17.10.2019 / Comportamento / por

Projeto Estufa: Rafaela Lotto, do YouPix, comenta a importância de fomentar novos criadores

Rafaela Lotto - Head of Planning da YouPix

Por Nicollas B.

Atualmente, vivemos a era mais conectada de todos os tempos, espelhando e fazendo recortes de nossas vidas para as redes sociais, criando narrativas e contando histórias de um jeito nunca antes visto. Da mesma forma que a internet contribui, de certa forma, para a democratização da informação, ela também faz com que mais pessoas tenham voz ativa em assuntos que podem atingir milhares – ou até milhões – de pessoas. Este foi o viés da palestra de Rafaela Lotto, do YouPix, na programação do Projeto Estufa, que aconteceu durante o SPFW N48.

Nesse cenário, divide-se o alcance entre macro e microinfluenciadores, sendo que esses últimos dedicam-se à criação de conteúdo direcionado a um nicho específico. A sensação de proximidade instiga, ao mesmo tempo em que inspira o espectador a virar também um criador. E é assim que muitos começam, com uma câmera de celular em mãos e uma ideia na cabeça. Dessa forma, surgem novas conversas e diferentes perspectivas sobre velhos assuntos, além de muito mais conteúdo alimentando diversas plataformas digitais. É o que acredita Rafaela Lotto.

“Os microinfluenciadores estão cada vez mais em pauta devido às suas narrativas. As comunidades que seguem essas pessoas são muito mais próximas, o que faz com que uma conversa real e quase personalizada seja estabelecida.”, diz a Head of Planning da YouPix, plataforma digital de pesquisa de tendência de comportamento na internet.

Relativamente novo, o mercado de criadores de conteúdo e influenciadores passa por um momento de profissionalização, uma vez que seus agentes começam a entender a precificação de seu trabalho. Além do valor agregado em suas opiniões, existem ainda critérios como custos de produção, de imagem e de divulgação que devem ser levados em consideração durante as negociações com empresas e agências.

Apesar de ser um setor crescente e que movimenta a economia de forma considerável, os criadores de conteúdo não contam com um sindicato para defender seus direitos, não possuem piso salarial, assim como também não há um teto. Dentro dessa lógica livre e sem amarras, resta a cada um o respeito pelos colegas de profissão e a ética, para que não haja uma desvalorização do profissional por parte dos contratantes.

Atualmente, 76% dos brasileiros declaram que seguem algum influenciador em suas redes sociais. Deste total, 48% citam os criadores como uma fonte de tomada de decisão na hora de comprar um produto. Os números são relevantes, considerando que redes como o Instagram contam com 66 milhões de usuários ativos no Brasil, país que ocupa a segunda colocação entre os que mais utilizam a plataforma.

Levando em conta que 53% da população mundial possui acesso a internet (4,021 bilhões de usuários), a quantidade de conteúdo criada diariamente é avassaladora. Do total de pessoas conectadas, 42% marca presença em algum tipo de rede social.

“Não conseguimos filtrar, tampouco consumir toda a informação que está disponível nas redes. A melhor forma de não se deixar levar pelo algoritmo é realizar uma curadoria de conteúdo.”, acredita Rafaela. “É preciso ter a capacidade de encontrar informações que estão além da sua bolha. Hoje, 90% dos brasileiros consomem somente a informação que chega até eles.”

Inspirados por uma geração que abriu caminhos e descobriu novas maneiras de expressar suas opiniões e gostos, cada vez mais novos criadores de conteúdo surgem no meio digital. Muitos deles são pertencentes à geração Z, um grupo de pessoas que cresceu em um mundo conectado. Esses criadores possuem causa e questionam aquilo que os incomoda. Buscam inclusão, representatividade, sustentabilidade e atuam dentro de uma lógica colaborativa.

“É importante fomentar novos criadores para que possamos dar voz a outras pessoas. Isso traz representatividade e um conteúdo feito de forma menos plastificada e formatada. Precisamos olhar para as narrativas que estão escondidas.” Essas histórias causam impacto dentro e fora das redes, se projetando em espaços físicos e gerando debates cada vez mais relevantes num âmbito social e ecológico.

“O digital tende a procurar espaços físicos para se projetar, justamente como um escape. Muitas vezes, o físico pauta o digital, então, o que é produzido no físico, acaba reverberando nas redes”, conclui Rafaela.

Os dados citados nessa matéria são provenientes de estudos feitos e divulgados pela agência YouPix, pelo site Hootsuite e pela agência americana We Are Social.


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