16.08.2018 / Cinema / por

BlacKkKlansman: a história, o figurino e o trailer do novo filme de Spike Lee

Os personagens Flip e Ron, do filme BlacKkKlansman, de Spike Lee / Reprodução
Os personagens Flip e Ron, do filme BlacKkKlansman, de Spike Lee / Reprodução

O novo filme de Spike Lee, BlacKkKlansman, estreou há menos de uma semana nos EUA (chega por aqui em novembro) e está causando nas pessoas a sensação que o diretor provavelmente gostaria que causasse: desconforto.

A trama, que venceu o Grand Prix em Cannes, é baseada na história real de Ron Stallworth (John David Washington, filho de Denzel Washington), o primeiro policial negro a se infiltrar na Ku Klux Klan com a ajuda de seu parceiro Flip (Adam Driver) nos anos 70. Enquanto Ron fica no trabalho de inteligência, Flip vai pra ativa se encontrar e se aproximar dos membros do grupo. Alguns dos momentos de perder o fôlego estão nessa relação, não apenas quando desconfiam de Flip, mas também ao ver os discursos de ódio de David Duke (Topher Grace), mestre do Klan. Desta maneira eles conseguem chegam aos níveis mais altos da organização para frustrar a tentativa do grupo de tomar a cidade de Colorado Springs.

O figurino do filme ficou a cargo de Marci Rodgers, colaboradora antiga de Spike Lee. Ela pesquisou filmes como os clássicos Nascimento de uma Nação e O Vento Levou, ambos referenciados pelo diretor. Ela também visitou a universidade onde Kwame Ture estudou e se encontrou diversas vezes com Ron Stallworth.

Para recriar o conflito, Lee traz para sua história os ativistas negros cruciais nos movimentos da época e da cultura negra como um todo, como Kwame Ture (Corey Hawkins). A personagem Patrice, apesar de ser fictícia, é inspirada em Angela Davis e Kathleen Cleaver, ativistas ligadas ao grupo Pantera Negra. “Vesti Patrice em várias texturas de preto porque não queria que ela ficasse ‘flat’ na tela. Misturei camurça, couro com outros tecidos e acessórios de prata e bronze”, diz.

Ron e Patrice / Reprodução
Ron e Patrice / Reprodução

Mas um dos momentos mais delicados em seu processo foi compor o guarda-roupa de David Duke. “Quando estava pesquisando o Klan, tive que deixar minhas emoções de lado – sou uma mulher afro-americana – e olhar através de um ponto de vista artístico para que eu pudesse trabalhar esses personagens”, disse à i-D. Rodgers viu fotos, documentários e estudos sobre o movimento e notou que sempre havia um propósito de seduzir através das roupas. Duke, por exemplo, estava sempre impecável em seus ternos de três peças num esforço de parecer sedutor.

Já o estilo cool de Ron, ela seguiu as orientações do próprio, que a ensinou como ele usava alguns acessórios estrategicamente para refletir a linguagem das ruas.


Em Cannes, BlacKkKlansman foi ovacionado por seis minutos e muitos críticos dizem ser a melhor produção do diretor desde Faça a Coisa Certa.

Vale mencionar que o longa tem uma música inédita de Prince, Mary Don’t You Weep. Os dois eram amigos e já haviam trabalhado juntos em mais de uma ocasião.

Mais do que uma reconstrução de uma história e uma época, o desconforto causado pelo filme chega ao ápice quando Spike Lee deixa as suas próprias imagens de lado para mostrar cenas da marcha de supremacistas do grupo Unite the Right, em Charlottesville, exatamente há um ano – a data de estreia do filme foi proposital para relembrar Charlottesville. A sensação de que, 40 anos mais tarde, pouco mudou é triste. “Não é um filme só sobre os anos 70, é também sobre o mundo em que vivemos hoje”, diz Spike Lee.

 


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