13.04.2020 / Moda / por

Buaisou: o coletivo japonês que preserva a cultura do índigo e dá aulas para Kanye West e Tory Burch

O corante natural índigo é produzido desde o século 19 no Japão, mas foi apenas no início do século 20 que ele começou a se espalhar. Ele começou com maior destaque em Tokushima, a 600 quilômetros de Tóquio, na ilha de Shikoku. Na época, havia quase 2000 cultivadores, hoje restam apenas cinco. Entre eles está o coletivo de artesãos Buaisou, cuja missão é preservar a arte ancestral por trás do índigo. O processo, conhecido como aizome, é um trabalho artesanal de amor, transmitido de geração em geração.

O Buaisou foi criada em 2015 por Kakuo Kaji, que respondeu a uma chamada do Ministério da Educação do Japão, oferecendo treinamento de até duas pessoas neste processo artesanal. O objetivo era preservar essa forma de arte antes que ela se perdesse para sempre. O Buaisou nasceu, estabelecendo-se como um coletivo de agricultores e tintureiros que acompanham todo o processo do início ao fim.

Kaji se interessou pelo índigo aos 17 anos. “Mudei de Aomori para Tóquio para estudar design têxtil na Universidade de Zokei, foi quando me interessei pelo tingimento de índigo. Eu me apaixonei pelo processo e pela paciência que ele requer – ele é único em comparação com outras formas de tingimento de plantas, pois leva muito mais tempo. É uma forma de arte”, diz em entrevista ao site Pen, focado na cultura japonesa.

A turma por trás do Buaisou / Reprodução
A turma por trás do Buaisou / Reprodução

De fato, é um processo demorado que pode levar mais de um ano e meio para concluir: “Da semeadura ao acabamento da compostagem de folhas de índigo para fazer o corante (sukumo), levará mais de um ano. E então temos que secar nosso corante índigo, o que levará cerca de meio ano”, explica Kaji.

Com essa abordagem única e profundo respeito e comprometimento ao processo e à cultura do índigo no Japão, o trabalho do coletivo tem atraído interesse mundial, tanto que eles começaram a dar oficinas para artistas, designers, professores, estudantes e até celebridades como Kanye West. Os workshops permitem que os participantes criem o corante apenas a partir de folhas de índigo, lixívia, farelo e casca de limão, a fim de produzir um pigmento natural que pode ser usado para todos os tipos de finalidades artísticas. Entre as marcas que já lançaram produtos com o Buaisou estão Tory Burch e New Balance.

Peça da Tory Burch em parceria com o coletivo Buaisou / Reprodução
Peça da Tory Burch em parceria com o coletivo Buaisou / Reprodução

Uma das preocupações de Kaji é que a maioria das pessoas não sabe o que é índigo. Muitos pensam que é uma calça jeans. Outros acham que é qualquer corante sintético na cor índigo, quando na verdade índigo é o nome da planta.

Hoje, o Buaisou é administrado por seis pessoas. Cinco artesãos responsáveis pela agricultura e tingimento e Kaji diretor da equipe. Lá, eles cuidam de todos os processos, de ponta a ponta, da semeadura à produção de roupas. “O tingimento de índigo é caracterizado por cores e solidez profundas e bonitas. Isso é feito usando apenas folhas de índigo, soda cáustica, farelo e casca de limão”.

O grupo tem um ótimo site onde explica suas técnicas, divulga seu calendário de eventos e oficinas e vende sua própria coleção de básicos tingidos. “Nosso objetivo futuro é cultivar nosso próprio algodão e tecê-lo nós mesmos”, diz Kaji. Tudo isso faz parte de um projeto mais amplo de aumentar a conscientização sobre o corante índigo no Japão e modernizar as atitudes para que esse conhecimento continue sendo transmitida por gerações.


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