23.06.2017 / Cultura / por

Superstars da arte, Marina Abramovic, Jeff Koons e Olafur Eliasson lançam projeto de realidade virtual

Phryne, de Jeff Koons
Phryne, de Jeff Koons

Três dos mais prestigiados artistas contemporâneos estão levando sua arte para uma plataforma de realidade virtual. Marina Abramovic, Jeff Koons e Olafur Eliasson se uniram e lançaram o Acute Art, que quer explorar esse ambiente e encorajar a transição da arte do mundo físico pro digital. Quem ajudou os artistas na empreitada foi a empresa londrina Acute Art VR, que se coloca como a primeira plataforma de arte em realidade virtual do mundo. O lançamento reuniu Marina, Koons e Olafur, mas logo novos artistas também irão “expor” também.

O projeto ganhou um preview em Estocolmo, no evento Brilliant Minds, onde os três participavam de um painel e anunciaram a novidade no palco. O lançamento oficial acontece somente no outono europeu, no segundo semestre.

O mundo digital já está incorporado na arte, mas ainda de forma tímida se pensarmos no potencial dessa ferramenta. Há algumas iniciativas que valem destacar, como o Museu Digital de Arte Digital; a The Wrong Biennale (o nome é muito bom), que celebra a arte do mundo virtual em uma bienal internacional e digital, e artistas jovens que acabam levando a inovação para outras dimensões.

Mas o cenário ganha outra dimensão quando três artistas mega influentes abraçam – ao mesmo tempo – a ideia. E no Acute Art, as personalidades e questões de cada artista ficam muito claras. Marina é a mais política, Koons cria um mundo em que ele viveria e Olafur faz a gente ir atrás da luz.

A obra de Jeff Koons chama-se Phryne (fala fry-nee) e foi baseada em sua escultura inflável de mesmo nome (inspirado em uma cortesã famosa da Grécia Antiga). Quando você coloca o set de RV, é transportado para um mundo perfeito e encontra a bailarina metalizada Phryne, que guia os visitantes pelo jardim de cores fortes, borboletas e sons suaves. “Usei essa superfície metálica para trazer o elemento de afirmação: você vê o seu reflexo nela. Ela afirma que sua presença é real. Estimular diferentes percepções sensoriais é um novo território e usar RV como uma ferramenta para se conectar com o universal é uma coisa maravilhosa”, diz Koons ao site da Dazed.

Marina é conhecida por não ter medo de quebrar barreiras e paradigmas dentro da arte (e da vida). Em Rising, ela aproveita a realidade virtual para confrontar o público sobre a crise do clima no mundo IRL (in real life). No espaço virtual, os participantes ficam cara a cara com Marina e seu avatar os convidam para ir ao seu tanque de vidro que está, aos poucos, se enchendo de água. Ela então te leva ao redor do mundo pra ver as geleiras que estão derrentendo. Se você se comprometer a ajudar, a água do tanque abaixa. Senão, Marina se afoga. “Esta nova obra de arte em RV levanta questões sobre o impacto da tecnologia na empatia humana através de um problema urgente que nosso mundo enfrenta: as mudanças climáticas”, diz a artista. “O projeto oferecerá às pessoas a oportunidade de simpatizar e responder às necessidades de outros afetados por esta crise. Estou particularmente interessada em saber como a consciência e a energia do público serão afetadas por essa experiência virtual”.

Por fim, Olafur Eliasson, conhecido por suas lindas instalações com temas solares, criou o projeto Rainbow, que explora esse fenômeno natural que encanta toda vez que aparece. No mundo virtual, o arco-iris só pode ser visto se o usuário mover corretamente uma cortina de chuva que prejudica a visão. Os participantes ganham um controle manual e a busca pelo arco-iris é coletiva. “Sempre me interessei em como co-produzimos a realidade. Quando faço uma exposição, penso nela como uma máquina de produção de realidade. A realidade virtual tem o potencial de se transformar em uma plataforma de novas formas de experimentações se incluirmos o corpo no trabalho virtual. Não acredito em deixar o corpo pra trás. Rainbow recebe várias pessoas ao mesmo tempo pois, para mim, o aspecto social é crucial. Entrar em Rainbow não é sair do mundo e deixar o corpo para trás”. A obra é baseada em um trabalho de 1993, Beauty, e é uma experiência cheia de luz e cor.

A discussão em torno da realidade virtual ainda chega em doses homeopáticas para o grande público, mas sabemos que é uma tecnologia que deve ser tratada com cuidado. Ao longo do processo, Olafur pensou em outras discussões atuais, como o uso de drones e outras tecnologias que podem ser invasivas sem que a gente perceba. Qual é o compasso ético e moral dessa cultura e como podemos contribuir com isso de onde estamos?”, questiona em entrevista ao site 52 Insights. “É uma questão de progresso e evolução, assim como a questão da ruptura e descentralização da economia – é bom ou ruim?”. Ao menos no mundo virtual do Acute Art, é só bom.


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