23.03.2018 / Business / por

Em extinção no Ocidente, mercado de peles da China só cresce e representa 90% das vendas globais

Na mira do PeTA, Fendi é uma das últimas grandes marcas a ainda apostar no uso de peles em todas as coleções ©Reprodução
Na mira do PeTA, Fendi é uma das últimas grandes marcas a ainda apostar no uso de peles em todas as coleções ©Reprodução

Ainda que com proibições recentes e anúncios de grandes marcas como Versace e Gucci banindo o uso de peles em suas coleções, regiões do mundo como a China ainda movimentam cifras consideráveis com o produto. O pior? As vendas só crescem. Segundo o jornal South China Morning Post, 50 milhões de animais são mortos anualmente pela indústria da pele.

De acordo com a Federação Internacional de Peles, a “matéria-prima” movimentou, ainda no ano passado, mais de U$17 bilhões só no país asiático. Como comparação, países como Rússia e Estados Unidos fazem US$ 5 bi em vendas.

A extensa lista de marcas que já baniram peças com pele inclui ainda Tom Ford, Michael Kors, Armani e Hugo Boss. Isso não quer dizer que as grifes não enfrentaram centenas de protestos e ações de grupos ecológicos. Somente o PeTA, sediado nos Estados Unidos, já foi responsável por invasões a desfiles, palestras, uma torta na cara de Anna Wintour em Paris e muitas outras ações.

Ativistas do PeTA invadem palestra da Michael Kors no ano passado
Ativistas do PeTA invadem palestra da Michael Kors no ano passado, antes do anúncio anti-fur da marca.

Na última terça-feira (20.03), São Francisco se tornou a maior cidade americana a proibir definitivamente o comércio e a produção de peles. A partir de 2019, a lei se torna definitiva e quem for pego violando a regra pagará multa de até US$ 500 por peça.

Enquanto o Ocidente parece se familiarizar com o combate à crueldade animal, o mercado chinês ainda caminha a curtos passos rumo ao uso de peles falsas e à conscientização do consumidor.

Na cidade industrial de Haining, berço da indústria de couros e peles no país, a ideia das peles fakes ainda começa a ser introduzida. Haining produz 50% de todos os produtos de couro e pele feitos na China.

O consumidor chinês ainda vive uma ideia de luxo que não representa mais o padrão atual. Não é à toa que lotam as boutiques das mais caras grifes da Europa e mantêm o mercado aquecido mesmo em tempos de recessão. Segundo Wang Honghui, diretor do que ficou conhecido como Haining China Leather City, diz que vê pouca razão para esperar o mercado de peles esfriar, já que o consumidor chinês nutre um caso de amor com a pele. Wang estima que os chineses respondem por 80 a 90% das vendas globais de pele.

Agora, parece ser só questão de tempo para que os mesmos grupos ambientais que têm trabalhado para erradicar essa indústria nos EUA, migrem para a China de olho na conscientização de todo o mercado asiático.


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