03.05.2019 / Arte / por

CCSP olha para a moda como manifestação cultural com nova curadoria; veja a programação

Mostra Avesso no CCSP / Cortesia
Mostra Avesso no CCSP / Cortesia

No início deste ano, Erika Palomino foi anunciada como nova diretora do Centro Cultural São Paulo. Erika teve um papel fundamental na história da moda e da cultura jovem no Brasil e quer, como diretora de um espaço público e centro cultural, promover outras discussões, além do consumo e do mercado, e tratar de representatividade e diversidade. “Fiquei muito contente por trazer a moda para o CCSP, por poder tratar a moda como manifestação cultural, dando esse reconhecimento e este viés para o segmento, dentro de um equipamento público”, diz Erika ao FFW.

Essa sempre foi a função do CCSP, desde que foi fundado no início dos anos 80. Em sua página online, lemos que sua concepção foi baseada em extensa pesquisa para entender o que significava o acesso à informação em um país como o Brasil. O edifício foi projetado com o objetivo de facilitar ao máximo o encontro do usuário com aquilo que seria oferecido no espaço. O secretário de cultura da época, Mário Chamie, queria reunir em um mesmo lugar todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades, das mais diversas, para refletir, “toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”, disse.

Pois agora, sob a direção de Erika, o Centro retoma sua origem de pensamento e ideal e inaugura nesta sexta (03.05) uma programação enérgica na área de moda que trata de questões contemporâneas e urgentes. A curadoria é da estilista e pensadora Karlla Girotto, também idealizadora do grupo de estudos GE, na Casa do Povo. “Karlla enxerga a moda muito além da roupa, como produção de subjetividade, como reflexo do contemporâneo, conectada com seu aspecto mais social e mais político”.

Karlla inclui na programação a visão e a produção de grupos não tão conhecidos ou associados à moda, como uma oficina de indumentária dos orixás, com Vanessa Crioulla, e o ciclo de debates Afora da Moda, com a historiadora Caróu Oliveira, que trata da história e dos conteúdos políticos da moda. A curadora traz para debate assuntos como propriedade intelectual, apropriação cultural e questões como tem veste a periferia e quem são e o que produzem os negrxs na moda (veja o programa completo abaixo).

Palomino também destaca a forma como estão trabalhando no Centro Cultural. “É transversal, com as curadorias trabalhando sobrepostas, compartilhadas, colaborativas, com as fronteiras mais porosas mesmo. Fleshion, por exemplo, se relaciona com performance, com dança, artes visuais e moda”.

Entre as próximas exposições que vêm por aí, está uma mostra com as roupas, acessórios e a produção literária de Itamar Assumpção; a mostra dos 30 anos do desfile Ratos e Urubus Rasguem Minha Fantasia, de Joãozinho Trinta; uma mostra de figurinos do acervo do Theatro Municipal e uma grande exposição multidisciplinar sobre Alexandre Herchcovitch, programada para março do ano que vem, com curadoria geral feita pela própria Erika, que é grande conhecedora do trabalho de Herchcovitch.

Mostra Avesso, em cartaz no Centro Cultural / Cortesia
Mostra Avesso, em cartaz no Centro Cultural São Paulo / Cortesia

Programação

1ª Mostra do Avesso (até 21.05)

_é o avesso que encosta na pele

A 1ª Mostra do Avesso @CCSP inaugurou em abril a Curadoria de Moda do Centro Cultural São Paulo, com o objetivo de intervir na lógica da moda hegemônica criando ruídos, atravessamentos e produzindo reflexão crítica – talvez o único caminho possível para uma certa produção de subjetividade e autonomia no vestir. 

Afora da Moda

de 2 a 21/5

 Compondo a 1ª Mostra do Avesso @CCSP, a equipe da Disputa da História, História da Disputa apresenta Afora da Moda, ciclo de encontros temáticos que debate o conceito, a história e os conteúdos políticos da moda. Serão abordados assuntos que orbitam entre conceituar o que podemos entender por moda, suas linguagens, discursos e formas materiais; um panorama da história da moda a partir de uma perspectiva popular e discutir, por meio de estudos de caso e exemplos contemporâneos, as formas e discursos empenhados nesses processos, podendo, assim, oferecer aos participantes outras percepções sobre a moda enquanto tema e área de produção de pensamento.

Com: Caróu Oliveira (historiadora), Victor Leite (historiador), Gabi Cherubini (figurinista) e Andrea Guerra (designer)

02.05  (quinta)

História da Moda em SP

Como – e quem – vestiram os bandeirantes? Como a colônia do século 19 virou uma das capitais da moda? Existe moda “local”? E moda identitária?

 07.05 (terça)

Moda, vestuário e cultura

Antes da moda, o que se vestia? “Moda feminina, moda masculina”; Os tupinambás lançaram moda?; Quem veste a periferia?

 09.05 (quinta)

Moda como linguagem

Símbolo e significado: o que se cria na moda; Inspiração e cópia; Propriedade intelectual; Moda e tradição.

 14.05 (terça)

Apropriação cultural na moda

Como se costura o racismo? O que é “exótico”? Gerenciamento de crises na moda; Negrxs na moda, quem são, o que produzem?

 16.05 (quinta)

Apropriação cultural na moda

Como se costura o classismo? O que é alta-costura e porque ela é tão baixa; O luxo eterno.

 21.05 (terça)

Apropriação cultural na moda

Como se costura o gênero? Roupa como extensão do corpo/roupa performance; O poder subversivo da moda.   

Serviço

terças e quintas, das 19h às 21h30 – Piso Flávio de Carvalho

Entrada gratuita – sem necessidade de retirada de ingressos – as inscrições deverão ser feitas no momento da atividade                                     

Indumentária e Performatividade dos Orixás

de 3 a 22/5

Crioulla Oliveira (Vanessa Oliveira) conduz este curso-obra* juntamente com o Ateliê Vivo, o pesquisador Marcos Verdugo e o músico Eduardo Brechó. Uma programação cuja centralidade está na ideia de investigar algumas características da cultura africana e de sua diáspora, circunscritas em torno de questões de performatividade e construção da identidade nas indumentárias (“asó”) de orixás dos candomblés brasileiros. Um espaço de produção de subjetividades e de experiências em que as múltiplas linguagens que compõem o imaginário estético dessas vestimentas serão trabalhadas. Estudos, discussões e pesquisas sobre a dimensão simbólica dos orixás possibilita aos participantes criarem e produzirem a indumentária de um orixá, sempre acompanhados em seus processos – combinando linguagens, processos e técnicas.

Com: Vanessa Oliveira (ekedi e artista), Eduardo Brechó (músico percussionista), Marcos Verdugo (pesquisador), Gabi Cherubini (figurinista) e Andrea Guerra (designer).

Serviço

quartas e sextas, das 10h às 13h – 180min – livre – Piso Flávio de Carvalho

obs.: excepcionalmente, no dia 4/5, sábado, haverá atividade, e no dia 10/5, das 15h às 17h, será realizada uma visita guiada ao Acervo África

entrada gratuita – sem necessidade de retirada de ingressos

ENEGRECÍDIO + Próloga (Virada Cultural)

dia 18/5

Performance coletiva que subverte o conceito de subjetividade sobre corpos e vestimentas: o que se vê não é a totalidade da representação de um corpo e, neste sentido, a pesquisa é sobre a profundidade da imagem para além do que somos capazes de ver, um aprofundamento em nossos campos sensoriais a fim de proporcionar ressignificação e transformação dos olhares presentes.

A dualidade norteia a performance, guiada através da lenda Ibejis e as questões sócio-culturais que roupas podem trazer. Dada a entrada da multiplicidade de corpos nunca antes pensados ou inseridos em alguns espaços, o que pode acontecer? Talvez um desfile, um questionamento, um impacto. Só vivendo – ou vendo – para saber.

Com: Alexandre dos Santos, Aniele Unai (MPIF), Aurélio Alves, Caróu Oliveira, Gustavo Silvestre, Luciane Big Queen (Africa Plus Size), Mika (maquiadora), Suellen Ingrid (Afroish Concept), Valerie Anaua (MPIF), Vicente Perrota, Bruno Seloide, Eduardo Reis, Felipe Damasco, Gabriela Monteiro, Gabi Passareli, Heloisa Brandão, Jônatas Cordeiro, Júlio César Araújo, Kelton Fausto, Lucas Pereira, Lucas Fernandes, Mª Letícia Ohana de Farias, Mariana Rodrigues, Ventura Profana, Vitor Oliveira, Weslley Baiano, Yaminah de Mello

 Serviço

sábado, às 20h – 240min – livre – Piso Flávio de Carvalho

entrada gratuita – sem necessidade de retirada de ingressos

Fleshion [aparências] (Virada Cultural)

dias 18 e19/5

 A performance navega pelas poéticas e políticas das aparências e tem o corpo e a moda em constante fricção. Ocupa-se da ação de tocar como exercício de abstração. Fleshion [aparências] é uma performance-coleção que especula sobre noções de tempo, corpo, moda e desejo. No dia 18, o espetáculo faz parte da Virada Cultural 2019.

conceito, coreografia e figurino: Thelma Bonavita – performance: Juliana França e Pedro Galiza – música: Piero Bonavita – produção Platô Brasil/ Dora Leão

Serviço

sábado e domingo, às 20h – 60min – livre – Piso Flávio de Carvalho

entrada gratuita – sem necessidade de retirada de ingressos

+ info: acesse o site www.fleshion.org


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