01.02.2019 / Arte / por

Ram Han: a jovem artista coreana que mistura nostalgia, sonho, cultura pop e feminismo

Ram Han / Reprodução
Ram Han / Reprodução

Os desenhos digitais da artista coreana Ram Han parecem tirados de um mundo de sonhos ou fantasia. Mas por trás dos elementos surrealistas ou das flores e cores que adornam cada arte, há uma preocupação em retratar sentimentos mais profundos da mulher, especialmente na época atual na Coréia em que as mulheres são vítimas das câmeras escondidas que a fotografam em banheiros públicos, quartos de hotel, escolas e estações de metrô. As fotos são então postadas, causando danos irremediáveis e muitas vezes o suicídio das mulheres que são expostas. “As coreanas estão muito preocupadas com câmeras escondidas. Esse é um medo comum que temos enfrentado já faz um tempo”, diz a artista em entrevista à i-D.

Desenhos e e programas de cultura pop que Ram assistia nos anos 90 também servem de inspiração e é de onde ela tira muitas cores e texturas para seus desenhos. “Gosto de pensar em como eu posso reconstruir as memórias antigas da cultura pop com a qual cresci”, disse ao site It’s Nice That. Essa veia pop também pode ser vista em capas de álbuns e revistas, como por exemplo, a arte que criou para o grupo de K-pop Red Velvet ou para a Don’t Panic Magazine. 

Mas a sexualidade presente em seu trabalho é um reflexo do olhar masculino. Ela está se apropriando da perspectiva masculina para expressar suas próprias experiências enquanto mulher. “Minhas fantasias sexuais sempre foram orientadas pelo homem desde muito jovem porque fui exposta e influenciada por uma mídia que também era feita por homens e para homens”.

Desde o início, suas emoções são representadas nos desenhos. “Nos primeiros trabalhos, cada uma das figuras femininas representava um sentimento meu, mas agora tenho uma perspectiva mais feminista e quero retratar os corpos das mulheres de outra maneira, mostrando como nós nos sentimos em um nível mais profundo”.

Esse lado do seu trabalho foi profundamente inspirado pelo feminismo crescente na Coréia e que começou há cerca de dois anos com um movimento nas universidades que resultou na prisão de professores e membros das faculdades e na expulsão de alunos. As histórias de assédio e abuso dentro do ambiente escolar começou a ganhar proporção e artistas e estudantes de arte perceberam que se ficassem em silêncio, poderiam abrir espaço para mais vítimas.

 

Hoje, com 27 mil seguidores no Instagram, Ram Ham é uma voz sólida não só na comunidade de jovens artistas, mas também para as mulheres. “Minhas pinturas são como se eu estivesse escrevendo um diário, mas em vez de escrever frases, exploro minhas emoções e questões relacionadas à mulher através da arte”.


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