas as fotos, as histórias, a música, a interatividade… Tudo desaparece. Foi muito duro pra mim trabalhar com algo que não tinha um futuro. Mas essa não é a razão pela qual eu estou trabalhando com realidade virtual. Estou trabalhando com isso porque você pode voar. Essa é uma das coisas incríveis que a realidade virtual pode fazer”.

To The Moon será exibido no Festival de Cannes em maio e no Festival Internacional de Manchester em julho. Por enquanto, apenas uma quantidade bem limitada de pessoas poderá vivenciar a obra, mas a dupla tem planos de expandir essa experiência para públicos mais amplos. “Para mim, o sentimento mais livre que você pode ter é quando sonha que pode voar. E na realidade virtual, você pode voar”, diz Huang. “Então, espero que todos tenham essa experiência e também sejam capazes de escapar deste mundo, mesmo que seja por apenas 15 minutos”.


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