Polêmico fotógrafo e cineasta, David Hamilton morre aos 83 anos

O fotógrafo e cineasta David Hamilton ©Reprodução
O fotógrafo e cineasta David Hamilton ©Reprodução

David Hamilton, conhecido por suas imagens de garotas nuas e seminuas numa linha tênue entre arte e pornografia, foi encontrado morto em seu apartamento em Paris na última sexta-feira (25.11). O serviço de emergência foi chamado por um vizinho que estranhou ao ver sua porta entreaberta.  Segundo a polícia francesa, ele estava com um saco plástico na cabeça e ao seu redor havia bebidas alcoólicas e remédios, o que leva a acreditar que foi suicídio, porém a investigação continua.

Dias antes de sua morte, Hamilton foi acusado de estupro por uma das garotas que fotografou antigamente. A modelo, a radialista e apresentadora francesa Flavie Flament, hoje com 42 anos, disse ter sido estuprada por um fotógrafo aos 13 anos em sua autobiografia lançada recentemente, a “La Consolation” (JC Lattès). À princípio, ela não citou nomes com medo de ser processada. No entanto, depois do lançamento de seu livro, cuja capa é uma foto dela tirada por Hamilton, outras duas modelos também disseram anonimamente para uma revista semanal terem sido assediadas pelo britânico.

Segundo o “The New York Times”, foi então que Flament acusou publicamente David Hamilton em entrevista ao jornal francês “L’Obs”. Hamilton, por sua vez, negou. “Sou inocente. A pessoa que me causou este linchamento da mídia procura seus 15 minutos de fama difamando-me”, disse à imprensa francesa. Após saber de sua morte, Flament o definiu como um “ato covarde”. “O horror desta notícia nunca apagará as nossas noites em claro”, disse ao “The Sunday Times”.

Hamilton estudou arquitetura. Aos 20 anos, foi para França, onde começou a trabalhar como designer gráfico da “Elle”. Voltou para Londres como diretor de arte da “Queen Magazine”, famosa revista britânica na década de 1960. Ao retornar definitivamente à França, onde se radicou, também atuou como diretor de arte da loja de departamentos Printemps, em Paris. Em 1977, lançou seu primeiro filme, “Billits”. Ao todo, ele dirigiu cinco filmes eróticos sempre focando na sexualidade virginal com o estilo soft-focus, imagens levemente embaçadas que remetem a cenários idílicos – o que definiu o estilo de sua fotografia de moda e publicidade nas décadas de 1960 e 1970 publicada em mais de 20 livros, alguns desses censurados por pornografia infantil, e em revistas como “Vogue” e “Photo”.

Assim, foi um dos principais nomes da fotografia de moda na década de 1980 e 1990. Críticos definem seu trabalho como “o tipo ideal regularmente expresso nas grandes pinturas do passado” com um “erotismo latente, ostensivamente romântico, mas à procura de problemas”. “Nudez e pureza, sensualidade e inocência, graça e espontaneidade – fizemos essas contradições. Tento harmonizá-las, esse é o segredo e a razão do meu sucesso”, disse o fotógrafo em 1995.

Veja seu trabalho na galeria abaixo:


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