25.11.2015 / Moda / por

5 Perguntas: Patricia Bonaldi fala sobre Instagram e a velocidade da moda

Patricia Bonaldi ©Divulgação
Patricia Bonaldi ©Divulgação

1. Você começou a trabalhar como estilista nos anos 2000 e estabeleceu sua marca em plena era das redes sociais. No seu caso, essa nova comunicação virtual, principalmente o Instagram, onde você é um sucesso, com 1 milhão de seguidores, não só ajudou como foi essencial para a sua marca?

O mundo virtual, antes de ser essencial para as marcas se tornou essencial para as pessoas. A internet hoje em dia é a ferramenta de contato entre o indivíduo e o mundo, onde ele busca informação e se apropria delas para viver. Com isso acontecendo, as marcas, em sentido oposto, tiveram que se adequar para se comunicar com os clientes pela ferramenta que eles mesmos escolheram. Não são as marcas que dizem qual plataforma é a mais importante, mas sim as pessoas. Hoje em dia, o Instagram é a plataforma que cumpre esse papel, mas como no mundo virtual tudo é perecível, é bem provável que em algum momento surja algo novo e melhor.

Falando especificamente do meu caso, no momento em que as minhas marcas tiveram um boom virtual, eu já vendia para 15 países e para mais de 80 multimarcas no Brasil. É importante ressaltar que independentemente da plataforma de comunicação, a conexão entre o cliente e a marca acontece principalmente através do produto. O meu produto é pensado desde o começo para criar este vínculo com as clientes. A internet contribui para facilitar a troca de informações entre as pontas, mas um produto fraco não se sustenta somente com essa ponte.

2. Hoje a grande discussão é sobre o excesso de velocidade da moda: de produção de roupas, de lançamento de muitas coleções por ano, de uma infinidade de ações de divulgação da marca, de eventos em várias partes do mundo ou do País, no caso do Brasil. Você acha que o mecanismo da moda está rápido demais? Por que?

Sim, concordo que hoje tudo é muito rápido e intenso na moda. O motivo é o aspecto perecível da sociedade atual. As roupas, as informações, as estéticas, as definições envelhecem numa velocidade fora do normal.  O que é desejo hoje, amanhã pode já não ser. Para atender à demanda do mercado por novidade, as marcas fazem cada vez mais coleções, criam novos projetos, mais eventos, gerando conteúdo para um consumidor ávido pelo novo.

3. As redes sociais podem ser consideradas, na sua opinião, responsáveis por boa parte dessa velocidade da moda?

A agilidade do mundo virtual tem partes positivas e negativas. Ao mesmo tempo em que ajuda a disseminar informação, o que é essencial para as marcas, também as torna perecíveis com uma velocidade impressionante. Gerar conteúdo para se manter em evidência colocou as marcas de moda em uma locomotiva em alta velocidade, produzindo cada vez mais roupas, coleções, campanhas, vídeos, fotos, e qualquer outro tipo de informação que relevante para seus interlocutores virtuais.

4. Raf Simons deixou a direção criativa da Dior há dois meses por excesso de tarefas, por querer algo mais “calmo”. Outros grandes estilistas, como Alber Elbaz, que logo depois saiu da Lanvin, também reclamam do excesso de trabalho. O que você acha das decisões e declarações deles?

Com certeza são decisões muito pensadas. Acho que estamos em um momento transitório. A moda está chegando a um limite que vai precisar se reinventar. A mensagem principal da saída desses estilistas de marcas tão importantes é que precisamos encontrar uma forma de viver no mundo atual. O mercado já colocou todas as novas demandas na mesa. Temos que nos voltar para dentro de nossas estruturas para entender como vamos nos modificar para atendê-las. Fazer o mesmo que fazíamos para atender o novo, não vai dar certo.

5. Você cuida de duas marcas próprias, acabou de lançar uma linha de noivas (com vestidos prontos e sob medida) e é a dona de um grupo com mais duas (Lucas Magalhães e Apartamento 03). Quais são as partes mais cansativas e que demandam mais do seu tempo?

Na verdade, divido meu tempo entre atividades muito distintas, começando em estilo, mas passando por produção, marketing e comercial. Hoje em dia acho que a parte relacionada à minha imagem e das minhas marcas tem tomado uma dimensão muito grande, mas consigo impor limites e me organizar para atender a isso da forma que acho adequada.

 


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