23.01.2017 / Cultura / por

Tree of Codes: o balé de Wayne McGregor com música de Jamie XX e set de Olafur Eliasson chega a Paris

©Joel Chester Fildes, cortesia Ópera de Paris
©Joel Chester Fildes, cortesia Ópera de Paris

Por Luisa Graça

É aliando-se a pessoas na vanguarda de seus campos criativos que o coreógrafo Wayne McGregor tem transformado as noções comuns de dança clássica e alcançado um público mais amplo. Criou balés com a colaboração de gente de diversas áreas: Thom Yorke, Matthew Williamson, Kevin Spacey, Max Richter, Mike Newell. Em 2012, escalou Mark Ronson e Andrew Wyatt (Miike Snow) para criar a trilha de Carbon Life, com performances ao vivo de músicos como Boy George e Alison Mosshart (The Kills) e figurino assinado por Gareth Pugh. Sua nova produção Tree of Codes, que estreou em 2015 no Festival Internacional de Manchester e desembarca em 06 de fevereiro na Ópera de Paris, não é diferente.

O conceito visual é do artista islandês-dinamarquês Olafur Eliasson; a música original é de Jamie XX, da banda The XX. Juntos, os três criaram um espetáculo imaginativo e cheio de plasticidade. A inspiração foi o livro de mesmo nome, do romancista americano Jonathan Safran Foer, que tomou emprestada a coleção de contos O Rio dos Crocodilos, de Bruno Schulz, e recortou a maior parte das palavras, criando assim uma nova obra literária. Cheio de buracos, Tree of Codes é tão sobre espaços e camadas quanto é sobre palavras e, no palco, torna-se uma belíssima brincadeira visual, muito mais formal do que narrativa.

“Com a reinvenção do próprio processo de leitura e sua trama pós-apocalíptica, o livro catapulta nossa imaginação a estados estimulantes”, explica Wayne. “Esse universo desorientador é um poderoso ponto de partida para nossa colaboração – onde constelações de luz, sombras, corpos, objetos e som dançam à beira da escuridão. Queremos conduzir o público em uma aventura sensorial”.

https://youtu.be/DIppQmue-A0

Usando texto, camadas e espaços nas páginas do livro de Foer, Jamie XX criou um algoritmo computadorizado para dar a estrutura rítmica da trilha. O resultado é música minimalista e cerebral com sobreposição de cordas, piano e batidas marcadas e pitadas de eletrônica. McGregor criou a coreografia página por página. Olafur Eliasson recriou as esculturais páginas do livro em um cenário refletivo e translúcido, com direito a enormes paredes giratórias, espelhos e efeitos de iluminação. “O espaço, a arquitetura e os corpos são interativos. Mais do que dançar em um espaço, podemos dançar um espaço”, pondera o artista. “A música de Jamie não pode viver sem movimento e espaço. A coreografia de Wayne não pode viver sem som e espaço. Minha arte não pode viver sem som e movimento. Claramente, criatividade pode mudar o mundo”.

Étoile do Balé da Ópera de Paris, a incrível Marie-Agnès Gillot (estrela da campanha de Verão 2015 da Céline ao lado de Joan Didion), é uma entre os 15 bailarinos do balé parisiense e da companhia de McGregor que dão vida à criação do diretor dançando em diversas configurações, seja em total sincronia com seus próprios reflexos ou vestindo pontos de luz pelo corpo, formando constelações no palco. “Tem sido inspirador desenvolver movimentos nesse contexto e amalgamar diferentes universos. Eles criaram verdadeiras obras de arte”, conta a francesa, que pela primeira vez deixou os muros da Ópera para apresentar o balé em Manchester e Nova York, em 2015, e segue em seguida para o Reino Unido e Dinamarca.

“Já se passou o tempo em que um gênio central inventa coisas totalmente sozinho. Fazer arte tem mais a ver com ‘nós’ do que com ‘eu’. Sempre foi assim, mas agora estamos celebrando mais essa ideia”, arremata McGregor, determinado a tornar o balé uma arte mais pop. “Todas as pessoas são experts em corpo. Creio que a dança deve ser uma forma de arte com a qual todos podemos nos conectar”.

 

Tree of Codes

Palais Garnier, Paris

06 a 23 de fevereiro de 2017

www.operadeparis.fr

 

Sadler’s Wells Theater, Londres

04 a 11 de março de 2017

www.sadlerswells.com

 

Aarhus Festival, Aarhus

27 a 29 de outubro de 2017

www.aarhusfestuge.dk

 


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