17.10.2019 / Moda / por

Carol, Talytha, Ana Claudia... Modelos veteranas fazem comeback no SPFW N48

Ana Claudia Michels e Carol Ribeiro no backstage da Modem / FOTOSITE
Ana Claudia Michels e Carol Ribeiro no backstage da Modem / FOTOSITE

Por Pedro João

Talytha Pugliesi, Caroline Ribeiro, Bárbara Fialho, Caroline Francischini, Ana Claudia Michels, Micheli Provensi e Aline Weber. Ainda estamos no terceiro dia de SPFW N48 e todos esses nomes estrelados já pisaram na passarela do evento. Ao que parece, marcas como Reinaldo Lourenço, Lilly Sarti, PatBo e Bobstore estão apostando na beleza dessas tops veteranas para desfilar as suas propostas de moda para a temporada. 

Em um momento em que a moda parece estar menos impositiva quando se trata de juventude obrigatória e incontornável de suas modelos, a “velha-guarda” brasileira encontrou espaço para fazer um comeback poderoso. Aproveitamos a oportunidade para fazer cinco perguntas para alguns desses nomes de sucesso internacional.

Caroline Ribeiro

Carol Ribeiro no backstage do desfile de Reinaldo Lourenço
Carol Ribeiro no backstage do desfile de Reinaldo Lourenço / FOTOSITE

Qual é o espaço da carreira de modelo na sua vida atualmente?

Hoje, eu sou contratada da TNT. Faço todos os tapetes vermelhos, tenho um programa que se chama “Mapa do Pop de Viagem” em que mostro locações de filmes e faço TNT News + que são os lançamentos de filmes da semana. Então, nesse momento, estou muito voltada para a coisa do cinema em que aprendo cada dia um pouco mais. Não acho que exista isso de “deixar de ser modelo”. Pelo menos no meu caso, acho que isso não vai acontecer comigo. Isso continua para mim. De modo que aproveito tudo o que eu aprendi até aqui sendo sócia da PRIME Management, que é uma das agências de modelos de participa do SPFW.

Tem alguma coisa enquanto modelo que você faz hoje que não fazia antes? Ou algo que você não fazia e passou a fazer?

Olha… Na verdade, eu tenho uma mania – que sempre tive e para sempre vou ter – que é: eu me benzo três vezes e bato o pé no chão três vezes antes de entrar na passarela. É uma coisa minha que não sair de mim nunca. Se não, não rola.

Desde que você começou, o que mudou na profissão de modelo?

A gente vê os influencers com uma força muito grande e, nesse sentido, as modelos perderam espaço. Por outro lado, as redes sociais deram a oportunidade para a gente ganhar voz. O que antes não acontecia. A modelo obedecia o caminho que era dado para ela e hoje nós podemos subverter essa narrativa. Somos capazes de contar nossas próprias histórias. É uma questão de saber aproveitar um momento diferente. É uma mudança que ainda está em processo.

Quais foram os trabalhos mais memoráveis que você já fez?

Juro que não é porque estou falando com vocês, mas eu faço o SPFW desde a primeira edição. Acho até que minha carreira dura tanto porque eu amo fazer isso. Gosto de estar aqui. O SPFW me divertia muito, era quando eu conseguia ver as minhas amigas. Mas, falando de trabalhos cruciais para a minha carreira, sem dúvida, preciso mencionar ter feito as campanhas de Gucci e Yves Saint Laurent na época do Tom Ford. Ele, inclusive, foi o responsável pelo meu comeback internacional que aconteceu recentemente com o desfile da Balmain. O Olivier Rousteing [diretor-criativo da marca francesa] é fã dele e, por isso, conhecia meu trabalho. De um jeito ou de outro, parece que o Tom Ford está sempre presente na minha carreira. Ele me marcou profundamente.

O que você espera para o seu futuro e para o futuro da moda?

Que a gente descubra uma forma de fazer a moda sem machucar ninguém, nem o meio-ambiente. Tanto o planeta quanto as pessoas. Quero que a moda esteja em parceria com a sociedade. Existem bandeiras sendo levantadas e isso é legal e importante, mas não vejo tanto respaldo nas atitudes das marcas. Nada de concreto sendo feito. Precisamos das bandeiras, mas também precisamos de ação. Desde a compra do tecido até a contratação da modelo. Humanizar todos os processos.

Bárbara Fialho

Bárbara Fialho cantou durante a apresentação de Fabiana Milazzo e fechou o desfile da mineira / FOTOSITE
Bárbara Fialho cantou durante a apresentação de Fabiana Milazzo e fechou o desfile da mineira / FOTOSITE

Qual é o espaço que a carreira de modelo tem na sua vida atualmente?

Eu acabei de ter um neném há dois meses. Então, neste momento, eu ainda estou me situando. Tentando entender como voltar a ativa. Escolhi ficar sem trabalhar durante a gravidez. Eu cantei no carnaval grávida de três meses, mas foi só isso. Fiquei “muito grávida” depois disso (risos). De qualquer maneira, sei que coisas como ficar um mês inteiro trabalhando fora de casa é algo que não dá mais para acontecer.

Tem alguma coisa que você fazia no começo da sua carreira que hoje você não faz mais?

Carão. Eu fazia carão de mais. Aquela coisa meio brava. Claro, continuo fazendo carão, mas também faço outras carinhas. Quero passar outras coisas

O que você sente que mudou na profissão de modelo?

Hoje, a maioria dos castings é feita por redes sociais, pela internet. Isso já é uma super mudança. Ao mesmo tempo, em que sinto que as modelos tem mais poder hoje do que antigamente. E mais, uma pessoa que não tinha “o perfil” de modelo hoje pode se tornar modelo quando ela acredita nela mesma, na beleza que ela joga no mundo. Essa plataforma ajuda as pessoas a mostrar o seu senso de estilo e a sua capacidade criativa. A modelo vira quase uma editora. Temos que produzir imagens também e isso é muito bom.

Quais foram seus trabalhos mais memoráveis no mundo da moda?

Meu primeiro desfile da Victoria’s Secret, sem dúvida. Fiz muito FaceTime com aquele roupão cor-de-rosa. Por eu não ter uma beleza muito comum, sempre me diziam que eu jamais conseguiria estar ali. Então, quando eu consegui, lembrei de cada maquiador que me chamou de feia (risos). Brincadeira… Mas, tem um fundinho de verdade. Foi um momento muito especial de superação.

O que você espera para o seu futuro e para o futuro da moda?

Que a gente consiga trazer mais arte para a moda: mais músiuca, mais cultura, mais artesanato, sabe? Que a tecnologia não roube o que a gente tem de bom. O mesmo vale para mim: andar mais descalça, brincar mais com a minha filha. A gente está muito digital. Quero um contato maior com a natureza.

Ana Claudia Michels

Ana Claudia Michels abriu o desfile da Modem / FOTOSITE
Ana Claudia Michels abriu o desfile da Modem / FOTOSITE

Qual é o espaço que a carreira de modelo ainda tem na sua vida? Você já se formou em medicina?

No final do ano! Faltam só 25 dias, acredita? Mas, acho que ser modelo ainda ocupa, sim, um espaço grande na minha vida. Meus amigos trabalham com moda, estamos sempre falando disso. As pessoas que me seguem nas redes também. Até hoje é algo muito presente.

O que você sente que mudou na profissão de modelo?

Mudou completamente. Muita coisa, para melhor. Aquele único padrão de beleza que existia está sendo questionado e isso é muito bom. É maravilhoso, as pessoas precisam mudar o seu olhar. As redes sociais também mudaram muito a profissão: uma modelo hoje não é só a foto que ela faz, é a vida dela como um todo que importa. O estilo de vida influencia diretamente na sua carreira.

Como você cresceu como modelo ao longo dos anos?

Eu acho que aprendi a olhar para uma roupa e saber o que ela tem de importante, o que precisa ser mostrado e qual a melhor maneira de mostrar aquilo. Consigo dizer o que um cliente espera de mim e dar o resultado que ele propõe. Ao mesmo tempo, em alguns momentos, acho que o frescor de não saber disso tudo é bonito. Para alguns tipos de trabalho, essa inocência que eu não tenho mais pode ser boa.

Quais foram os seus trabalhos mais memoráveis?

O SPFW era a alegria das nossas vidas. Era quando nós nos juntávamos, parecia uma excursão de escola. Ficávamos o ano inteiro fora, era o nosso momento. Os trabalhos que mudaram minha carreira, no entanto, foram: Vogue Itália e os shootings com o David LaChapelle que eram polêmicos, mas foram fundamentais para mim.

O que você deseja para o seu futuro e para o futuro da moda?

Muita coisa. Queria que a moda brasileira crescesse de verdade. A gente tem muita gente talentosa aqui e infelizmente, sofremos muito com as crises, as mudanças, o governo… Queria que ela se estabelecesse para que os criativos daqui pudessem ter seu valor reconhecido.

Carol Francischini

Carol Francischini na Lilly Sarti / FOTOSITE
Carol Francischini na Lilly Sarti / FOTOSITE

Qual o espaço que a carreira de modelo tem na sua vida atualmente?

Metade do meu dia, né? A outra metade vai para a minha filha.

Como mudou o seu jeito de ser modelo com o passar do tempo?

Eu comecei a trabalhar aos 12 anos, hoje tenho 30, então é uma diferença enorme. Amadureci em tudo: até em como se portar, se vestir. No começo, você não tem essa noção. Tudo era brincadeira, hoje é trabalho. Ah! Antigamente, eu andava muito com a perna aberta, inclusive. Era meio menino. Até fiz uns desfiles masculinos por causa disso. Mas, já aprendi a andar de salto (risos).

O que você acha que mudou na profissão de modelo?

A minha geração era a da polaroid e da sofrência, mesmo. A gente ficava muito tempo parada esperando alguma coisa. Não conhecia ninguém. Hoje, as meninas entram no backstage e já sabem quem é o maquiador, o stylist, tudo. Antes, a gente anotava na agendinha. Isso facilita horrores.

Quais foram os trabalhos mais memoráveis que você já fez?

Foram muitos… Mas, fotografar a primeira vez para a Victoria’s Secret foi incrível. Os desfiles italianos: Max Mara, Fendi e outros zilhões. Todos fundamentais. E claro: a campanha da Calvin Klein Jeans que abriu portas para muitas coisas.

O que você espera para o seu futuro e para o futuro da moda?

Para o meu futuro? Ser rica (risos)! Brincadeira: só paz e sossego, viver minha vidinha. Acho que ao ficar mais velha, fui me acalmando. E para moda eu quero mais é brilho. Temos talentos inacreditáveis aqui que não ganham tanto destaque. O SPFW tinha que aumentar cada vez mais e não diminuir.

Aline Weber

Aline Weber antes de entrar na passarela da Lilly Sarti / FOTOSITE
Aline Weber antes de entrar na passarela da Lilly Sarti / FOTOSITE

Como você sente que mudou como modelo?

Não sei se é uma coisa que é porque eu estou mais velha, mas eu acho que quando eu era mais nova, ficava nervosa para estar sempre na medida. Tinha uma coisa na agência que a gente tinha que medir toda semana. Ainda mais se fosse semana de moda. Hoje em dia, isso é mais relaxado, sabe? A pressão diminuiu muito.

Na profissão de modelo, o que também mudou?

O mercado está mais aberto. A gente não tem mais esse padrão de alta, magra, tamanho 36. Isso é muito bom porque o público que compra a moda não tem necessariamente esse biotipo. É um avanço de representatividade em todos os sentidos.

E na moda?

A demanda está muito mais intensa. As pessoas estão muito ávidas por tudo. 15 anos atrás, não era essa loucura, não tinha fast-fashion. Ao mesmo tempo, as redes sociais fizeram as pessoas descobrirem tudo no ato. Não tem mais aquele mistério. Antigamente, isso de entrar no backstage para ver cabelo e maquiagem antes do desfile era proibido. Roupa, então? Nem pensar!

Quais foram os trabalhos mais memoráveis que você já fez?

Alguns! É difícil escolher um só, mas ter aberto o desfile da Balenciaga, sem dúvida, foi incrível. E quando eu repeti na outra temporada, tive que platinar o cabelo. E mais, tive que esconder esse cabelo platinado por três dias antes do desfile a pedido da marca. Ninguém podia saber. Fora isso, acho que fazer o filme do Tom Ford foi incrível. Ter conhecido ele de perto, o Colin Firth, foi maravilhoso.

O que você espera para o seu futuro e o futuro da moda?

Acho que manter essa mudança que a gente já está vendo acontecer. Isso é muito importante. Continuar nesse caminho.

Talytha Pugliesi

Talytha Pugliesina Lilly Sarti / FOTOSITE
Talytha Pugliesina Lilly Sarti / FOTOSITE

Como está sua vida e qual o espaço que a carreira de modelo tem nela?

A vida está maravilhosa, graças a Deus! Mas, não esteve por muito tempo. Eu passei por vários momentos difíceis, recentemente. Tive depressão no último ano, mas hoje posso dizer que consegui me tirar daquele buraco. Acho, inclusive, importante falar disso. É uma conversa necessária, faço questão. Descobri que eu posso fazer mil coisas. Durante muito tempo, eu só me vi como modelo, são 22 anos de carreira, é difícil abrir espaço para outras coisas. Hoje em dia, eu me sinto realizada e feliz em poder fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ser atriz, fazer minha peça, e depois voltar e continuar sendo modelo. Tudo isso me completa e me faz bem. Não dá mais para colocar rótulos nas pessoas. Nós somos um monte de coisas. E eu também.

Como você amadureceu como modelo?

Eu tenho um jeito muito específico de andar que quem conhece, reconhece. Mas, eu acho que quando mais nova, eu era meio minhoca, me mexia mais. Eu tenho um corpo muito flexível. Acho que é só isso. Sempre levei a passarela muito a sério, sempre foi uma das coisas que eu mais amei fazer. Foi muito especial para mim. Eu sempre fazia o que era pedido pelo estilista, pela marca e pela roupa.

Quais foram seus trabalhos mais memoráveis?

Tem três trabalhos que me marcaram demais. O primeiro foi um desfile para a Christian Dior, na época do Galliano, no palácio de Versalhes. Uma passarela gigante, uma experiência inacreditável. O segundo momento, foi o desfile da Gucci para o Tom Ford em uma época que fazer isso significava algo muito especial. Ele é um cara muito foda, que eu admiro muito. Por fim, o desfile da Fendi, nas muralhas da China. Esse foi inesquecível. Achei que ia sair voando com a ventania, até hoje não acredito que eu estive ali. O monumento é inacreditável.

O que mudou na profissão de modelo?

São 20 anos, né, cara? Não tem nem como não mudar. Tem que mudar. A tecnologia, em grande parte, foi o que trouxe a maioria dessas mudanças, para além do desejo natural de ver outros tipos de pessoas nas passarelas. Acho que as carreiras já não são mais tão longas. Mas, ao mesmo tempo, existe uma busca por mulheres mais maduras. Tanto é que a gente está aqui. Ainda bem (risos)!

O que você espera para seu futuro e para o futuro da moda?

Eu queria que o futuro da moda fosse sustentável, acho que temos que aprender a consumir de um jeito diferente. Minha relação com o mundo material já mudou muito. A gente ainda polui muito o planeta. Queria que a moda fosse mais real, acessível, democrática… Para mim, quero continuar vivendo o presente, o agora, sempre reconhecendo a alegria e a sorte que é viver nesse planeta que eu amo. Quero ser um canal de luz, amor e alegria onde eu for.


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