22.03.2016 / Design / por

Para celebrar ícone Air Max, top designers da Nike lançam três novas versões do tênis

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Mark Parker, Tinker Hatfield e Hiroshi Fujiwara são os três top designers da Nike que levam os tênis da marca a novos patamares de design esportivo, inovação e tecnologia. Hiroshi é o idealizador da Fragment Design e o principal curador de rua mundial; Tinker é o VP de Inovação e Design da Nike e tem no currículo o desenvolvimento da linha Air Jordan; Mark é o CEO da marca e tocou projetos como o desenvolvimento da tecnologia Air.

Imagina os três trabalhando juntos, o que pode sair daí. Pois eles colaboram desde 2002 e ganharam até uma linha para lançar suas invenções, a HTM, com as iniciais de cada nome. Juntos, já criaram mais de 30 modelos, entre calçados mais conceituais e vendidos em tiragem limitada ao Flyknit, que tem revolucionado a maneira de fazer tênis leves, com performance e uso mais correto dos materiais.

Agora, quando a Nike celebra o Air Max, o trio foi convidado a desenvolver uma visão própria para um dos mais fortes ícones da história da marca. E cada um ao seu jeito, reiventou o Air Max, adicionando tecnologia, cores ou inspirando-se em outros clássicos. “Se eu sou convidado a refazer um Air Max, eu vou mudá-lo e adicionar tecnologia”, diz Tinker. Para escolher as cores, ele usou como referência os EUA e a França, dois países importantes em sua carreira, por isso o tênis é vermelho, branco e azul.

Já Mark gosta de produtos simples e que comunicam o que fazem de forma clara. Ele projetou os tênis da V-Series (Vengeance, Vortex e Vector) e trouxe deles algumas características para o modelo atual. “É uma ode à linguagem clássica de design de corte e costura da década de 1980, executado em uma maneira moderna”. E Fujiwara pesquisou nos arquivos da Nike e escolheu olhar para o estilo classic retrô, que redesenhou em nylon e camurça.

O FFW teve acesso a um bate papo entre os três, contando os bastidores de suas colaborações, que você pode ler a seguir:

Tinker, Hiroshi e Mark, os cabeças da Nike ©Cortesia
Tinker, Hiroshi e Mark, os cabeças da Nike ©Cortesia

 O início

Hiroshi Fujiwara: Quando eu me encontrei com Mark pela primeira ou segunda vez, antes dele se tornar o CEO, ele me perguntou: “Se você tivesse que fazer alguma coisa com a Nike, o que seria?” Eu respondi que eu queria ajudar a aprimorar determinados modelos.

Mark Parker: Eu tinha entrado em contato com Hiroshi para conhecê-lo. Através desse diálogo, Tinker entrou em cena. Havia uma sensação de que, em vez de apenas falar sobre as ideias, poderíamos colaborar, transformar nossas ideias em formas e, se gostássemos, lançar o produto finalizado.

Tinker Hatfield: Tenho certeza de que o HTM, em última análise, foi ideia de Mark. Parece-me, retrospectivamente, que isto é o que ele faz melhor. Ele realmente sabe como reunir as pessoas certas.

Mark: Ao unir pessoas com mentes abertas e respeito mútuo, temos um diálogo puro, orgânico e não filtrado. É um processo criativo poderoso – que estamos sempre tentando explorar.

Hiroshi: Outras empresas utilizaram siglas para representar colaborações, como um nome em código, eu usei HTM para representar Hiroshi, Tinker e Mark. Mas eu nunca pensei que esse passaria a ser o nome oficial.

Mark: Demos ao projeto a sua própria identidade, colocando nossas iniciais nele, o que de início não significou nada para a maioria das pessoas quando o viram. Mas o nome “HTM” representou cada uma de nossas impressões digitais no processo.

O time

Mark: Ambos, Hiroshi e Tinker, são parceiros criativos maravilhosos. Hiroshi é mais um estilista-designer do que um designer puro. Ele tem um senso de estilo, praticidade e simplicidade. Seu olhar sobre como os designs se encaixam no estilo de vida cotidiano é inestimável. Tinker é um mágico para combinar design, inovação, performance e estilo de forma única.

Tinker: Mark desempenha o papel que ele sempre desempenhou. Ele é um designer, mas ele também é um desenvolvedor, e passou um tempo no laboratório. Ele também é um gênio em refinamento, curadoria e reorganização. Por exemplo, seu escritório tem uma curadoria maravilhosa. Há arte e itens de recordação de diferentes momentos da jornada dele. Mas de alguma forma, quando juntos, eles fazem sentido. É um símbolo da maneira como ele pensa.

A oportunidade

Mark: A HTM é um lugar para brincar, experimentar e testar novos conceitos. É uma saída criativa para criar uma nova estética, empregar um material novo ou explorar uma nova solução de performance. Mas não importa a silhueta, a HTM nos dá a liberdade de inventar sem regras ou expectativas formais de comercializar algo em grande escala. O projeto é rápido e extremamente recompensador.

Tinker: No início, a HTM foi um exercício de utilização de cores e materiais inesperados para aprimorar designs clássicos.

Hiroshi: Esta foi uma época em que os tênis de luxo não eram tão comuns. Assim, no início, a HTM se tornou uma oportunidade para adicionar um toque de luxo aos tênis.

Mark: Com a HTM, não há realmente nenhuma restrição. Nós não precisamos nos preocupar em nos comprometer com materiais ou estruturas, porque o produto precisa ter um certo nível de preço. Fazemos coisas que acreditamos que deixem o tênis mais interessante. Então, nós provavelmente ultrapassamos alguns limites do processo convencional. O Air Force 1 foi um exemplo disso, pois usamos couro e costuras incrivelmente sofisticadas. Tudo foi refinado.

Visão geral

Hiroshi: Ao invés de atualizar o que já existia, a HTM começou a lançar novas ideias pela primeira vez.

Mark Parker: O Sock Dart resultou de uma brincadeira de Tinker na Innovation Kitchen. O projeto era simples e astuto – um tênis de referência para os meses de verão. Mas também era moderno, sofisticado e progressivo.

Tinker: Foi um projeto desafiador que envolveu malha circular, que dizíamos a todos ser o futuro do design de calçados. Mas não fabricamos muitos modelos quando lançamos o tênis e ninguém viu. Logo em seguida, se me lembro bem , Hiroshi queria trazê-lo para o HTM.

Hiroshi: Mais tarde, no Japão, eu o vi sendo vendido. Eu disse repetidamente para Mark e Tinker que o tênis era futurista e interessante, e que deveríamos trazê-lo de volta. Por isso, decidimos aprimorá-lo com o HTM.

Tinker: Um dos motivos pelo qual eu participei de um projeto desta natureza é que ele oferece a você a oportunidade de descobrir algumas preciosidades que ninguém realmente presta atenção. Ao fazer isso, você pode despertar o pensamento sobre o design do futuro. O Sock Dart ajudou as pessoas a repensar alguns projetos futuros, pois nós estávamos começando a trabalhar muito com malha e este era um tênis muito avançado e futurista.

Mark: Nós ficamos, e ainda estamos, incrivelmente animados com o potencial do Flyknit, não apenas em termos de oferta de uma nova estética, ou abertura de novas possibilidades para a sustentabilidade, mas também do ponto de vista de performance.

Hiroshi: Os tênis Flyknit parecem tão simples, mas eles são incrivelmente técnicos. Eu entendi o quão incrível a tecnologia era. Mas com as primeiras amostras, foi difícil ver se o tênis realmente tinha um cabedal de malha. Para deixar a estrutura de malha e sem costura mais visível, eu aconselhei a equipe a usar cores para explicar o conceito, misturando os diferentes fios coloridos.

Tinker: A HTM nos ofereceu a oportunidade de facilitar um pouco a entrada da tecnologia no mercado. Conseguimos aprender com o lançamento, fazer com que as pessoas notassem a tecnologia, e em seguida, crescer. Então, este lançamento do Flyknit, para mim, é o melhor exemplo do propósito e potencial da HTM.

Trabalhando com Kobe (em 2014, o HTM lidou com o basquete pela primeira vez, lançando o KOBE IX Elite Low HTM, o primeiro tênis Flyknit de cano médio criado para prática do basquete)

Hiroshi: O KOBE IX Elite Low HTM deu-nos a oportunidade de celebrar o quanto o Flyknit tinha evoluído. O que foi usado pela primeira vez para corrida poderia agora ser usado para os movimentos intensos e diagonais de basquete.

Tinker: Pessoalmente, acho que este é um dos produtos mais testados, mais bem trabalhados, mais bem desenhados que criamos. É uma excelente combinação entre a tecnologia e a visão do atleta.

Mark: Kobe ficou animado com ele. Ele é um fanático por tênis, então eu acho que ficou emocionado e honrado em fazer parte da HTM.

O legado HTM

Mark: No seu início, a HTM foi muito espontânea, não foi uma jogada de marketing deliberada. Nasceu em grande parte a partir de uma motivação pessoal. Nos dá a oportunidade de brincar, fazer algumas coisas que queremos fazer e expressar-nos por meio do produto.

Tinker: Ao longo da história, negócios foram criados com base na inovação e em coisas que ninguém jamais fez. A HTM tem sido um dos caminhos mais claros para este objetivo final. É um projeto extremamente gratificante. Além disso, é muito divertido. Nós quebramos regras. Como não gostar disso?

Os três novos tênis começam a ser vendidos nesta semana, inclusive no Brasil.

 


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