10.03.2020 / Cultura pop / por

O espetáculo de dança contemporânea com figurino assinado por Vivienne Westwood e Andreas Kronthaler

Ensaio da coreografia Cowpuncher My Ass, de Holly Blakey / Reprodução
Ensaio da coreografia Cowpuncher My Ass, de Holly Blakey / Reprodução

A gente já falou aqui da coreógrafa britânica Holly Blakey, um dos nomes mais relevantes da nova geração da dança contemporânea. Seu mais recente espetáculo, Cowpuncher My Ass, estreou com casa lotada no Southbank Hall, em Londres, e teve trilha assinada por Mica Levi e figurino de Andreas Kronthaler e Vivienne Westwood.

A coreografia é inspirada em filmes de western com resultado que é deslumbrante, frenético e sublime, abordando questões como identidade, obsessão, camaradagem, isolamento, poder e política. Cowpuncher é uma reimaginação dos westerns espaguete, contando a história de um bando de forasteiros, pessoas que existem além do que é convencional. “Há aí temas problemáticos que ainda são atuais, como masculinidade tóxica, os papéis das mulheres, fronteiras, divisões raciais, quem é o dono do que, minha terra, sua terra… De repente, essa ideia que parecia divertida acabou tornando-se muito mais profunda do que eu pretendia no início”, diz Blakey à plataforma We Present.

A obra recebeu críticas variadas. Críticos tradicionais reclamam que seu trabalho é muito pop. De fato, Holly tem um background pop, já coreografou e dirigiu clipes para Florence & the Machine e Coldplay e também filmes para Gucci e Dior. “Como venho de uma cultura de vídeos, sempre fico impressionada com a maneira como as coisas produzidas para a cultura de massa têm menos valor”, diz. “A ‘alta arte’ é feita para um grupo muito menor de pessoas. E eu estou interessada no que está disponível em um palco de dança contemporânea. O que eu posso fazer aqui? O que eu não posso?”, questiona.

Foto: Reprodução
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Ao desafiar o elitismo da dança como instituição, ela está pronta para dividir o público e aguentar o criticismo. “Meu trabalho é assim. Algumas pessoas adoram, outras odeiam”.

Os bailarinos que entram em sua companhia vêm de backgrounds diversos, com corpos diversos e energias diferentes. “Eles não são um corpo de balé, não são uniformizados, não fazem tudo da mesma maneira. Então, instantaneamente, esse senso de individualidade é imposto a cada um. É a partir daí que começamos a pensar sobre qual personagem podem ser, mas também quem eles são e sua essência”.

 

Os processos ao longo de uma coreografia nem sempre são fáceis, já que eles acabam por se tornar transparentes e, aos poucos, vão deixando cair todas as máscaras. “Eu quero falar sobre coisas difíceis. Posso pedir que você compartilhe essas coisas comigo, sobre sua masculinidade, sua sexualidade? Você pode mostra sua vulnerabilidade? Tivemos muitos momentos difíceis no processo. Sempre existem alguns dias em que todos choram histericamente”.

No figurino, esta é a segunda vez que Holly trabalha com Andreas e Vivienne Westwood. Eles fizeram a primeira coreografia desta série, chamada simplesmente de Cowpuncher. “Sinto que eles inerentemente subvertem a idéia do cowboy, com ou sem o meu espetáculo. Então foi um processo fácil, as roupas se encaixaram perfeitamente em nosso adorável forasteiro: imperfeitas, exageradas, e com botas de caubói”.

Foto: Reprodução
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