06.11.2017 / Cultura pop / por

Conheça o trabalho minucioso do coletivo alemão eBoy, conhecido como o "god father" da pixel art

Pixorama do Rio criado pelo eBoy / Reprodução
Pixorama do Rio criado pelo eBoy / Reprodução

No desfile de Verão 18 da Comme des Garçons, Rei kawakubo se apropriou de 10 obras de arte que estamparam seus vestidos, em um caos imagético que ela deu o nome de “multidimensional graffiti”. Um dos que mais chamou atenção, por sua complexidade de detalhes, foi uma versão pixelada da cidade de Londres, desenhada digitalmente usando mais de um milhão de pixels. Por trás da obra, está o coletivo alemão eBoy.

Não se trata de um novo grupo de designers. O eBoy existe desde de 1997 e é um coletivo formado por Kai Vermehr, Steffen Sauerteig e Svend Smital. Steffen e Svend moravam na Alemanha Oriental e não tinham acesso a games. Kai cresceu jogando videogame. Eles se conheceram em Berlim e se juntaram mais tarde, obcecados com a estética de videogames e computadores. “Na época ouvíamos muito Beastie Boys e gostávamos de eletrônicos, então o nome eBoys veio à tona”, diz Sauerteig, hoje com 49.

Desenho da cidade de Londres em vestido da Comme des Garçons Verão 18 / Agência Fotosite
Desenho da cidade de Londres em vestido da Comme des Garçons Verão 18 / Agência Fotosite

Essa foi a segunda colaboração deles com a marca japonesa. Em 2012, o trio criou um lenço gigante com uma renderização em 2d da cidade de Paris. A esse trabalho, de criar cidades pixeladas, eles dão o nome de Pixorama – e há diversas delas, como Rio, Nova York, Berlim e Tóquio.

Foi esse trabalho complexo e minucioso que tornou o grupo conhecido como o god father da arte em pixel. “Leva cerca de três meses pra finalizar uma paisagem urbana bem detalhada, com três de nós trabalhando o dia todo”, contam. Por isso que hoje essas cidades levam mais tempo para sair, já que o coletivo tem uma série de trabalhos e entregas para fazer na paralela. Sua lista de clientes inclui marcas como Adidas, Air France, Amazon, Coca-Cola, Google, The Guardian, Honda, L’Oreal, Nestle, The New York Times Magazine, Nike, PlayStation, Red Bull, Renault… Na moda, trabalharam com Diesel, DKNY, Levi’s, Paul Smith e Replay, além da CdG.

O trio criou o eBoy como uma resposta DIY ao mundo da arte nos anos 90. “Naquela época, era muito difícil ser um artista se você não fizesse parte de uma galeria ou do convívio com curadores e colecionadores”, contam à Dazed. O avanço da internet também ia mudando as coisas para eles. “Antes nosso trabalho dependia de ter uma pessoa só pra fazer isso, tínhamos sempre problemas budget. Então, com veio a internet, sempre evoluindo, e de repente podíamos fazer exposições online e todo mundo podia acessar e conhecer nosso trabalho”.

eBoy and the perfection of pixels from The Verge on Vimeo.

Eles começaram a trabalhar com pixel porque gostavam da ideia de criar imagens apenas para a tela. “Além disso, manipular pixels é divertido e você é forçado a simplificar, o que é uma grande vantagem dessa técnica”. Mas hoje, a maior parte de seus trabalhos é impressa em algum material e não serve só às telas de computador – estão em roupas, tênis, revistas, brinquedos, capas de disco, pôsters – o que nos permite ver os detalhes e a complexidade do trabalho.

Para criar, suas influências vêm principalmente da cultura pop, como comerciais de TV, Lego, brinquedos, games, carros, robôs e supermercados. E apesar de tanto avanço tecnológico à disposição hoje, eles se mantém fieis às raízes. “Muitas mudanças aconteceram com a tecnologia, mas nós ainda estamos aprimorando o que aprendemos no início”.


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