21.10.2019 / Comportamento / por

Representatividade e tecnologia encerram o Projeto Estufa no SPFW N48

Juliana Matos em "G.A.I.A. (Genderless Artificially Inteligent Agent)" | Agência Fotosite
Juliana Matos em "G.A.I.A. (Genderless Artificially Inteligent Agent)" | Agência Fotosite

Por Rodolfo Vieira

Na reta final do SPFW N48 e último dia de Projeto Estufa, a curadoria de masterclasses pertinentes à inovação tecnológica, sustentabilidade, comportamento e criatividade continuou a atrair a atenção do público que visitou o Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo. De conversas sobre “cidades criativas” e cases sustentáveis a representatividade negra e inteligência artificial tridimensional, a programação Estufa de quinta-feira (17) continuou a provocar interação e reflexão de uma plateia atenta ao futuro que se desenha.

Às 9h30, horário de início dos talks, a diretora da agência Garimpo de Soluções, Ana Carla Fonseca, abriu o debate “Cidade como plataforma de futuro” para falar sobre a capacidade inata ao ser humano de transformação e invenção de ideias inovadoras, apesar da “sociedade do cansaço” ser uma realidade atual – o termo apelida a publicação assinada, em 2010, pelo filósofo sul-coreano Byung-chul Han, e relembrada pela pesquisadora durante a apresentação.

Centrada, especialmente, na economia criativa das cidades, Ana aproximou todos a casos interessantes, como a aceleradora de inovação Mahuki — instalada no Museu da Nova Zelândia, que promove iniciativas inovadoras para museus e patrimônios culturais, geralmente, em crises econômicas — e ao da “árvore cantante”, escultura instalada em uma montanha, em Burnley, no Reino Unido, feita com tubos de aço empilhados de diferentes tamanhos e com buracos que reproduzem um som capaz de atrair até três mil turistas por mês à cidade, até então, esquecida do mapa pela falta de atrativos turísticos. “É a tecnologia sendo usada para nos aproximarmos do outro, não afastar”, pontua Ana.

"Árvore Cantante", dos arquitetos Mike Tonkin e Anna Liu | Divulgação
“Árvore Cantante”, dos arquitetos Mike Tonkin e Anna Liu | Divulgação

A aspa de Ana Carla perdurou na segunda masterclass “Tecnologia e nosso sonho de liberdade”, conduzida por José Borbolla, da Digital House. O especialista em data science alertou sobre os tempos, cada vez mais, tecnológicos que vivemos e questionou até que ponto a tecnologia é a “bala de prata da salvação”, uma vez que dados pessoais passam a ser vazados por novas iniciativas high-tech e as liberdades individuais são restringidas. “As pessoas são livros abertos nas redes, enquanto empresas e governo são cofres”, conta. A desigualdade social no Brasil também foi tema da conversa: “O avanço tecnológico pode ser maravilhoso, mas não beneficia todas as pessoas igualmente.”

Já durante a tarde, Elô Artuso, do Fashion Revolution, voltou ao Estufa para mediar “Moda, transparência e tecnologia: construindo relações de confiança”, composto por idealizadores de cases exemplares acerca de relações de trabalho transparentes e justas no mercado, são eles: Dari Santos (Instituto Alinha), Nelsa Nespolo (Justa Trama), Celina Hissa (Catarina Mina) e o estilista Renan Serrano. Referências em razão de suas iniciativas conscientes, Nelsa e Celina apresentaram o passo a passo por trás de seus empreendimentos a favor do consumo consciente e distribuição justa de renda, enquanto Dari falou sobre as condições precárias e exaustivas de trabalho na moda. “Não é sobre segurar uma placa uma vez ao ano, mas, sim, haver preocupação com quem fez suas roupas em todos os dias do ano”, concluiu.

Celina Hissa e Dari Santos no Projeto Estufa, do SPFW N48 | Agência Fotosite
Celina Hissa e Dari Santos no Projeto Estufa, do SPFW N48 | Agência Fotosite

A força da potência foi elevada à potência máxima na penúltima roda de conversa sobre representatividade negra, com a pesquisadora Danielle Almeida, Ana Carolina (A Visionária Lab), Renata Sbardelini (Projeto MAPA), Catarina Martins (MOOC) e Adriana Barbosa (Feira Preta). Traçando um panorama amplo sobre raízes afrodescendentes, Danielle escancarou o preconceito racial estrutural existente no país, ao passo que o mercado de publicidade representado por grandes marcas foi posto em discussão por Catarina, uma das integrantes do MOOC, que promove ações relacionadas a diversidade sob a ótica do jovem negro. “Como a comunidade negra se comunica?”, questiona. “A maioria das marcas não sabe se comunicar com a comunidade negra.”

Catarina Martins, do MOOC, em "Potência gera potência" no Projeto Estufa, no SPFW N48 | Agência Fotosite
Catarina Martins, do MOOC, em “Potência gera potência” no Projeto Estufa, no SPFW N48 | Agência Fotosite

Para arrematar os debates ligados à tecnologia, um discurso presidencial aos moldes do Projeto Estufa: G.A.I.A., uma inteligência artificial, esculpida em isopor e gesso, que ganhou vida no auditório do Pavilhão através da tecnologia 3D e live action. Apresentada como “espírito consciente e futura presidente do Brasil”, a criação, idealizada por Juliana Matos e Rudá Cabral, nasceu de um curta-metragem e tem por objetivo aquecer a discussão e “fazer pensar sobre o nosso futuro, que já está acontecendo e é acompanhado de diversas possibilidades, em breve, amplificadas em uma escala maior”, finaliza Juliana.


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