15.01.2016 / Cultura / por

Quarta edição da Feira Plana começa no MIS com 140 expositores de publicações indepentendes

Um dos espaços da Feira Plana ©Divulgação
Um dos espaços da Feira Plana ©Divulgação

Começa nesta sexta (15.01) a quarta edição da Feira Plana no MIS. O evento que reúne editores independentes, artistas que fazem livros, zineiros, quadrinistas e guerrilheiros de todo o país, selecionados pela idealizadora Bia Bittencourt, 31.

A feira é um oásis para quem gosta de criar e/ou consumir esse tipo de publicação. O sucesso já se percebe no número de expositors desta edição: 140. Este ano, o tema gira em torno das publicações em preto e branco e o projeto ainda traz uma programação gratuita com oficinas, mesas, palestras e exibição de filme. Entre as oficinas, acontece no sábado a Experimentações e Sampleagens, que que propõe experimentações com xerox, monotipia, desenho, impressão e carimbos.

O diretor de arte da FFWMAG, Gabriel Finotti, estará com uma banca no evento chamada Sometimes Always, com várias publicações que estão sendo lançadas este ano, inclusive a nova edição da FFWMAG.

No meio da loucura, Bia conversou com o FFW sobre a Feira Plana, o mercado das publicações independentes e o fortuito encontro com o MIS. Acreditem se quiser, mas outros possíveis patrocinadores nem sequer responderam quando ela enviou o primeiro projeto. E hoje, é uma comunidade em ebulição e sempre em evolução. Leia abaixo os principais trechos da conversa:

feira plana 4
Bia Bittencourt, idealizadora da Feira Plana ©Divulgação

Que outros trabalhos você faz além da feira? 

Trabalho na Folha de S.Paulo, mais especificamente na editoria da TV Folha como repórter e editora. E faço meus livros também, esse ano vou lançar um de fotografia pela editora Vibrant.

Como se deu sua ligação com esse universo (revistas, zines, tipografa, etc)?

Um pouco antes da faculdade, através de um grupo de arte-postal que eu participei onde pessoas do mundo todo trocavam cartas e artes pelo correio. Eu fazia pequenas edições de publicações em casa para enviar. Depois fiz faculdade de Artes Plásticas e retomei a produção de edições.

Quando surgiu a ideia de fazer a Feira Plana? Como foi o encontro com o MIS?

Quando estive em Nova York e vi a Art Book Fair, que acontece no Moma Ps1 e é organizada pela distribuidora e editora Printed Matter, eu fiquei louca com a quantidade de editores independentes publicando no mundo inteiro. Voltei com a ideia de fazer algo parecido que reunisse essas editoras, pessoas que se auto publicam numa feira. Mas que houvessem atividades paralelas também, palestras que discutissem o assunto. Só que eu nunca tinha feito nada parecido na vida. Escrevi um projeto meio intuitivo e fui tentando apresentar em algum espaço público até que alguém comprasse a ideia. Na verdade, ninguém nem me respondeu até que uma amiga, a Bebel, me apresentou a um produtor do MIS, o Marcelo, que até hoje é o produtor responsável pela Plana, que comprou a ideia instantâneamente e apresentou pro André Sturm, diretor do museu. E ele me autorizou a usar o espaço na maior confiança.

Como funciona a curadoria? Quanto tempo antes você começa?

A pré produção começa uns sete meses antes. A curadoria é através de cadastros online e eu mesma vou olhando projeto por projeto, um a um, e fazendo a seleção. É super difícil porque sempre tem muito mais editores do que espaço. Tem que ter uma rotação, bastante gente fica de fora, é super difícil. Esse ano foram cerca de 500 inscritos e 140 selecionados.

Vocês tem patrocinadores? O MIS cede o espaço ou investe com dinheiro também?

Sim e sim. Esse ano estou de novo com a Adidas e entrou a Cervejaria Colorado. E o MIS entra com uma boa parte dos custos de estrutura sim.

Como vc acha que o Brasil está nesse nicho comparado a outros países? Temos muita coisa legal sendo feita?

Temos sim! Eu costumo viajar pra representar as publicações brasileiras em feiras internacionais, como a própria NYABF, que inspirou a Plana. As pessoas, tanto público quanto os organizadores e outros editores, sempre ficam impressionados com a qualidade e quantidade de coisas boas que têm sido produzidas por aqui.

Onde encontrar publicações indepentendes fora da Feira Plana?

Para ver e consultar tem a biblioteca da Plana que fica no Elevado Café. Para comprar, tem a Banca da Tijuana que fica na Galeria Vermelho (rua Minas Gerais, 350) e a Banca Tatuí (rua Barão de Tatuí, 275), ambas em São Paulo, além das outras feiras que acontecem durante o ano.

Pode indicar três nomes que você acha que fazem a diferença e por quê?

Meli-melo Press: começou junto com a Feira Plana e cresceu tanto quanto. Primeira gráfica a imprimir e popularizar a técnica do risograph.

Vibrant Editora: das irmãs Martina e Isadora Brant. Começou na segunda Feira Plana com pequenas publicações das fotografias delas mesmas e hoje em dia são uma das editoras de fotolivro mais importantes.

A Bolha Editora: pelo trabalho impecável e guerrilheiro de edição da Rachel e suas publicações finíssimas de quadrinhos e ilustradores de todo o mundo.

Confira a programação completa aqui.

FEIRA PLANA 4

Data: 15, 16 e 17 de janeiro

Horário: 15.01 das 18h às 21h, dias 16 e 17.01 a partir das 12h

Local: MIS – Avenida Europa, 158, Jardim Europa

Ingresso: gratuito (algumas oficinas e palestras precisam de inscrição prévia, checar a programação no site)

 


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