22.07.2016 / Moda / por

A moda minimalista no Brasil hoje, por Raquel Davidowicz, da UMA

Raquel Davidowicz com Viviane Orth (esquerda) no backstage do desfile da UMA para o Verão 2017, no SPFW ©Agência Fotosite
Raquel Davidowicz com Viviane Orth (esquerda) no backstage do desfile da UMA para o Verão 2017, no SPFW ©Agência Fotosite

Das marcas mais longevas e bem-sucedidas entre as representantes da moda minimalista no Brasil, a UMA é um exemplo de como resistir a tendências de época e manter-se fiel à própria identidade pode ser o caminho para prosperar no mercado e contribuir com design de qualidade.

Criada há 21 anos por Raquel Davidowicz, estilista à frente da grife, a UMA deu seus primeiros passos ainda nos anos 90, influenciada pelo minimalismo radical e soturno de japoneses como Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo, da Comme des Garçons. Começou bem, até que o “menos é mais” de correntes como a japonesa e a de marcas como Calvin Klein foi substituído pelo decorativismo e pelo mix de referência do início dos anos 2000. Nessa época, a UMA continuava a seguir à risca a cartilha dos japoneses em Paris. Perdeu destaque num cenário muito diferente de sua moda, mas perseverou. Focou na evolução de seu design seguindo o próprio caminho e sua clientela, até que uma confluência de volta da simplicidade na moda com maturidade da grife fez a UMA brilhar.

+ Veja a coleção completa do Verão 2017 da UMA no SPFW

Diferentemente de colegas de nicho mal-sucedidas financeiramente, como a Huis Clos e a Maria Bonita, que trilharam vertentes diferentes porém dentro do design clean apurado, a UMA fez de seu minimalismo um negócio saudável, hoje com quatro lojas próprias, uma delas em Nova York, aberta há um ano, além de 50 pontos de venda em multimarcas físicas e online. Um tamanho compatível com um público que, definitivamente, não é de massa, mas está crescendo no Brasil, segundo Raquel.

A seguir, cinco perguntas para a diretora criativa e dona da UMA sobre o cenário da moda minimalista no País hoje.

1. A moda minimalista ainda é um conceito difícil de ser absorvido pelo cliente brasileiro?

Na minha opinião existe sim um nicho maior de consumidores que entendem o conceito minimal. Os brasileiros são muito influenciados pelo lifestyle americano, que está fortemente voltado para esse conceito atualmente.

2. Quais foram as principais mudanças nos últimos 20 anos em relação à moda que você faz, tanto em relação ao amadurecimento da marca quanto ao amadurecimento do cliente?

A UMA nasceu nos anos 90, com uma forte onda minimal. As pessoas estavam muito abertas ao nosso estilo, foi uma entrada boa no mercado. Seguimos sempre preservando o nosso estilo, mesmo passando por diferentes tendências na moda, onde estampas e adornos eram os hits, e muitas pessoas seguiam essas tendências.

Com o tempo percebemos o quanto foi importante não termos nos adaptado a essas “tendências”, e sim preservar o que sempre fomos. Hoje estamos diante de um mundo globalizado, onde quem tem uma identidade pode se manter vivo. Aumentou significativamente o número de consumidores que procuram o diferencial, e isso significou um grande salto que favoreceu o tipo de moda que fazemos.

Backstage do desfile da UMA, Verão 2017, SPFW ©Agência Fotosite
Backstage do desfile da UMA, Verão 2017, SPFW ©Agência Fotosited

3. Como é vender em Nova York? A loja tem best sellers e perfis de clientes diferentes do Brasil?

As clientes das nossas lojas têm o mesmo perfil, são mulheres que procuram por qualidade, design, conforto e praticidade. Os best sellers costumam ser os tops , tricôs e vestidos.

4. Moda minimalista é necessariamente para poucos, para um nicho? Hoje você tem quatro lojas (duas em São Paulo, uma no Rio, uma em NY) e vende em 50 multimarcas no país. Você diria que tem qual tamanho hoje? Há espaço para crescer mais?

O minimalismo com design tem um nicho específico, mas vem num crescente interessante. Notamos isso pelo aumento de multimarcas que têm vendido bem nossos produtos, e a nossa venda online, que vem aumentando muito tanto no mercado nacional como internacional. A partir dessa demanda, acredito que existe sim espaço para crescer mais.

5. E há mercado para novas marcas com esse conceito no Brasil? Qual conselho você daria para as jovens grifes que têm esse estilo?

Espaço existe sempre que se consegue ter capital para produzir um produto de qualidade com preço coerente e bom design. Aconselho a manterem seu DNA e nunca perderem qualidade. Hoje em dia as pessoas gostam de se identificar e ser acolhidas por uma marca, este é o trabalho que venho fazendo ao longo destes 20 anos à frente do estilo da UMA.


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