Filme Rede de Ódio, do Netflix, é retrato fiel do ódio que habita as redes sociais

Tomasz (Maciej Musialowski) no filme Rede de Ódio, da Netflix. foto: reprodução
Tomasz (Maciej Musialowski) no filme Rede de Ódio, da Netflix. foto: reprodução

Por Luiz Henrique Costa

Talvez tenha passado injustamente despercebido o excelente “Rede de Ódio” adquirido recentemente pela Netflix e dirigido pelo polônes Jan Komasa (que dirige também o ótimo Corpus Christi, outro trabalho bastante interessante).

Em Rede de Ódio (The Hater, 2020) somos apresentados a Tomasz (Maciej Musialowski), um jovem calculista e dono de uma inteligência acima da média, ambicioso e sem qualquer sinal de escrúpulo.

Após ser expulso da universidade por um motivo onde o roteiro já sinaliza a falha de caráter do personagem, ele vai trabalhar em uma espécie de agência que funciona na prática como um gabinete do ódio. Uma fábrica de mentira para destruir a imagem de opositores. E é aí que Tomasz revela verdadeiramente a sua face. Ele sente prazer no que faz, destilando toda a sua frustração em criar fake news, mentiras, alimentar desinformação para qualquer cliente do seu gabinete.

Não poderia ser diferente: aos poucos Thomaz é sugado totalmente para uma nova dimensão, onde só existe o digital, a total desconexão com a realidade. É interessante e perturbador perceber como qualquer mentira pode ser defendida e disseminada com incrível facilidade quando elaborada por mentes perigosas como a de Tomazs.

Me pego pensando em situações tão complexas e atuais que nascem da premissa do surgimento do hater, esse personagem tão vivo e atuante na nossa rotina digital e que ganhou muita força por aqui, talvez com mais evidência no processo eleitoral de 2018, e pode ser letal em assuntos essenciais para a manutenção da vida humana, como quando cria inverdades sobre a vacina anti-Covid 19 pautada em estudos científicos sérios e verificáveis, ou alimenta absurdos como de que vivemos em um planeta plano.

Outra ramificação perigosa do hater e de como as redes podem ser tóxicas me surge ainda a política do cancelamento. Recentemente, na atual edição do Big Brother Brasil, um dos participantes foi “cancelado” internamente por todos os demais. Lucas Penteado cometeu um erro durante uma das festas, se arrependeu e se desculpou. Nada disso serviu para que uma parcela dos integrantes da casa seguisse torturando psicologicamente e promovendo um linchamento do jovem que devem provocar danos que ficarão cicatrizados na sua confiança.

Ou, ainda, o impacto do ódio destilado por esses haters e que fazem pessoas como a influenciadora digital Liliane Amorim, que morreu no ultimo dia 24, procurar por procedimentos cada vez mais agressivos ao próprio corpo.

Minar os Tomasz que existem aos montes por aí é uma árdua tarefa e que depende um pouco de cada um de nós em pequenos gestos de empatia, solidariedade e, claro, baseados na leitura de textos e fontes sérias de informação.

O ódio não pode e não vai vencer.


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