Como a tecnologia e as redes transformaram a pesquisa de tendências

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Por Mariah Cidral

A partir da década de 1960 a história da moda deu uma guinada em direção a massificação. O pret-à-porter foi criado, os desfiles saíram dos salões intimistas das maisons para espaços maiores e viraram verdadeiros shows de moda e criadores e consumidores passaram a interagir de forma diferente com a difusão das tendências de moda. Nasceram então (e não por acaso) os chamados bureaus de pesquisa de tendências à fim de auxiliar no desenvolvimento de coleções para diversas marcas. O processo se dava da seguinte maneira: buyers e analistas observavam as propostas dos estilistas para a nova estação e então criavam a partir dali relatórios das tendências que, na sequência, influenciariam o mercado de massa; as revistas antecipavam essas tendências para seus leitores e meses depois as peças desembarcavam nas lojas para o consumo.

Vivemos nesses últimos 20 anos uma nova transformação. O processo de previsão de tendências também foi impactado e acontece de forma diferente para cada marca. Entre as ínúmeras possibilidades de tendências tem marcas que escolhem se focar nas microtendências e outras em macrotendências. O que é comum à todos os processos de previsão de tendências é a atual complexidade de mapear as que são realmente relevantes e com capacidade de impacto e influência devido à onipresença da tecnologia e das redes sociais em nossas vidas. Com centenas de coleções e novidades sendo compartilhadas em tempo real para milhões de pessoas, o acesso a essa avalanche de informações ficou acessível à qualquer um de nós e tem exigido uma abordagem muito mais criativa e reativa por parte dos coolhunters, como são também conhecidos os profissionais da área de pesquisa de tendências.

o projeto do google com a zalando
o projeto muze, do google com a zalando

Os volumes dos números nos ajudam a entender o impacto provocado pela internet e redes sociais nesse mercado. Atualmente mais de 100 milhões de imagens e 400 milhões de stories são compartilhados todos os dias apenas no Instagram. Se adicionarmos as outras plataformas como TikTok, Pinterest, Weibo e Youtube, fica praticamente impossível para os pesquisadores e designers saberem o que é de fato relevante para a marca, prever o ciclo de vida de um produto ou desenvolver a próxima coleção.

Dentro desse cenário atual, o uso de dados ganha cada vez mais importância e espaço nas indústrias da moda, da beleza e do comportamento. O uso das ferramentas certas ajuda a dar sentido a tanta informação e os profissionais conseguem acessá-las e usá-las de forma precisa e efetiva para os seus clientes. Essas ferramentas e plataformas oferecem a mineração e gestão de bases de dados; machine learning e processamento de imagem, que unidos a grande quantidade de dados gerados por diferentes participantes da indústria da moda resultam nas tendências de comportamento, de consumo e informações relevantes de acordo com o desejo do público alvo. De olho nessa necessidade de informação mais precisas, as big techs passaram a oferecer ferramentas de pesquisa como o Google Trends e mais recentemente, o Pinterest Trends. 

Google Trends

O Google Trends é um recurso de pesquisa de tendências que mostra a popularidade de um termo no Google. A ferramenta já era muito usada por profissionais da área de marketing para entender e avaliar as tendências e o interesse em diversos tópicos, pois é possível identificar se uma tendência está alta ou esfriando, encontrar informações demográficas, tópicos e consultas relacionadas para entender melhor as pesquisas e as interações de determinada região. O usuário pode voltar até o ano de 2001 para entender as mudanças e evolução dos assuntos pesquisados ou visualizar apenas o relatório anual com as informações mais importantes. 

Além disso, diversas marcas de moda exploram o Google Trends para aumentar a taxa de engajamento e participaçao do consumidor no que será criado por meio de experiências de consumo online aprimoradas, e o próprio Google desenvolveu em parceria com o e-commerce Zalando o Projeto Muze, que cria roupas baseadas nos dados das pesquisas online. 

Pinterest Trends 

pinterest-trends

Já o Pinterest Trends, lançado mais recentemente, oferece dados sobre tendências baseado em palavras-chave e tem foco nas áreas de decoração, moda e alimentação. É possível entender os tópicos de interesse dos usuários e quando eles pesquisam esses assuntos, por exemplo. A ferramenta visualiza e analisa dados não estruturados e ajuda a entender melhor as tendências oportunas a serem apresentadas aos usuários por meio de produtos, as tendências emergentes e as novas segmentações de mercado. 

Qual dos dois usar?

Existem duas grandes diferenças entre essas duas plataformas de pesquisa. A primeira é que no Google Trends você pode obter dados de pesquisa a partir de 2004, e pode analisar tendências mais atuais de forma mais ampla do que apenas os próprios termos de pesquisa. A segunda diferença é que o Pinterest Trends indica volumes de pesquisa, enquanto o Google Trends indica apenas a relevância e popularidade de uma assunto. Ou seja, na maioria dos casos, o Google Trends oferece dados de tendências mais detalhados sobre a maioria dos tópicos, porém o Pinterest Trends oferece ótimos insights para descobrir novas tendências crescentes.


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