17.08.2016 / Gente / por

Conheça Mari Giudicelli, a ótima grife de sapatos de Nova York de uma modelo carioca

Um dos sapatos da primeira coleção de Mari Giudicelli ©Reprodução
Um dos sapatos da primeira coleção de Mari Giudicelli ©Reprodução

Por Isabella de Almeida Prado, em colaboração para o FFW

Há sete anos, a carioca Mari Giudicelli, 28, largou a “vida boa” do Rio de Janeiro, como ela mesma define, para estudar moda em Nova York.  A caminho de uma aula, o fotógrafo Dan McMahon a parou na rua e perguntou se ela toparia fazer um ensaio no dia seguinte. A partir de então, antes mesmo de se formar estilista na conceituada Parsons, já havia entrado na carreira de modelo. Mas não abandonou os planos de se tornar designer de moda.

Musa de marcas independentes alternativas, como Maryam Nassir Zadeh,  Eckhaus Latta e Jacquemus, com trabalhos para grifes jovens cool como Urban Outfitters, Mari se especializou em design de acessórios no FIT (Fashion Institute of Technology, NY) e decidiu criar, no ano passado, uma grife de sapatos que leva seu nome. A primeira coleção, com mules e loafers produzidos de forma sustentável no Brasil, traz o mix das referências ao seu país natal com o design apurado.”A riqueza do Brasil está em mim, no subconsciente. Minhas coleções refletem muito isso e acabo buscando silhuetas que contrastam com esse aspecto natural”, diz Mari. O conforto é outro item que se tornou primordial depois da experiência com saltos altos no trabalho como modelo, o que a fez se concentrar neste quesito, criando um salto de madeira baixo e quadrado que já se transformou na marca registrada de seu design.

Vendidos no e-commerce de high fashion Moda Operandi (US$ 380 até U$ 990), os sapatos da carioca já chamaram a atenção de publicações como a “Vogue” norte-americana, a “W” e o “The New York Times”, que falaram de seu trabalho. Em setembro, ela prepara uma apresentação durante a semana de moda de Nova York para revelar os novos modelos da grife, inspirados nas pinturas de natureza brasileira feitas em 1500 por um artista alemão, encontradas num livro de um sebo em Greenpoint.

A seguir, leia a conversa do FFW com Mari sobre sua marca, uma de nossas apostas entre as novidades de design de sapatos.

 

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Mari Giudicelli, carioca baseada em Nova York que concilia uma dupla carreira, de modelo e estilista ©Dario Catellani

Como se envolveu com a criação de acessórios e quando surgiu a ideia de criar uma marca própria? 

Estagiei para diversas marcas em Nova York enquanto estava estudando e aprendi bastante, só me faltava a liberdade criativa. Quando me formei, decidi que ia trabalhar para botar minhas ideias no mundo, mesmo sabendo que seria um desafio enorme. Criar uma marca já é muito complexo, e fazê-la em outra língua, sendo estrangeira, com outras leis e burocracias, é 10 vezes mais difícil.

Você costuma trabalhar como modelo para marcas independentes e conceituais, como Jacquemus e da Eckhaus Latta. De que maneira esse contato influenciou e influencia a sua marca?

Ter relações pessoais com esses designers foi muito inspirador, pois vi do lado de dentro os desafios que eles passam, e as conquistas também. Eles também são designers independentes, portanto tem liberdade criativa e fazem o que querem, o que é muito importante pra mim.

Como você concilia a sua carreira de modelo e as demandas da grife?

É caótico. Coordeno tudo. Tive que aprender a mudar de função a cada minuto. Uma hora estou escrevendo essa entrevista, daí um motoboy vem buscar uma peça piloto para ser fotografada para uma revista, e daí tenho que rever finanças, atualizar o site, e ver se posso fotografar tal campanha dia “x”, e a exportadora liga pra dizer que está faltando um documento, enfim… O dia passa, são dez da noite e ainda estou trabalhando.

Os sapatos da sua primeira coleção têm nomes de bairros do Rio de Janeiro. Onde o Brasil entra no seu design?

Cresci no Brasil e viajei muito de carro com meus país pelo País. Ia a Caraíva, na Bahia, desde bebê, fazia amizade com os índios, cresci cercada de natureza. A riqueza do Brasil está em mim, no subconsciente. Minhas coleções refletem muito isso e acabo buscando silhuetas que contrastam com esse aspecto natural.

Você trabalha sozinha ou já tem uma equipe?

Faço tudo sozinha. Meu processo criativo não tem começo nem fim. Estou sempre observando. Para a próxima coleção, encontrei um livro sobre o Brasil em um sebo de Greenpoint com pinturas de um artista alemão que foi ao Brasil em 1500 pintar os nativos e a natureza, muito especial. É legal quando as coisas aparecem, em vez de ficar tentando buscar. Normalmente começo a criar a partir de uma matéria prima, e não desenhando.

Quais nomes da indústria da moda te inspiram? 

[Christophe] Lemaire, Gosha [Rubchinskiy], Nehera, Dries Van Noten, Lauren Manoogian, a lista não tem fim.

Quais materiais você utiliza para a produção dos sapatos? Eles são feitos nos Estados Unidos ou no Brasil?

Na primeira coleção usei meu salto de madeira exclusivo, couro de lagarto, camurça e pelo de coelho, todos criados no Brasil de forma sustentável.

Você vê alguma diferença entre criar sapatos para as norte-americanas e as brasileiras? Em que mulher você pensa na hora de desenvolver os calçados para a sua marca?

Eu acredito no conforto e não costumo generalizar. Poderia dizer que carioca adora uma rasteira, mas a estética tem mudado de uns anos pra cá, acredito que muito por força de mídias sociais. A minha cliente é madura, sabe o que quer, e busca funcionalidade e elegância.

Além do Moda Operandi, os calçados são vendidos no Brasil? Tem planos de expandir e abrir um e-commerce próprio?

Infelizmente ainda não vendo no Brasil. Mas sim, pretendo começar meu e-commerce em breve.


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