29.08.2018 / Arte / por

Kusama Infinity: os detalhes do documentário fundamental sobre a artista japonesa

Yayoi Kusama / Reprodução
Yayoi Kusama / Reprodução

Uma das artistas mais valorizadas na arte contemporânea atualmente, a japonesa Yayoi Kusama, prestes a completar 90 anos, é tema de um documentário fundamental sobre sua vida e carreira: Kusama Infinity. O filme dirigido por Heather Lenz estreou em Sundance no início do ano e chega aos cinemas americanos na próxima semana, em 7 de setembro. A diretora também irá coloca-lo em breve na plataforma de streaming Hulu.

Nós sabemos da obsessão de Kusama por bolas e também já lemos ou ouvimos falar sobre seus problemas psicológicos e mentais, mas o documentário cumpre seu papel e vai muito além da superfície para mostrar um retrato intenso de uma mulher que, por muito tempo, viveu isolada e sozinha.

O longa mostra a artista desde o início da carreira, as barreiras que quebrou, os sacrifícios que fez e os caminhos que percorreu para se tornar respeitada. Yayoi lutou contra o sexismo da época e também enfrentou uma depressão muito forte que culminou numa tentativa de suicídio. Uma das pérolas do filme é conhecer sua relação pupilo-mestre com a pintora Georgia O’Keeffe, que a aconselhou a ir para os EUA e levar sua arte junto. “Transformei meu trauma em arte”, diz a artista.

Yayoi nasceu e cresceu no Japão durante a Segunda Guerra Mundial em uma familia disfuncional que desencorajava totalmente suas ambições criativas. Por décadas, seu trabalhou a afastava tanto de seus colegas quanto das pessoas que tinham poder no mundo da arte. Mesmo com tudo isso, ela criou um legado que abrange pintura, instalação, escultura, performance, poesia e até roupas, em colaborações com marcas como Louis Vuitton. “Kusama é uma combinação maravilhosa entre sensibilidade e o poder que vem com o sucesso. Passar um tempo com ela foi um privilégio”, diz Lenz.

Heather Lenz e Kusama / Reprodução
Heather Lenz e Kusama / Reprodução

A diretora começou a escrever o roteiro há 17 anos e, neste processo, encontrou similaridades entre o sexismo que Kusama encarou nos anos 50 e 60 e o que ela própria – e muitas outras mulheres – enfrentam em Hollywood ainda hoje. “As mulheres não recebem o mesmo respeito por seu trabalho e, como resultado, precisam trabalhar muito mais. Ainda há bastante progresso para acontecer”.

Yayoi Kusama finalmente encontrou o sucesso nos anos 90 através da energia de suas obras com bolinhas, especialmente seus incríveis infinity rooms que inundam o Instagram e acabaram virando uma espécie de paraíso para selfies. Se apenas o trailer já agrega imagens maravilhosas de arquivo, o filme completo promete ser uma joia rara e um mergulho intenso na cabeça dessa mulher tão forte e perseverante.

 

 


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