02.02.2017 / Comportamento / por

Museum Transology: a maior exposição com objetos de transexuais do Reino Unido

Um dos objetos exposto na mostra ©Katy Davies/Reprodução
Um dos objetos exposto na mostra ©Katy Davies/Reprodução

Segundo o jornal britânico The Independent, a polícia do Reino Unido alegou um crescimento de 170% em crimes de ódio transfóbicos durante o verão do ano passado, número que dobrou sobretudo nos últimos cinco anos. Uma em cada três pessoas transexuais relatou ter sofrido ataques e/ou ameaças mais de três vezes nos últimos doze meses.

E-J Scott é transexual, historiador da moda e pesquisador da história queer. Ele já trabalhou no Setor do Patrimônio de Londres e lá pôde perceber que, somado ao ódio gratuito e desenfreado contra as pessoas trans, nenhum museu e galeria abordava a história delas.

Sua própria experiência da cirurgia de mudança de sexo, quando guardou alguns objetos que narram por si só este momento, foi o ponto de partida para a mostra Museum Transology, no Fashion Space Gallery do London College of Fashion, cujo objetivo é questionar o princípio de gênero e dar visibilidade aos transexuais.

“Eu guardei tudo, da minha toalha às roupas que usei no hospital, os recipientes nos quais eu tomava os medicamentos às seringas de morfina – tudo, o kit completo”, disse em entrevista ao The Independent. A partir daí, surgiu a ideia de reunir objetos pessoais e significativos das pessoas que também passaram pela mudança de sexo – artefatos do cotidiano que compartilhassem temas como desespero, esperança, ambição, realização, autoconfiança, sucesso e emoção. Então ele solicitou para que lhes enviassem qualquer objeto de cunho afetivo juntamente com uma etiqueta escrita a próprio punho explicando qual é a importância daquele objeto para cada um.

©Katy Davies/Reprodução
©Katy Davies/Reprodução

“Isso protege a história dos objetos; são artefatos do dia a dia que possuem vozes genuínas e autênticas atreladas a eles”, disse Scott à i-D. “Eles não podem ser separados, um curador cisgênero não pode escrever por eles. Eles também devem ter seus espaços na galeria”.

Assim, ele produziu a maior coleção de artefatos trans do Reino Unido ao reunir mais de 120 objetos – dos mais variados possível, de batons, próteses e sapatos a partes do corpo pós-operatório. “Esses artefatos não tornam espetacular a ideia do corpo trans tentando alcançar um tipo de cópia de sucesso costurada num manequim cisgênero”, explica sobre a obsessão e o fetichismo dos corpos trans. “São os corpos de pessoas reais e são acompanhados por histórias reais”.

A mostra também conta com imagens do fotógrafo Bharat Sikka, filmes e documentários do ator de filmes adulto Buck Angel e do artista Grayson Perry, ambos transexuais.

Museum Transology estará em cartaz no Fashion Space Gallery, do London College of Fashion, até 22 de abril.


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