11.06.2018 / Arte / por

Artista visual Natalia Stuyk faz sua estreia solo na Galeria Melissa de Nova York

Paraíso, mostra de Natalia Stuyk
Paraíso, mostra de Natalia Stuyk

Não é de hoje que a Melissa colabra com novos e já conhecidos artistas ao entregar o espaço de suas lojas-conceito como se fosse uma tela em branco para eles trabalharem em cima. Desta vez, a Galeria Melissa de Nova York foi palco para a estreia de Paraíso, primeira mostra solo da artista visual Natalia Stuyk, que já colaborou com marcas como Stella McCartney, Nike e M.A.C.

Seus trabalhos (vídeos, na grande maioria) se caracterizam por cores supersaturadas, movimentos rítmicos e loopings infinitos numa estética à laVaporwave, mesclando técnica de 2D e 3D com elementos fotográficos – basta dar uma olhada em seu Instagram para entender. Sua predileção por movimentos giratórios vem da infância. “Meu pai era arquiteto naval e ele me ensinou sobre física, dinâmica de fluidos e como a natureza move tudo”, conta. “Fizemos coisas de Meccano [marca inglesa de brinquedos educativos que permite a construção de mecanismos em miniatura] e ele me mostrava como a eletricidade faz o motor girar e, por sua vez, fazer o modelo avançar – o que, na minha opinião, impactou-me para além do que ele esperava. Esse mesmo movimento rítmico, em loop por tanto tempo quanto as baterias durassem, baseou toda a arte que fiz”.

Paraíso é um trabalho multimídia composto por um cenário repleto de LCDs que mostram suas animações em looping juntamente com a primeira instalação analógica da britânica, que também empregou um (inesperado) filme dicroico como matéria-prima para criar imagens em 3D e vídeos digitais. O mix abstrato com sequências ilustrativas é reforçado pela habilidade do material em captar reflexos e traduzi-los em textura. Os vídeos são exibidos ao lado de uma série de objetos em 3D confeccionados com os objetos que aparecem no próprio vídeo, numa metalinguagem. A ideia foi configurar um ambiente que faz da relação entre imagem, som e visitante um encontro simbiótico.

Cortesia
Cortesia

Assim, aqueles que passarem pela instalação serão “transportados” a um universo surreal através de uma espécie de nuvem virtual. O resultado é a atmosfera que evoca uma sensação escapista, bem como Natalia queria. “A instalação é principalmente sobre verão e escapismo. É o que esteve em minha mente durante o processo: uma manifestação visual de estar sentindo muito calor para se mover e não se importar com isso”, diz ela, que se inspirou no livro Vermillion Sands, de JG Ballard, pensando na estação mais quente do ano.

“Minha intenção é criar algo que cause uma sensação de ‘oh, queria estar nisso’ ou ‘oh, queria tocar isso'”, complementa. “Sempre quero incitar uma reação tátil, emotiva, e acho que atingir esse objetivo de forma digital é uma motivação constante”.

Paraíso fica em cartaz na Galeria Melissa, em Nova York, até agosto.


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