15.09.2017 / Business / por

CEO e co-fundador da Reserva, Rony Meisler narra a trajetória da marca em novo livro e fala sobre criatividade e empreendedorismo ao FFW

Rebelde com asa: Rony Meisler, CEO e co-fundador da Reserva ©Cortesia
Rebelde com asa: Rony Meisler, CEO e co-fundador da Reserva ©Cortesia

Coragem e curiosidade foram o que bastaram para Rony Meisler e seu sócio Fernando Sigal, darem um pontapé despretensioso e promissor. Com a mera ambição de fazer uma marca de bermudas de praia, os dois fundaram a Reserva e mal podiam imaginar que dez anos depois a marca teria o sucesso comercial que tem hoje e, mais ainda, que seria eleita uma das empresas mais inovadoras do mundo pela revista Fast Company, por “seguir seu próprio caminho e encorajar que todos façam o mesmo”. Os desafios, surpresas e triunfos ao longo dessa trajetória são narrados por Meisler em parceria com o jornalista e amigo da marca Sergio Pugliese no livro Rebeldes Têm Asas, lançado este mês pela Editora Sextante. Inspirados por essa história, conversamos com Rony, CEO do Grupo Reserva, sobre o livro, criatividade e os desafios de empreender no Brasil.

De onde surgiu a ideia ou o desejo de escrever um livro contando a sua trajetória?

Eu estava voltando de Israel pro Rio com meu irmão depois do nosso avô ter falecido lá e durante o voo, relembrando a nossa história, infância e os laços com o meu avô, percebi que estava começando a esquecer todas as coisas que tínhamos feito até então. Comecei a escrever com a única intenção de deixar as nossas memórias registradas. Só depois eu fui perceber que essa era uma maneira também de manter a história da Reserva viva e passar a diante tantas coisas que aprendi durante esses 11 anos de empresa.

Além de um registro da história da Reserva, o que você almeja alcançar com a publicação de Rebeldes Têm Asas?

Se pensarmos em tudo o que vivemos em apenas dez anos, chega a ser surreal. E isso é só o começo! Estamos muito no início do que a Reserva irá se tornar. Entendo que o livro seja mais do que um simples relato, acredito muito no potencial de incentivo para que as pessoas não desistam dos seus sonhos, não desistam de empreender, não desistam do que acreditam! Somos a prova viva de que ter paixão e vontade muitas vezes supera o conhecimento. A gente fez acontecer na marra! Suamos, escorregamos, mas também vibramos, comemoramos em muitos momentos… O importante é fazer dar certo!

Quais são os desafios de empreender no Brasil hoje? 

Empreender já é um desafio absurdo e é preciso coragem, amor pelo que faz. No Brasil empreender não é só quebrar as barreiras do medo, de entrar de cabeça no novo, de iniciar um novo projeto, mas aqui também esbarramos em muita burocracia, impostos altíssimos, enfim, tem uma barreira quase limitadora e quem não está preparado para esses desafios acaba ficando pelo caminho. Principalmente o mercado da moda esbarra em questões delicadas. Financeiramente falando é muito mais barato fazer as produções no exterior, por inúmeros motivos, mas a Reserva não só preza a qualidade como faz questão de produzir praticamente tudo no Brasil. Fiscalizamos as etapas de produção para garantir que tudo seja feito de forma mais sustentável possível. Queremos valorizar o Brasil, fazer o dinheiro girar aqui, apesar de todas as dificuldades. Pagamos um preço muito alto sim, mas temos um mega orgulho de valorizar o que é nosso!

Rebeldes Têm Asas (Ed. Sextante)/Cortesia
Rebeldes Têm Asas (Ed. Sextante)/Cortesia

Você pode comentar um pouco sobre o papel da rebeldia como catalisador de sonhos e novas ideias?

Rebelde, apesar de muitos olharem como um adjetivo ruim, para nós é um orgulho! De fato nos consideramos rebeldes. Não somos conformados, e isso é o que nos move, o que fez a gente apostar numa ideia e levar adiante. Fez a gente se destacar. Se a gente parasse no primeiro não, nada disso teria acontecido. A Reserva é pura rebeldia. É não aceitar o status quo. É uma caminhada eterna de bater de frente com os problemas e sair atropelando. Atropelando da melhor forma, claro. Sabemos que existem problemas, que nem tudo vai sair sempre como esperado, mas acreditamos muito no poder do erro. Erramos sim, mas aprendemos. Temos liberdade para errar, o que tira da gente o medo de arriscar.

Como você enxerga a relação entre criatividade e empreendedorismo? Muita gente coloca que às vezes é preciso sacrificar um ou outro para ter sucesso ou permanecer verdadeiro a uma visão.

Não acho que tenha que ser sacrificado, de jeito nenhum. Sei que muitas empresas visam somente a performance, pensam sempre em números, números, números. Chega uma hora que realmente a criatividade acaba sendo deixada de lado e tudo começa a fluir de forma mecânica, sem sentimento. Somos o oposto, nadamos mesmo contra a maré nesse sentido e acho que é isso que diferencia a gente. Temos paixão em tudo que fazemos, o resultado é pura consequência. A gente se preocupa muito em manter um clima organizacional propício à criatividade. Nossos colaboradores são parte da família Reserva, nosso ambiente de trabalho é o melhor possível, queremos que eles se sintam bem pra criar. E todos têm a liberdade de dar qualquer ideia, opinião, a qualquer momento. É muito bom não criar uma hierarquia de conhecimento, acreditamos que as pessoas se complementam e é isso que diferencia. Somos verdadeiros ao que somos apaixonados pelo que fazemos.

Qual a sua ideia de moda, nesse sentido? Você a enxerga como uma ferramenta social e criativa?

Pensar na moda como um mero negócio lucrativo é subestimar muito esse universo. A moda pra gente é um canal que encontramos para comunicar nossas verdades, o que acreditamos, e com ela a gente consegue transformar. A gente estampa camisetas com frases reflexivas, fazemos campanhas que fazem com que as pessoas repensem pré-conceitos, usamos a moda para comunicar e também com objetivo social. Um dos nossos maiores orgulhos é o projeto 1P5P, que doamos cinco pratos de comida pra quem tem fome no Brasil a cada peça de roupa vendida. A gente tem um propósito muito maior por trás da “marca brasileira de moda masculina”.

Você acha que afetividade nos negócios, especialmente na moda, é um caminho possível para alcançarmos um modo de empreender mais humano?

Não somos uma marca que vende roupa para pessoas, somos uma marca de pessoas que vendem roupas. Pode soar parecido, mas é totalmente diferente. A gente coloca a relação humana acima de qualquer coisa. Somos muito gente! Não fazemos isso de forma pensada, apenas somos assim, agimos assim. Tudo flui melhor no amor, na empatia. O relacionamento com todos os nossos stakeholders é baseado na empatia, em saber que antes de qualquer vínculo, hierarquia, ou qualquer coisa, estamos lidando com um ser humano, e somos todos iguais. A moda carrega ainda um pré-conceito de uma galera que atua em um nível superior, que se acham intocáveis. A Reserva chegou para humanizar, para democratizar a moda principalmente na forma de atuação. Isso é visível não só nos nossos colaboradores, no clima da empresa, como na nossa campanha e até no mote das nossas coleções.

Campanha do projeto social Rebeldes com Causa que deu visibilidade a 11 ONGs diferentes, estampando fotos de seus fundadores nas vitrines das lojas em 2014/Reprodução
Campanha do projeto social Rebeldes com Causa que deu visibilidade a 11 ONGs diferentes, estampando fotos de seus fundadores nas vitrines das lojas em 2014/Reprodução

Qual o seu conselho para quem quer empreender, especialmente em moda?

Curiosidade e Coragem. Ter a capacidade de se reinventar, de driblar as dificuldades, ter humildade suficiente para aprender ao longo do caminho e não desistir do seu sonho! Fazer com amor porque acredito que só fazemos bem feito o que realmente amamos. A gente pode tentar se doar ao máximo a um projeto, mas se não estivermos 100% conectados a ele, não daremos o nosso melhor. Tem que ter paixão, entrega, e não pensar no resultado como o fator principal. O resultado tem que ser consequência! O caminho do empreendedorismo está longe de ser fácil, mas depois que você olha pra trás e vê tudo que foi construído, dá um baita orgulho! E é isso que alimenta a vontade de sempre querer fazer mais.

No livro, você menciona 7 pontos que refletem a filosofia da Reserva. Você sempre teve isso muito claro desde o início ou foram ideias desenvolvida aos poucos?

Nada foi previamente estabelecido, tudo foi sendo construído ao longo do caminho. Nossa filosofia literalmente é “é caminhando que se faz o caminho”. Nossa identidade foi sendo percebida ao longo do tempo, fomos aprendendo, fomos nos redescobrindo.

Como você define a Reserva hoje? 

A Reserva é uma empresa de comunicação que por acaso, vende um produto. Encontramos na moda um veículo para fazer isso. A tecnologia é uma aliada, só joga a favor. Investimos nela porque acreditamos na otimização dos processos e, principalmente, na comodidade dos nossos clientes. Não tem como o mundo evoluir e não acompanharmos a evolução. Somos uma marca jovem, de vanguarda, esse é o nosso estilo.

Imaginamos que o processo de escrita deste livro deve ter causado reflexão. O que você almeja para o futuro do Grupo Reserva?

Claro, revisitamos muitas coisas que hoje faríamos de forma diferente por termos amadurecido como pessoas e marca. Acho que não só em termos de novos horizontes, mas plantou uma empolgação ainda maior de criar, desenvolver, buscar, enfim, fazer acontecer! Se em dez anos já passamos por tudo isso, agora precisamos e queremos fazer muito mais. Somos inconformados. Sabemos que estamos em um ótimo momento, que a gente se orgulha muito, mas sabemos que para quem tem paixão e brilho nos olhos como nós, o céu é o limite! E é isso que vamos fazer. A Reserva não vai se limitar. A gente não quer se definir, a gente quer poder ousar, testar o novo. Com certeza o futuro que imagino para a Reserva ainda será pouco diante do que podemos e iremos nos tornar, assim como eu não imaginava há dez anos tudo isso que estamos vivendo hoje. Só temos uma certeza: não vamos parar jamais! Mas por enquanto, sem spoilers sobre o nosso futuro [risos].

 


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