23.08.2016 / Comportamento / por

Estética do heavy metal inspira moda, de Vetements a linhas de Justin Bieber e Kanye West

Peça da colaboração da Fear of God x Purpose , tour de Justin Bieber ©Reprodução
Peça da colaboração da Fear of God x Purpose , tour de Justin Bieber ©Reprodução

Para criar o logo do Iron Maiden, Steve Harris, baixista e fundador da banda, se inspirou no pôster do filme “O Homem que Caiu na Terra”, com David Bowie. Avança para 2012 e Nicolas Ghesquière olha para o logo do Iron para fazer o top Join a Weird Trip na Balenciaga. Em 2013, Kanye West apresentou o emblema de sua turnê Yeezus, criado pelo artista Wes Lang e com clara influência do Metallica, em negrito e com as pontas afiadas.

Apesar de o heavy metal ter construído um estilo próprio, com estética facilmente identificável, a moda nunca flertou muito com essa cena – sempre preferiu o punk, o rock, o mod, o grunge. De uns tempos para cá, a estética metal se fez presente e pode ser vista em peças de Vetements ao merchandising de Justin Bieber para a tour Purpose.

No desfile da Vetements de Inverno 16/17, Demna Gvasalia fez peças com símbolos como pentagrama e caveiras e as letras típicas do metal, em vermelho sangue. Poucos dias depois, a Supreme, ícone do streetwear, lançava uma coleção colaborativa com o Black Sabbath. Três meses mais tarde, Justin O’Shea, então novo diretor criativo da tradicional Brioni, anuncia as estrelas de sua primeira campanha para a marca italiana: a banda Metallica. O logo é recriado em uma fonte gótica.

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Vetements Inverno 16 ©Agência Fotosite

Mas foi com Kanye West e Justin Bieber que essa onda pegou fogo e chegou até as araras de redes fast fashion como a Forever 21, que bebeu das peças criadas para a turnê “The Life of Pablo”, de Kanye. Artistas respeitados dessa subcultura são chamados para criarem os logos e o design das linhas. O americano Cali Thornhill DeWitt fez para West escritos em letras góticas como os que víamos em camisetas que eram vendidas na entrada de shows de bandas de metal nos anos 80 e 90.

Cali tem uma longa história com a música desde adolescente, mas vale destacar que ele foi roadie de Courtney Love, babá da Frances Bean Cobain e apareceu de drag na capa do CD “In Utero”, do Nirvana. Ele também trabalhou com Virgil Abloh, da Off-White, em umas instalações para a Dover Street Market no Japão. Abloh colabora com Kanye e o apresentou a Cali. E como Kanye não deixa passar nada em branco…

Já Bieber convidou Jerry Lorenzo, da marca de street wear Fear of God, para assinar as peças que acompanham a tour “Purpose”. Apesar de Lorenzo ser bem respeitado na cena street, a linha que fez é uma mistura óbvia de Vetements com camisetas tradicionais de metal. “Não sou o maior fã do gênero, mas respeito a música e gosto da estética associada a ele. Não vejo nenhum problema em pegar algo de uma cena de nicho para uma mega estrela pop usar”, diz o designer.

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Linha de Justin Bieber para a turnê Purpose ©Reprodução

Já vimos Rihanna usando camiseta do Judas Priest, Lady Gaga do Iron e Sky Ferreira do Motorhead. Kendall Jenner escolheu vestir uma com o Slayer estampado. O guitarrista da banda, Gary Holt, preferiu uma t-shirt em que se lia: Kill the Kardashians.

Brincando com tudo isso, a marca francesa Modern Man lançou uma linha de camisetas inspirada na estética heavy metal e das camisetas vendidas em portas de show. No lugar dos rostos do Metallica ou do Iron Maiden, estão Demna Gvasalia, Rick Owens, Gosha Rubchinskiy e Phoebe Philo. O estilista Colin Torvino diz que a ideia é pegar personagens que são símbolos de bom gosto e propriedade intelectual e aplicá-los a uma t-shirt que as pessoas podem comprar. A coleção está à venda no site da marca por US$ 90.

A moda sempre olhou para as subculturas e a geração de estilistas atual cresceu sob o impacto das bandas de metal, mas há dois pontos para refletir: um é uma conveniência, o fato de grupos como Sabbath (com Ozzy Osbourne) e Iron Maiden estarem encerrando ou iniciando longas turnês internacionais. É inegável que uma peça ligada a qualquer celebridade, seja ela um deus do metal ou do pop, é fácil de emplacar. No caso da Supreme, questionou-se na época a legitimidade da parceria, uma vez que o Black Sabbath pouco ou nada tem a ver com a cultura do skate ou do street wear.

Se é onda passageira, apenas mais uma nova tendência ou um bom marketing, não se sabe. Nem sempre a moda faz sentido, característica que cai muito bem nesses tempos de tanta previsibilidade.


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