25.05.2017 / Gente / por

Conheça a história de Débora dos Anjos e sua Yellow Factory, marca de sapatos brasileira

©Cortesia Yellow Factory
©Cortesia Yellow Factory

Por Luísa Graça

Chame de destino ou como quiser, a história de Débora dos Anjos com o design de calçados “era pra ser”. Fundadora e designer da marca Yellow Factory, ela praticamente nasceu dentro de uma fábrica de sapatos. Seus pais eram donos de uma em Franca, polo calçadista brasileiro e sua cidade natal, e mesmo quando se mudaram de lá para Belo Horizonte continuaram a trabalhar com calçados, na área de representação comercial.

Tudo bem que Débora não fazia ideia de que, eventualmente, trabalharia no mesmo ramo de seus pais. Fazia aulas de desenho, pintura, fotografia, era perita em programas de edição de imagens e, quando adolescente, decidiu estudar moda na UFMG com o intuito de trabalhar no meio editorial. Foi em 2014, com apenas 19 anos, que a paulista aproveitou para reunir todo o seu background em arte, moda e, claro, calçados para criar despretensiosamente, dentro do seu quarto, sua própria marca de sapatos. Sob o mote “fazemos diferente para quem é diferente” e com e-commerce próprio, a Yellow Factory tem conquistado clientes em todo o Brasil com forte presença online, fabricação nacional e uma grande variedade de sapatos com preços entre 70,00 e 250,00 reais, contando com linha vegan e infantil. São calçados joviais e divertidos que você não encontra em qualquer lugar, a preços que você não encontra em qualquer lugar. Botinhas chelsea e desert, creepers, mules, coturnos em diversas cores…

Uma empreendedora aos 22 anos, Débora conta ao FFW um pouco sobre a YF e sua história.

Como e quando você começou a se interessar por design de calçados?

Quando entrei na faculdade de moda – me formei no início deste ano, eu visava trabalhar numa revista de moda; depois, quis trabalhar com fotografia de moda; e depois de voltar de uma viagem, percebi uma oportunidade real de trabalhar com calçados. O interesse vem desde minha infância, quando aprendi com minha mãe sobre a construção e tipo de materiais dos calçados. Com 19 anos, percebi que eu realmente poderia trabalhar com isso. No geral, sempre fui muito ligada a arte, adoro ir a museus. Nas minhas viagens o meu roteiro se passa praticamente 100% dentro de galerias de arte [risos]. Gosto muito desse universo, consigo abstrair formas, cores, linhas, recortes… enfim, tudo isso posso aplicar no meu trabalho. Com os três anos de Yellow Factory passei a me apaixonar mais pelo processo de criação de calçados e tenho buscado agora conhecer mais a respeito desse universo. Crescer em Franca teve muito a ver com tudo isso.

O que te motivou a criar a Yellow Factory? Como ela surgiu?

Independência financeira foi o principal, sério. Nunca pensei em ser uma “empreendedora”, apenas queria ganhar meu próprio dinheiro com algo que eu curtia. Eu havia voltado de um intercâmbio em NY, estava super inspirada por conta da viagem e fiz até uma lista de coisas com as quais eu queria trabalhar. Nela tinha: fotografia, design gráfico e criação. Nesse contexto eu me vi diante da possibilidade de criar uma marca de calçados. Ela surgiu dentro do meu quarto amarelo, minha “yellow factory”, onde era o meu estoque, estúdio, escritório, tudo [risos]!

Débora dos Anjos ©Cortesia
Débora dos Anjos ©Cortesia

Qual foi o seu investimento inicial?

No ensino médio eu tinha uma “veia empreendedora” e vendia cupcakes. Na época, até criei uma página no Facebook, a nomeei In the Sky Doces, fiz cartãozinho e tudo mais. Eu guardava todo o meu lucro com esses doces numa conta bancária e isso me serviu de investimento inicial. Não tive nenhuma ajuda externa para iniciar a YF.

Você conseguiu cobrir esse investimento?

Sim! Até mesmo porque não foi um investimento alto, sabe? Eu comprei poucos pares no início (a grade mínima de pedidos que as fábricas exigiam) e consegui vendê-los bem rápido. Com isso, fui conseguindo criar um capital de giro e tem sido assim até hoje.

De que maneira esse empreendimento tem te surpreendido? 

Comecei a YF para não depender mais do dinheiro dos meus pais, mas com o tempo, me vi diante de uma empresa que estava crescendo e era eu quem deveria tomar todas as decisões. Tive e tenho de lidar com situações que eu nunca pensei que fosse precisar lidar. Precisei vencer medos, inseguranças e desafios que me levaram a amadurecer muito como pessoa e profissional.

Quais são os seus desafios hoje?

Administrar as vendas e o pós-venda. Junto com o crescimento, aumenta também a política de logística.

©Cortesia YF
©Cortesia YF

Qual a importância das redes sociais pra você? De que maneira elas impulsionam seu negócio?

Meu foco sempre foi ter uma loja online. As redes sociais são muito importantes porque é através delas que consigo me aproximar mais dos nossos clientes e posso ver o feedback das vendas.

O custo-benefício dos calçados da Yellow Factory é muito bom. Como você define o preço das peças?

É importante oferecer produtos acessíveis aos nossos clientes. Os preços são definidos a partir da soma dos gastos com fabricação, impostos, logística, despesas e, daí, buscamos calcular o lucro sem extrapolar a realidade do consumidor.

Você acompanha cada etapa da produção?

Na primeira remessa de lançamento acompanho tudo – criação, pilotagem, teste de calço, etc. Após aprovados, as fábricas parceiras produzem normalmente os calçados. Hoje em dia, temos fornecedor em Franca e em outras cidades também, mas todos dentro do Brasil. Priorizamos e valorizamos uma fabricação nacional.

E as escolhas estéticas, como se dão? O que te orienta ao criar uma coleção? Você segue tendências?

Eu busco trazer para a Yellow Factory um diferencial referente a design, aliado a conforto e viabilidade de uso. Não sou muito atraída por tendências, procuro colocar na YF sapatos que quem os compra pode usar em qualquer época. É um sapato “básico” e ao mesmo tempo com design diferente. Em se tratando de inspiração, sou orientada pelas viagens que faço, arte, estilo urbano e às vezes tento mesclar isso com algo mais clássico. Claro que me preocupo em lançar sapatos atendendo às estações, mas também não me prendo a isso. Nossos produtos tem a ver com conforto, com algo de urbano e no gender (traço que estamos buscando desenvolver cada vez mais).

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Gostamos muito do fato de você ter uma linha vegana na YF. Por que lhe pareceu importante trazer essa linha para a marca?

Começamos a linha vegan há cerca de 10 meses e tem dado certo! Eu sou vegetariana há 3 anos e sempre tive uma preocupação referente ao consumo de produtos de origem animal. Além disso, os próprios clientes começaram a pedir os calçados em material alternativo. Procuramos trabalhar com materiais de qualidade para substituir o couro legítimo.

Sejam eles veganos ou não, existe uma preocupação com sustentabilidade na produção dos calçados?

Sim, almejo que, futuramente, os produtos sejam vegan e biodegradáveis. Estou buscando materiais alternativos, mas eles ainda são difíceis de encontrar.

E o que mais você almeja para o futuro da marca?

Pretendo expandir a marca para outros segmentos como bolsas, acessórios – que já tenho trabalhado um pouco – e até mesmo roupas. Além disso, quero trazer algo para o público masculino – já tenho aumentado a numeração de muitos calçados, visto que muitos modelos são unissex.

www.lojayf.com


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