Exposta em icônica mansão de Londres do séc. 18, nova mostra de Damien Hirst divide opiniões

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Não é novidade que Damien Hirst tem mania de grandeza. O artista britânico é do tipo “ame ou odeie”. Depois de causar burburinho no ano passado com a megalomaníaca Treasures From The Wreck of The Unbelieveble, que ocupou dois museus em Veneza (ambos de François Pinault, fundador da Kering, conglomerado detentor da Gucci, Balenciaga, Saint Laurent, etc) e até rendeu um documentário que mostrou os bastidores da mostra, Hirst acaba de estrear sua nova exposição.

Desta vez em Norfolk, ocupando a Houghton Hall, mansão de estilo Palladiano construída no século 18 para o então primeiro ministro do Reino Unido, Sir Robert Walpole, onde já abrigou sua coleção de arte – uma das maiores do mundo – com obras de Rembrandt, Velásquez e Van Dyck.

Foto: Reprodução
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Damien Hirst at Houghton Hall: Color Space Paitings and Outdoor Sculptures retoma uma das séries mais conhecidas (e extensas) do artista. Color Space é uma espécie de continuidade da série (e suas variações) Spot Paintings, que Hirst começou em 1986 pintando suas icônicas bolinhas. “Matematicamente, com as Spot Paintings eu provavelmente descobri a coisa mais importante em qualquer tipo de arte: a harmonia de onde a cor pode existir por si mesma, interagindo com outras cores em um formato perfeito”, aponta. Para se ter uma ideia, em 2012 a Gagosian exibiu a série final com mais de 300 obras espalhadas por 11 unidades da galeria ao redor do mundo.

A novidade é que, segundo Mario Codognato, curador da mostra, as novas obras são uma resposta mais flexível e orgânica às pinturas da antiga série, além de terem sido concebidas como finitas e apresentarem regras rigorosas. “Elas vão literalmente substituir as obras dos antigos mestres de Houghton e estarão dispostas como se fossem a própria obra deles, porém de um jeito bem diferente de como estariam numa galeria ‘clássica’, por exemplo”, conta Condognato ao Guardian, destacando o contraste entre as obras de Hirst e o “esplendor histórico” das salas de Houghton.

Foto: Reprodução
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São 46 obras inéditas além das esculturas já conhecidas de Hirst, tais como “Caridade” (2002-3), “Mãe Virgem” (2005-6) e “Dor Requintada” (2006), que estarão dentro e fora, nos jardins da mansão. “Originalmente eu queria que os pontos parecessem que fossem feitos por humanos tentando pintar como uma máquina. Color Space vai atrás desse elemento humano, porém ao contrário de ter a falibilidade da mão humana nas ‘gotas’ e na inconsistência”, diz Hirst. “Não há sequer duas cores exatas que se repetem em cada pintura, o que é realmente importante pra mim. Penso nelas como células no microscópio. Pareceu-me certo, portanto, mostrá-las num lugar histórico em vez de uma galeria convencional”, reforça.

Todas as obras foram feitas à mão pela equipe do artista (cada um pintando cerca de 1500 pontos por dia) em seus três estúdios (Devon, Londres e Gloucestershire). Ao todo, são 4 milhões de bolinhas, com a maior pintura contendo 90.000.

A mostra, claro, dividiu opiniões, como tudo o que o artista faz. O jornal The Telegraph fez uma boa crítica dizendo que Hirst ainda é capaz de surpreender. Mas outros veículos, como NYT, não receberam a exposição com grande entusiasmo.

O evento também marca o lançamento de uma série de livros publicados pela editora Heni que compilarão as obras completas de Hirst. O primeiro é justamente o Color Space, com introdução de Ann Gallagher, diretora das coleções de arte britânica da Tate, que conta que a série Spot Painting, diferentemente da Color Space, foi concebida desde o princípio como uma série interminável.

Damien Hirst at Houghton Hall: Color Space Paitings and Outdoor Sculptures ficará em cartaz no Houghton Hall, em Londres, até 15 de julho.


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