02.08.2019 / Cultura pop / por

Marcas de luxo e lifestyle aderem cada vez mais à arte de rua como mídia

Há tempos que a área de Shoreditch, em Londres, atrai pessoas que querem ver os grafites espalhados pelos muros do bairro. Mas hoje, em meio a obras de Banksy e Mr Cenz, há também murais gigantes comissionadas por marcas como Gucci, Swatch e Christian Louboutin.

Naturalmente, esses murais não são uma exclusividade de Shoreditch, tão pouco da Gucci, uma das primeiras a investir nesse tipo de publicidade com a série #GucciArtWall e seus paredões incríveis espalhados por cidades como Milão, Nova York, Paris e Londres – lembrando que marcas esportivas, selos de música e distribuidoras de filmes começaram antes a usar esse tipo de mídia.

 

Para falar com o público antenado e cosmopolita que borbulha pelas cidades, as grifes de luxo aderiram à arte de rua como uma maneira de comunicar, engajar e se manter jovem. E quando as artes são realmente boas, é também um material fácil de viralizar na rede e virar até atração turística. “As maiores marcas do mundo estão contratando grafiteiros, que são basicamente vândalos, e isso é incrível”, diz ao site da Bloomberg Darren Cullen, fundador do coletivo Graffiti Kings. Eles já fizeram murais para Calvin Klein, Nike, Adidas, Nokia, Sony e Google, entre outros. “Os murais são uma maneira das marcas se inserirem na cultura de rua”, diz Jay Young, diretor de soluções criativas da agência Talon Outdoor.

Mas pintar grandes paredões em bairros descolados já parece um lugar comum até mesmo para as grifes de luxo e lifestyle. Muitas hoje estão comissionando trabalhos gigantes, alguns deles que só podem ser vistos por completo do céu, como é o caso da colaboração que a Fendi fez com a Global Street Art Agency no rooftop de seu prédio em Roma. Os grafiteiros escreveram a palavra Futuro em seis línguas diferentes na obra que ficou conhecida como The Ring of The Future. O post da Fendi no Youtube já conta com mais de quatro milhões de views.

Esse é um outro ponto: muitas vezes essas obras ganham uma segunda vida online. Ver uma arte pintada à mão em grandes dimensões pode ser muito impactante e altamente instagramável.

A Zippo fez um mural em Londres assinado por Ben Eine equivalente ao tamanho de 67 quadras de tênis que também só pode ser visto integralmente do céu. O post já tem mais de 11 milhões de views nas redes.

O grafite, que começou nas ruas como uma arte subversiva que nadava contra a corrente do mainstream, hoje está totalmente inserido no meio comercial, não apenas ocupando museus, mas recebendo essas comissões por parte de marcas super estabelecidas. Isso gera certa tensão em alguns grupos que se incomodam com o termo  “graffiti advertising”, usado para nomear esses trabalhos. Lee Bofkin, da Global Street Art Agency, prefere o termo “hand-painted advertising”. “A estética que estamos pintando para as marcas é muito diferente da arte de rua em geral. Tem muito mais em comum com publicidade de grande formato, só que com as habilidades e técnicas da tinta spray”, diz em entrevista à Bloomberg.

Polêmicas à parte, uma coisa é certa. Arte de rua em grande escala pode ser uma excelente ferramenta de encantamento e engajamento.

 

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Watch the amazing aerial footage of @einesigns masterpiece coming to life and tell us what would you create? #zippo #ZippoXBenEine

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